A Franklin Templeton alterou dois fundos do mercado monetário institucional (MMFs) da Western Asset para se conectar diretamente ao regime emergente de stablecoins nos EUA e à infraestrutura de dinheiro tokenizado, em vez de lançar novos produtos nativos de criptomoedas.
De acordo com um comunicado compartilhado com o Cointelegraph, a Franklin Templeton está adaptando os dois tradicionais fundos institucionais da Western Asset para que possam ser usados de forma mais direta em estruturas de reserva de stablecoins alinhadas à Lei GENIUS e em canais de distribuição viabilizados por blockchain, sem alterar seu status como MMFs 2a-7 registrados na Comissão de Valores Mobiliários.
As mudanças foram projetadas para permitir que os fundos atuem como colateral regulamentado e lastreado pelo governo para stablecoins de pagamento e outros usos de dinheiro tokenizado, sem modificar seu status regulatório principal.

Adaptando os MMFs para reservas de stablecoins prontas para a GENIUS
O Western Asset Institutional Treasury Obligations Fund (LUIXX), da Franklin Templeton, investe exclusivamente em obrigações de curto prazo do governo dos EUA e foi estruturado para ser compatível com os requisitos de reserva da Lei GENIUS, posicionando-se como uma infraestrutura pronta para uso em tesourarias de stablecoins de pagamento e emissores no modelo de bancos que precisam de colateral registrado na SEC e composto apenas por ativos governamentais.
Já o Western Asset Institutional Treasury Reserves Fund (DIGXX), por sua vez, adicionou uma classe de cotas “Digital Institutional” com suporte de blockchain sobre sua estrutura 2a-7 existente, com o objetivo de torná-lo utilizável como colateral 24/7 e on-chain, além de gestão de caixa para plataformas de tokenização, custodiantes e corretoras que desejam trilhos digitais sem migrar para um veículo não registrado.
Como a Franklin Templeton vê a aposta em stablecoins
Roger Bayston, chefe de ativos digitais da Franklin Templeton, disse ao Cointelegraph que a empresa espera que as reservas de stablecoins sejam geridas “tanto em forma tokenizada quanto de forma mais tradicional”, e vê espaço tanto para mandatos exclusivos quanto para mandatos com múltiplos gestores, à medida que mais instituições financeiras lançam seus próprios tokens.
Ele afirmou que vários “produtos importantes no mercado de stablecoins” são “lastreados por emissões tradicionais de curto prazo e alta qualidade por meio de estruturas de produto que não são nativamente digitais”, incluindo a stablecoin FRNT, lançada recentemente no estado de Wyoming, e que a empresa vê oportunidades de ajudar parceiros desse tipo por meio de sua expertise em gestão de investimentos.
O papel da Franklin Templeton, segundo ele, é gerenciar reservas “no modelo de produto que [os clientes] preferirem”, seja por meio de portfólios sob medida ou de fundos mútuos abertos.
Por que adaptar em vez de lançar novos fundos?
Bayston classificou as alterações como incrementais, e não experimentais, observando que o fundo institucional de títulos do Tesouro da Western Asset só precisou de “ajustes relativamente pequenos” para se encaixar na estrutura da GENIUS e complementar os produtos on-chain que a Franklin Templeton já oferece.
Na visão dele, muitos clientes grandes ainda querem estruturas familiares e registradas na SEC sob a regra 2a-7 conforme se conectam a sistemas de distribuição e colateral on-chain, então a empresa está expandindo uma camada digital por uma “suíte” mais ampla de liquidez, em vez de forçar a migração para novos veículos.
Em vez de vincular a nova classe digital a uma única plataforma de colateral ou tokenização, a Franklin Templeton planeja oferecer acesso por meio de vários “parceiros confiáveis”, conforme bancos, corretoras e outros intermediários lançam suas próprias interfaces habilitadas por blockchain.
Outras gestoras adotando estratégias semelhantes
A Franklin Templeton não está sozinha ao reposicionar fundos do mercado monetário para reservas de stablecoins sob a Lei GENIUS.
A BlackRock anunciou planos para modificar um fundo do mercado monetário de títulos do Tesouro em outubro de 2025, com o objetivo de servir como um ativo de reserva autorizado para emissores de stablecoins nos EUA, restringindo seu mandato de investimento a títulos do Tesouro de curto prazo e operações compromissadas overnight (financiamento de curto prazo com garantia), para se alinhar ao novo arcabouço federal.
A BlackRock já estava gerenciando um MMF governamental sob medida para as reservas de USDC da Circle, à medida que grandes gestoras de ativos passam a enxergar fundos de caixa regulamentados como trilhos de retaguarda para dólares tokenizados, e não apenas como produtos de caixa para o varejo.

