Uma ação coletiva foi aberta por empresas ligadas à criptoeconomia na Austrália contra grandes redes sociais, devido ao banimento de anúncios sobre criptomoedas das plataformas do Google, Facebook e Twitter.

As perdas calculadas no processo que podem custar US$ 300 bilhões aos gigantes das redes sociais. Só a partir deste montante podemos inferir o tamanho do estrago sobre o mercado de criptoativo em geral. Os autores dizem que seus negócios foram prejudicados pelo Google, Facebook e Twitter, que proibiram anúncios de criptografia em suas plataformas.

O banimento aconteceu em épocas diferentes, mas tudo aconteceu em torno do ano de 2017, durante o boom das ICO, o que em grande medida não deu muita margem para defesa, já que a maioria das campanhas estavam ligadas a projetos que não vingaram. Porém, toda a criptoeconomia pagou o mesmo preço por isso.

De acordo com a ação protocolada na justiça australiana, a queda dos negócios da exchanges australianas foi da ordem de 60 a 90%. O JPB Liberty,escritório que representa as partes e ajuizou a ação, acrescentou que os três gigantes das mídias sociais juntos "controlam uma porcentagem muito grande do mercado de publicidade online (mais de 66% da receita de anúncios digitais dos EUA em 2018 e mais de 80% da receita de anúncios de mídia social)".

A proibição de suas plataformas - incluindo Google, Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp e Youtube - prejudicou gravemente a maneira como as empresas de criptografia adquiriam clientes.

O marketing e a adoção em torno das criptomoedas sofreram fortemente nas semanas seguintes ao banimento. 

Após um breve período sendo negociado a US$10.000 depois da bull run de 2017, o Bitcoin afundou mais de US$1.000 após o anúncio do Google em março de 2018 de que proibiria os anúncios relacionados às ICO até junho de 2018. Após esse anúncio, apesar de algumas pequenas subidas entre US$ 8.100 e US$ 8.500, o preço caiu para um mínimo de US$7.600 depois do anúncio do Twitter de que começaria a proibir os anúncios ligados à criptoeconomia. 

Efeitos nas exchanges brasileiras

Não há dados precisos sobre o efeito do banimento dos anúncios na criptoeconomia no Brasil. O mercado ainda estava muito aquecido no período, tendo gozado de ampla publicidade nos meios de comunicação tradicionais por conta do rali do Bitcoin no final de 2017 e início de 2018. A Foxbit por exemplo, era manchete nos jornais, pois não dava conta de tantos cadastros de clientes.

Em conversa com Tasso Lago, da Financial Move e Daniel Coquieri, CEO da Bitcointrade, ambos relembram que sofreram pouco com o banimento, pois seu Custo de Aquisição de Clientes (CAC) na época não era muito alto, pois utilizavam canais secundários para obtenção de clientes, tais como blogs oficiais e canais no Telegram. Tasso, para contornar a proibição de anúncios, passou a classificar seus produtos financeiros como educacionais e não mais como financeiros.

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