Apesar dos novos desenvolvimentos no espaço dos ativos digitais, como o lançamento de fundos de índice negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista, o CEO da Ledger, Pascal Gauthier, acredita que a autocustódia ainda é o ponto central das criptomoedas.

Durante o evento Blockchain Life em Dubai, Gauthier disse ao Cointelegraph, em uma entrevista, que, embora as exchanges e os ETFs tenham seu próprio papel dentro do espaço, a autocustódia ainda é o ponto principal das criptomoedas. Ele afirmou:

“Se não for autocustódia, por que criptomoedas? Não há criptomoedas sem autogestão, então é um ponto um pouco irrelevante se todas as moedas forem para um ETF ou uma exchange. Não há criptomoedas.”

Gauthier também destacou que o white paper do Bitcoin descreveu o ativo como um sistema de pagamento peer-to-peer. “É peer-to-peer; não é banco para banco. É para remover o intermediário”, argumentou o executivo.

Gauthier no palco do evento Blockchain Life em Dubai. Fonte: Cointelegraph

CEO da Ledger sobre por que as carteiras físicas precisam evoluir

Além da autocustódia, o CEO da Ledger também falou sobre a necessidade de as carteiras físicas evoluírem para acompanhar os novos desenvolvimentos no espaço.

Gauthier disse ao Cointelegraph que, assim como os celulares, as carteiras físicas continuarão evoluindo. Ele explicou:

“A razão pela qual elas precisam evoluir é porque o cripto nunca dorme. Existem as layer-2s, e uma camada de aplicativos está sendo construída agora em cima das blockchains públicas. E, portanto, sua carteira física terá que ser cada vez mais sofisticada.”

Gauthier destacou que a Ledger também está avançando para garantir não apenas criptomoedas, mas também a vida na internet. “Seu Ledger será seu dispositivo de segurança para proteger seus segredos, sejam eles segredos de criptomoedas ou apenas segredos da internet online,” explicou.

Em 26 de julho, a Ledger lançou seu novo produto Ledger Flex. Na época, Gauthier disse que esses produtos têm as “únicas telas sensíveis ao toque seguras do mundo.”

Por que o espaço precisa se afastar das assinaturas cegas

Em 21 de agosto, uma baleia cripto perdeu US$ 55 milhões após assinar uma transação que alterou a propriedade de suas stablecoins no protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) Maker. A transação assinada permitiu que atores maliciosos tivessem acesso aos fundos.

Incidentes como esse destacam a necessidade de melhor segurança dentro do ecossistema cripto. Segundo Gauthier, a Ledger defende a assinatura clara e incentiva a comunidade a evitar assinar transações cegamente.

Ele explicou por que os novos produtos da Ledger têm telas maiores:

“Assinatura clara é uma grande iniciativa. É por isso que esses produtos, Ledger Stax e Ledger Flex, têm telas maiores; você precisa ver o que está assinando em uma tela segura.”

Gauthier acredita que a indústria deve se afastar das assinaturas cegas e disse que fizeram parcerias com entidades para promover e educar o espaço sobre a assinatura clara.

“Assinatura cega é algo que todo mundo faz na indústria, mas é loucura porque é como assinar cheques em branco online,” acrescentou.