O Bitcoin (BTC) caminha para o fim de fevereiro em novas mínimas locais, enquanto as metas de preço em US$ 50.000 seguem no radar.
Vendedores de Bitcoin aumentam a pressão no fechamento semanal, com consenso de que as recuperações acabam falhando.
Geopolítica e preocupações com a inflação pesam sobre os ativos globais, com tarifas prejudicando o sentimento.
Baleias do Bitcoin dominam os fluxos para exchanges, aumentando as expectativas de um retorno à faixa dos US$ 60.000.
O comportamento do preço do BTC continua a copiar o mercado de baixa de 2022, segundo dados on-chain.
O sentimento do mercado cripto atinge mínimas históricas, com o Índice de Medo e Ganância Cripto chegando a apenas 5/100.
O Bitcoin cai abaixo de US$ 65.000 no fechamento semanal
O Bitcoin enfrentou pressão vendedora imediata no fechamento semanal de domingo, levando o preço abaixo de US$ 65.000 antes de uma recuperação modesta.
Dados do TradingView apontam a mínima local mais recente em US$ 64.258 na Bitstamp, com o BTC/USD ainda em queda de quase 3% no momento da publicação.

A conta de trading Castillo Trading mostrou otimismo de que essas mínimas possam formar uma boa entrada compradora. Segundo publicação de segunda-feira, o Bitcoin revisitou seu naked point-of-control (nPOC), uma área recente de alto volume que ainda não havia sido retestada.
O nPOC em US$ 64.979 formou um dos vários níveis-chave de preço, com o gráfico sugerindo uma recuperação até US$ 78.200.

Na sequência, o trader BitBull destacou US$ 76.000 como um possível alvo de alta antes de uma nova queda do preço do BTC.
Mantendo uma visão totalmente negativa, o trader Roman segue esperando novas mínimas macro, atualmente na região dos US$ 50.000.
“O aumento do volume enquanto o preço cai é a definição de uma forte ação de preço de baixa”, disse ele aos seguidores no X na segunda-feira.
“Devemos esperar que a tendência continue para baixo, especialmente para a área de 50 mil a 52 mil dólares. Provavelmente haverá um repique ali, mas no fim espero níveis ainda mais baixos.”

Os dados mais recentes da plataforma de monitoramento CoinGlass confirmaram que as liquidações no mercado cripto seguem elevadas, mantendo o padrão das últimas semanas. Elas totalizaram quase US$ 500 milhões nas 24 horas anteriores ao momento da publicação.
Mercados “em alerta” com tarifas e geopolítica
Uma combinação de tensões geopolíticas e preocupações com a inflação deve criar condições incertas para criptoativos e ativos de risco nesta semana.
As tensões envolvendo o Irã servem de pano de fundo enquanto os mercados reagem às novas tarifas comerciais globais anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Depois que a Suprema Corte considerou ilegais algumas medidas tarifárias na semana passada, Trump prometeu reagir, e os futuros das ações dos EUA começaram a semana em queda após a notícia de uma substituição de 15%.
“Temos uma semana movimentada pela frente”, afirmou a publicação The Kobeissi Letter no X, descrevendo os mercados como “em alerta”.
O Bitcoin sofreu pressão semelhante, mantendo-se pressionado até a abertura de Wall Street na segunda-feira, o que levou a alertas para novas mínimas.
“É possível que, nos próximos dois fins de semana, o conflito entre EUA e Irã se intensifique como uma forma de desviar a atenção da decisão da Suprema Corte que declarou ilegais as tarifas anteriores. Incerteza negativa”, escreveu o trader CrypNuevo em uma thread no X sobre a ação de preço do BTC.
CrypNuevo argumentou que o BTC/USD deveria tentar “preencher” o pavio do candle diário abaixo de US$ 60.000 formado no início de fevereiro.
“Acho que o preço pode chegar a US$ 61 mil nas próximas 2 a 3 semanas (-10%)”, afirmou.

Mais tarde nesta semana, será divulgado o Índice de Preços ao Produtor (PPI) referente a janeiro, após dois meses consecutivos com resultados acima do esperado.
Como reportado pelo Cointelegraph, o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) divulgado na semana passada também mostrou aceleração da inflação.
“Um relatório-chave sobre inflação ao consumidor mostrou que o indicador preferido do Fed continua bem acima da meta e acelerou no ritmo mais forte desde fevereiro passado”, comentou a Mosaic Asset Company na edição mais recente da newsletter The Market Mosaic.
“A alta dos índices de commodities ameaça gerar pressão adicional sobre a inflação.”
Fluxos de baleias aumentam risco de “vendas significativas”
As baleias do Bitcoin seguem dispostas a vender nos níveis atuais, segundo nova análise sobre fluxos para exchanges.
Em publicação no blog Quicktake da plataforma de análise on-chain CryptoQuant, o colaborador GugaOnChain revelou que as baleias continuam enviando grandes quantidades de BTC para exchanges.
Os fluxos são dominados por baleias, com a métrica Exchange Whale Ratio da CryptoQuant atingindo 70%.
“Historicamente, níveis acima de 70% precederam movimentos significativos de venda, já que as baleias usam exchanges para realizar lucros”, escreveu GugaOnChain.
“Ao mesmo tempo, observa-se um movimento atípico: moedas antigas estão retornando às plataformas em grande volume, enquanto detentores de curto prazo continuam realizando perdas, criando um cenário híbrido de oferta que tende a empurrar o preço do Bitcoin para níveis mais baixos.”

O resultado é uma “tensão estratégica”, vendedores dispostos e aumento da oferta disponível de BTC, com poucos compradores entrando para absorver essa pressão.
GugaOnChain prevê uma “limpeza iminente rumo ao suporte imediato do BTC na região dos US$ 60.000”.
“Com a oferta em alta, a cautela é necessária”, concluiu.
Roteiro do mercado de baixa de 2022 segue em jogo
À medida que aumentam as comparações com o mercado de baixa de 2022, uma métrica importante do preço do BTC acende o alerta.
A análise da CryptoQuant sobre o preço médio ponderado por volume ancorado (AVWAP) agora aponta uma “confluência negativa” entre preço e dados on-chain.
Durante a queda do Bitcoin no início de fevereiro, o ativo fechou abaixo do AVWAP, o nível de preço com maior volume médio desde o último halving da recompensa de bloco, em 2024.
“A última vez que uma confluência negativa semelhante foi observada após uma máxima histórica foi em maio de 2022”, destacou o colaborador Facundo Fama.
Um gráfico associado mostrou um dos indicadores proprietários da CryptoQuant, que mede o crescimento do valor de mercado do Bitcoin em relação ao valor realizado. Atualmente, ele permanece profundamente em território de mercado de baixa.

Anteriormente, o Cointelegraph já havia destacado vários níveis de preço realizado que agora estão no radar enquanto o BTC/USD tenta encontrar seu próximo fundo de longo prazo.
Sentimento cripto iguala mínimas históricas
O preço do Bitcoin pode ainda não estar nas mínimas de 15 meses vistas no início do mês, mas a sensação de pessimismo permanece extremamente forte.
Isso se reflete nas leituras mais recentes do Índice de Medo e Ganância Cripto, um clássico indicador de sentimento do mercado que continua divergindo do equivalente do TradFi.
O índice caiu para apenas 5/100 na segunda-feira, representando “medo extremo” e igualando os níveis mais baixos já registrados.
“As pessoas desistiram”, reagiu o analista independente Cryptoinsightuk no X.
“Eu nunca tinha visto um 5 no índice de Medo e Ganância antes do último mês. Agora já vi várias vezes.”

O trader e investidor pseudônimo BitcoinHyper acrescentou que o mercado cripto já passou mais tempo na zona de “medo extremo” do que em qualquer momento desde o mercado de baixa de 2022.
Crypto Fear & Greed Index has been in extreme fear for nearly 3 weeks
— BitcoinHyper (@BitcoinHypers) February 20, 2026
It hasn’t stayed this low for this long since 2022 pic.twitter.com/JjRI8UEkZs
O Índice de Medo e Ganância tradicional, que acompanha ações, está atualmente em território de “medo”, em 43/100. Quando o sentimento cripto atingiu 5/100 pela primeira vez, o índice tradicional chegou a 33/100 antes de se recuperar.
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