A Mastercard registrou uma patente para um método de anonimizar transações em um blockchain, de acordo com um pedido publicado pelo Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO) em 9 de dezembro.
O documento descreve que "o uso de um ou mais endereços intermediários para obscurecer a origem e o destino dos fundos em uma transação blockchain" pode ser usado para "aumentar o anonimato das entidades associadas aos endereços blockchain". A solução técnica proposta implicaria uma série de "solicitações de anonimização" projetadas para fazer as transações em si anônimas, em vez de apenas o usuário por trás de qualquer carteira individual.
Isso resultaria em mostrar o usuário somente transferindo fundos e recebendo fundos de um pequeno número de endereços que também estão envolvidos em um volume significativamente grande de transações com vários outros usuários, tornando os dados inócuos. "Análise da carteira, sugere a Mastercard, portanto, renderia "pouca ou nenhuma informação" sobre o usuário por trás da carteira.
Como contexto, a Mastercard observa que enquanto muitos "estão mudando" para várias criptomoedas baseadas em blockchain, como o Bitcoin (BTC), para o "alto nível" de anonimato que eles podem fornecer, "a natureza do blockchain como um livro-razão imutável é de tal forma que cada transação pode "- em última análise -" ser rastreada e seguida até o bloco da gênese".
A Mastercard sugere que este fato "vai à direção contrária do objetivo principal de muitos usuários em usar blockchain: o anonimato.” Dados de blockchain podem, uma vez acumulados e analisados, "eventualmente revelar o usuário por trás de uma carteira ou pelo menos fornecer informações sobre eles, como localização geográfica, interesses, hábitos de consumo, etc." O pedido de patente também sugere que:
"As comunicações existentes e a estrutura de atribuição da tecnologia blockchain, como o Bitcoin, exigem a identificação de onde as transações estão sendo emitidas e terminadas, a fim de manter o livro-razão. Isso cria um problema técnico de interesses conflitantes dentro da tecnologia".
A Mastercard não é de modo algum a primeira a lidar com as limitações do anonimato dentro dos sistemas blockchain; dois altcoins focados em privacidade de alto perfil, o Zcash (ZEC) e o Monero (XMR), foram projetados com preocupações semelhantes em mente.
O ZEC usa a tecnologia prova de conhecimento zero (ZKP), um algoritmo alternativo para autenticar as entradas do livro-razão distribuído, no qual as partes envolvidas fornecem provas de validade, mas todas as outras informações permanecem criptografadas, incluindo suas identidades. O Monero, por sua vez, usa endereços furtivos para mascarar identidades, permitindo que um remetente crie um endereço único aleatório baseado no endereço publicado do destinatário da transação.