A falida empresa de empréstimos de criptomoedas Voyager Digital obteve aprovação judicial para vender mais de US$ 1 bilhão em ativos para a Binance.US.

A aprovação foi concedida pelo juiz de falências dos Estados Unidos, Michael Wiles, em 7 de março, após quatro dias de debates entre a Voyager e a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

Wiles disse que daria à plataforma de negociação permissão para fechar a venda de seus ativos à exchange de criptomoedas Binance.US e emitir tokens de reembolso para os clientes da Voyager afetados pela falência da empresa, ressarcindo-os em aproximadamente 73% do total da dívida pendente.

Wiles rejeitou uma série de argumentos da SEC de que a redistribuição dos fundos da Voyager para a Binance.US violaria as leis de valores mobiliários dos EUA, de acordo com uma reportagem publicada em 7 de março pela Bloomberg:

“Não posso colocar todo o caso em congelamento profundo indeterminado enquanto os reguladores decidem se acreditam ou não que há problemas com a transação e o plano de recuperação."

Peter M. Aronoff, advogado do Departamento de Justiça, disse na audiência que está considerando apelar da decisão de Wiles.

A decisão do juiz ocorre pouco mais de uma semana depois que 97% dos 61.300 titulares de contas da Voyager mostraram-se favoráveis ao plano de reestruturação proposto pela Binance.US, de acordo com um processo de 28 de fevereiro.

A aprovação ocorre um dia depois que o juiz Wiles afirmou que nenhuma agência dos EUA, incluindo a SEC, teria permissão para punir os executivos da Voyager pela emissão de um possível token de falência.

Agora, a plataforma de negociação levará algumas semanas para decidir se conclui a venda dos ativos para a Binance.US ou os liquida por conta própria e entrega os recursos aos titulares de contas da Voyager.

Isso dependerá de quão preocupante a Voyager considera as investigações em andamento das autoridades federais dos EUA que têm a Binance.US como alvo.

O principal banqueiro de investimentos da Voyager, Brian Tichenor, disse em uma audiência no tribunal em 3 de março que se o plano de reestruturação aprovado for executado, os clientes receberão cerca de US$ 100 milhões a mais do que se a Voyager executasse a liquidação por conta própria.

Os pagamentos aos clientes também serão influenciados pela disputa da Voyager no tribunal de falências com a empresa irmã da FTX, Alameda Research. O fundo de hedge de criptomoedas falido exige que a Voyager pague integralmente o montante tomado por empréstimo junto à Alameda. A Voyager concordou em reservar US$ 445 milhões para efetuar o pagamento caso perca a disputa.

O preço do token da Voyager, o VGX, disparou 32,9%, saltando de US$ 0,37 para US$ 0,50 nas quatro horas após a divulgação da notícia. No momento da redação deste artigo, corrigiu para US$ 0,46, de acordo com dados do CoinGecko.

Variação do preço do token da Voyager, VGX, nas últimas 24 horas. Fonte: CoinGecko.