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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Evento vai debater a nova regulamentação de criptoativos no Brasil

Conferência reúne bancos, reguladores e empresas globais para discutir o papel crescente dos ativos digitais na infraestrutura financeira.

Evento vai debater a nova regulamentação de criptoativos no Brasil
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Resumo da notícia

  • Evento reúne mais de 300 palestrantes e 40 expositores em São Paulo.

  • Bancos, reguladores e empresas debatem tokenização, stablecoins e blockchain.

  • Mercado brasileiro ganha destaque na adoção institucional de ativos digitais.

A participação de instituições financeiras no mercado de ativos digitais tem crescido na América Latina, indicando uma mudança gradual na forma como o setor é percebido. O tema será discutido no MERGE São Paulo 2026, evento que ocorre nos dias 18 e 19 de março, no World Trade Center, em São Paulo, reunindo representantes de bancos, reguladores, empresas de tecnologia e participantes do mercado cripto.

Nos últimos anos, bancos centrais, instituições financeiras e provedores de infraestrutura passaram a incluir ativos digitais em suas agendas estratégicas. O que antes era tratado como um campo experimental passou a integrar discussões regulatórias, iniciativas tecnológicas e projetos relacionados a infraestrutura financeira baseada em blockchain.

A programação do evento prevê conferências, painéis e sessões de networking com mais de 300 palestrantes e cerca de 40 expositores. Entre os temas debatidos estão tokenização de ativos do mundo real, stablecoins, identidade digital, finanças descentralizadas e regulação de ativos digitais.

Representantes do Banco Central do Brasil, do Banco Central do Uruguai e do Banco Central do Chile, além de autoridades regulatórias da Argentina e de El Salvador, devem participar das discussões. A presença dessas instituições reflete o crescente envolvimento de reguladores no desenvolvimento de estruturas legais e operacionais para o setor.

Entre os participantes do sistema financeiro, executivos de instituições como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, Banco do Brasil, Banco BV e BNDES vêm acompanhando ou desenvolvendo iniciativas relacionadas a blockchain, tokenização e custódia de ativos digitais. A B3, operadora da bolsa brasileira, também avalia aplicações de registros distribuídos no mercado de capitais.

Regulamentação no Brasil

O avanço regulatório no Brasil tem sido citado por empresas do setor como um fator relevante para a expansão de operações. Nos últimos anos, mudanças na legislação e iniciativas conduzidas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários contribuíram para aumentar a previsibilidade jurídica para empresas que atuam com ativos digitais.

Executivos de empresas internacionais de infraestrutura cripto, como BitGo, Kraken, B2C2 e Crypto Finance Group, também têm destacado o mercado brasileiro como estratégico dentro da expansão do setor na América Latina. Entre os fatores apontados estão o tamanho do mercado financeiro local, a adoção crescente de criptoativos pela população e o desenvolvimento de iniciativas regulatórias.

De acordo com dados de adoção global de criptomoedas, o Brasil aparece entre os países com maior uso de ativos digitais, impulsionado principalmente pelo varejo e pelo uso de stablecoins. Nos últimos anos, porém, instituições financeiras e gestores de ativos passaram a demonstrar maior interesse em explorar aplicações institucionais dessas tecnologias.

Adoção das criptomoedas

Na América Latina, a adoção de criptomoedas foi historicamente associada a fatores como volatilidade cambial, remessas internacionais e inclusão financeira. Atualmente, analistas apontam que o foco começa a migrar também para infraestrutura financeira, tokenização e integração com mercados de capitais.

Nesse contexto, São Paulo tem sido apontada como um dos principais polos financeiros da região para discussões sobre ativos digitais. O debate atual tende a se concentrar menos na ideia de substituição do sistema financeiro tradicional e mais na integração entre infraestrutura bancária, tecnologia blockchain e novos modelos de ativos digitais.

Com o avanço da regulação e o envolvimento crescente de instituições financeiras, especialistas avaliam que o mercado brasileiro pode entrar em uma fase de maior participação institucional, na qual os ativos digitais passam a ocupar um papel mais estruturado dentro do sistema financeiro.

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