Sam Bankman-Fried teria ficado preocupado com a sua segurança durante o período em que ficou preso preventivamente no Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn e até considerou pagar outro detento por "proteção", de acordo com o relato de um ex-prisioneiro. 

O agente da máfia de Nova York que se tornou informante das autoridades, Gene Borrello, disse à blogueira de criptomoedas Tiffany Fong em uma entrevista divulgada em 30 de novembro que passou um tempo com Bankman-Fried durante o período que antecedeu o julgamento criminal do ex-CEO da FTX. Ele disse que SBF estava "fora de seu ambiente" na prisão e se preocupava com a sua segurança.

Tive a chance de entrevistar Gene Borrello, um ex-agente da máfia que esteve na prisão com Sam Bankman-Fried. Gene me disse que SBF estava sob vigilância anti-suicídio, foi extorquido e não comeu nem tomou banho por vários dias. Também falamos sobre como Sam gasta seu tempo na cadeia, bullying, a sentença recebida e muito mais.

— Tiffany Fong (@TiffanyFong_)

Borrello disse que, durante o tempo em que conviveu com SBF na prisão, outros detentos consideravam o ex-magnata das criptomoedas tímido, com "o corpo de uma pessoa de 80 anos", e que se presumia que ele tivesse acesso a dinheiro.

"Ele tem o corpo de uma pessoa de 80 anos. Não tem forma, entende o que quero dizer?"

Segundo Borello, um prisioneiro teria tentado importunar Bankman-Fried para extorqui-lo em troca de proteção.

"[Esse prisioneiro] queria que Sam Bankman sentisse que 'aqui é perigoso, você precisa de proteção'", lembrou Borrello.

No entanto, Bankman-Fried foi alojado em uma unidade do Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn que separava os ricos e os informantes do governo do resto da população carcerária, disse Borello.

"Eu sempre dizia: 'Aqui não é perigoso. Você não precisa de proteção. Não se preocupe com isso. Você não precisa pagar nada a ninguém. Não dê ouvidos a esses moleques de merda'."

Borrello afirma que confrontou o importunador, o que acabou resultando em uma briga. Ambos foram colocados na unidade de alojamento de confinamento solitário. Borello afirmou que passou 80 dias lá.

Relatório de incidentes ocorridos na prisão afirma que Borrello brigou duas vezes em um prisioneiro chamado Kevin Cruz e ambos foram escoltados para solitárias. Fonte: Tiffany Fong/YouTube

Borrello lembrou-se de ter conversado com Bankman-Fried, dizendo: "Quando ele fala com você, ele abaixa a cabeça, é muito tímido, se comunica de forma muito nervosa". Ele também disse que perguntou ao ex-bilionário como ele gastara o seu dinheiro.

"Eu disse: 'O que você está fazendo com o dinheiro? Que tipo de relógio você tinha? Ele disse: 'Eu tinha um Apple Watch'", contou Borrello. "Eu perguntei: 'Que tipo de carro você estava dirigindo?' Ele disse: 'um Toyota Camry 2020'."

"Eu e meus amigos dissemos: 'Então, para que diabos você roubou o dinheiro? Quer dar uma olhada?'"

Borello opinou que Bankman-Fried "não pode entrar na população regular" devido à sua riqueza – estimada em US$ 26 bilhões no auge da FTX – pois outros presos tentarão extorqui-lo novamente.

SBF não entendia "o tamanho do problema em que estava metido"

Borrello relatou uma conversa que teve com Bankman-Fried, que aparentemente acreditava que "não ficaria muito tempo [preso]."

"Ele simplesmente não entendia o tamanho do problema em que estava metido", disse Borrello. "Estávamos tentando explicar a ele que se tratava dos agentes federais, que ele estava sendo acusado de roubar bilhões de dólares [...] Ele simplesmente não entendia o quanto estava ferrado até que começamos a explicar a ele."

Borrello afirmou que Bankman-Fried estava mais nervoso com a prisão do que com os desdobramentos do seu caso em si e acreditava que passaria aproximadamente 20 anos na prisão.

"Nós o olhávamos como se ele fosse louco. Eu tentava explicar a ele que ele nunca mais veria a luz do sol."

Em 2 de novembro, Bankman-Fried foi considerado culpado de sete acusações de lavagem de dinheiro, fraude e conspiração e pode pegar uma pena máxima de 115 anos de prisão. Sua sentença será proferida em 28 de março e espera-se que seus advogados recorram da decisão do juiz.

Borello também disse que tentou avisar Bankman-Fried que o juiz de Nova York Lewis Kaplan, que supervisiona seu caso, é o "juiz mais rigoroso do Distrito Sul."

Na maioria dos casos, os juízes seguem a recomendação de sentença da promotoria – que ainda não foi apresentada no caso de Bankman-Fried. "Pode ser algo de outro mundo", disse Borrello.

"Acho que é besteira condená-lo por tanto tempo", acrescentou. "Não há motivo para dar cem anos ao cara. Isso é simplesmente insano."

Borrello chamou a situação de Bankman-Fried de "um caso glorioso" do qual todos os promotores querem fazer parte, pois desejam se tornar "juízes, políticos, analistas [e] advogados federais de alto nível."

"Tudo o que lhes interessa é a glória. Ele é um caso de glória. Então ele está fodido."

LEIA MAIS