Na terça-feira (6), a blockchain de segunda camada Optimism (OP) realizou sua atualização Bedrock, que reduziu o tempo para confirmação de depósitos e taxas transacionais. Além disso, a atualização facilitou a criação de outras blockchains sobre a estrutura Optimism, através do conjunto de ferramentas chamado de OP Stack. João Kury, do coletivo Bankless Brasil, conta ao Cointelegraph Brasil como as mudanças impactam o protocolo.
Melhorando a estrutura
A Optimism é uma blockchain de segunda camada criada sobre o Ethereum, também conhecida como um optimistic rollup. Por isso, é necessário pagar taxas ao introduzir dados e se beneficiar da segurança compartilhada que o Ethereum fornece. Kury comenta que um dos efeitos práticos da atualização Bedrock foi reduzir as taxas de transação na Optimism, ao tornar esse processo mais eficiente.
Mais precisamente, os desenvolvedores descobriram uma forma de compactar os dados e diminuir as taxas de execução da camada um, que é o Ethereum. “Além disso, a mudança no sistema de prova do OP Stack traz a possibilidade de que um rollup possa utilizar tanto um sistema de fault proof [prova de erro], quanto um sistema de validity proof [prova de validez]”, acrescenta o membro da Bankless Brasil.
Em suma, o principal benefício envolvendo as provas mencionadas é o aumento no nível de personalização que desenvolvedores podem exercer ao criar uma blockchain no ecossistema Optimism. Isso pode tornar o OP Stack mais atrativo para profissionais buscando criar soluções usando tecnologia blockchain.
Outro ponto positivo salientado por Kury é o aumento na compatibilidade entre as aplicações da rede Ethereum e da rede Optimism. Isso possibilita que as aplicações sejam replicadas na blockchain de segunda camada de forma mais simples.
Além disso, o tempo para reconhecer os depósitos feitos na Optimism também foi reduzido, diz Kury. Karl Floersch, CEO do OP Labs, equipe por trás da atualização, afirma que o período para aprovar um depósito na rede caiu de dez minutos para apenas um minuto, conforme noticiou o Cointelegraph.
Uma forma de competir com a Arbitrum?
Em fevereiro deste ano, a Coinbase anunciou a criação de sua blockchain própria, a Base. A Base será construída dentro do ecossistema Optimism, com a possibilidade de se conectar diretamente com a rede, diz o anúncio. O que faltava para o lançamento formal da rede era o lançamento da atualização Bedrock, que prometia melhorias na infraestrutura.
A notícia animou os entusiastas da Optimism, dada a possibilidade de reduzir a grande lacuna em valor total alocado que separa a rede de sua concorrente direta, a Arbitrum. Valor total alocado (TVL, na sigla em inglês), como o nome sugere, é uma métrica utilizada para medir quanto dinheiro investidores aplicaram em aplicações de um ecossistema descentralizado.
Enquanto a Optimism conta com US$ 862,91 milhões em TVL, a Arbitrum conta com 158,4% a mais, totalizando US$ 2,23 bilhões. Kury ressalta, porém, que as mudanças trazidas pela Bedrock, somadas ao interesse da Coinbase, podem fazer com que mais instituições se sintam confortáveis em criar soluções no ecossistema Optimism.
O membro da Bankless Brasil avalia que a grande diferença em TVL das redes se dá pela diferença na proposta de ambas. “Enquanto a Arbitrum apresenta um viés mais empresarial, a Optimism se mantém mais voltada a bens públicos e sistemas open source”, destaca Kury.
“Contudo, caso todas as medidas apresentadas pela Optimism apresentem um bom funcionamento, como a redução de taxas e tempo de depósito, maior segurança contra hacks, modularidade de sistemas de provas, certamente isso vai trazer benefícios para a Optimism frente à Arbitrum”, conclui.
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