O Bitcoin começou o mês de novembro 'de resseca' do tombo para US$ 69 mil após duas tentativas frustradas de romper com o nível de US$ 73 mil e iniciar uma nova alta históricas.

Segundo Beto Fernandes, analista da Foxbit, além da realização de lucros por parte do mercado, o comportamento mais corretivo hoje também seguiu a tensão dos investidores em relação aos dados de payroll e das eleições norte-americanas. Segundo ele, se o mercado de trabalho permanece desaquecido e sugere "pavimentar" mais cortes de juros à frente, o cenário eleitoral ainda vai gerar muitos ruídos até a próxima semana.

Para Fernandes, esse "freio" na alta de preços também combinou com uma queda na demanda. Os ETFs de Bitcoin à vista, que viram mais de US$ 3 bilhões em fluxos nas últimas semanas, viram uma entrada bastante tímida de US$ 32 milhões ontem. Isso não quer dizer que o ímpeto de compras acabou, mas, talvez, que os investidores estão esperando sinais mais claros de que a compra pode continuar sendo feita.

"Até o fim do processo eleitoral, provavelmente o mercado vai passar por outras ondas de volatilidade. E isto pode ser visto por alguns como oportunidade para vender ou acumular ainda mais a criptomoeda", disse.

Fábio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, destaca que a próxima semana será extremamente movimentada para os mercados devido às eleições americanas na terça-feira e à reunião do Fed nos dois dias seguintes.

"O resultado das eleições será importante na redução da aversão ao risco e no fortalecimento das tratativas em direção a um cenário regulatório mais claro, enquanto a reunião do Fed deverá confirmar um novo corte na taxa de juros, medida favorável ao mercado cripto. Esses fatores, combinados a um cenário macroeconômico melhor, nos fazem confiantes na nossa visão de longo prazo de que os próximos meses serão promissores para o setor", disse.

Saindo do cenário macroeconômico e olhando para os gráficos, o analista conhecido como Bluntz destacou que a recente queda, ao invés de sinalizar um alerta, configura uma correção natural dentro de um padrão de três ondas da Teoria de Elliott.

Segundo o analista, essa correção prepara o Bitcoin para um possível novo recorde, próximo de US$ 80.000, que pode ocorrer nos primeiros dias de novembro. O analista Kaleo, por sua vez, acredita que o movimento do Bitcoin segue em linha com o ciclo de alta de 2020, quando o preço recuou antes de alcançar uma nova máxima histórica.

Para Kaleo, o cenário atual do Bitcoin possui uma forte correlação com o ouro, que também está em trajetória ascendente. Ele sugere que, assim como o ouro, o Bitcoin pode se valorizar consideravelmente nos próximos anos, afirmando que um aumento gradual e sustentado traria estabilidade e confiança para o ativo.

Já Pauline Shangett, CMO da ChangeNOW afirma que se o BTC continuar seu declínio e fechar abaixo do nível de US$ 69.500, ele poderá estender sua queda em mais de 5% para testar novamente seu próximo nível de suporte chave em US$ 66 mil.

"No entanto, se o Bitcoin se mantiver acima do nível de US$ 69.500, ele poderá tentar novamente testar e romper sua máxima histórica de US$ 73.777", aponta.

'Vela de Deus' para 2 altcoins

Enquanto o movimento do Bitcoin permanece incerto, Bluntz, mostra-se entusiasmado com o potencial de valorização do PYTH, o que ele chama de “vela de Deus” — um movimento abrupto e poderoso de alta.

Bluntz aponta que o token, atualmente negociado a US$ 0,399, acumulou um padrão de alta sólida ao longo de três meses. Para ele, o rompimento da resistência de US$ 0,50 poderia levar o ativo a novos patamares.

“Solana está para começar a receber mais atenção, e isso impulsionará o PYTH para uma forte alta,” afirma o analista.

O analista também defende que a Dogecoin ainda possui potencial de valorização, após um período de acumulação de mais de dois anos. A trajetória de acumulação indica um cenário promissor para a altcoin. Para ele, aqueles que se mantiverem firmes nessa posição poderão colher bons frutos em um futuro próximo.

"Muitos vão sucumbir e vender DOGE muito cedo, apesar de terem entrado nesses níveis baixos. Isso é consequência de 874 dias de acumulação, recondicione seu cérebro, acredite em alguma coisa", aconselha.

Além disso, Arthur Hayes, fundador da BitMEX, reforça essa visão ao preferir a Solana em vez de Ethereum para operações de curto prazo. Hayes argumenta que, devido ao "alto beta" — a volatilidade — da Solana em comparação com o Bitcoin, o token tende a oferecer maiores oportunidades de ganho no atual momento de mercado.

“Isso não quer dizer que vou vender qualquer parte do meu ETH, que tem uma posição central muito longa. É que Solana é um veículo de negociação melhor agora, dada a participação mental que tem entre si", disse.