O Bitcoin Policy Institute (BPI), a Fedi e a Universidade Cornell estão lançando um estudo de dois anos sobre como os americanos enxergam a privacidade financeira, quais concessões estão dispostos a aceitar e como a regulamentação molda seu comportamento.
A iniciativa reúne uma empresa de carteira de Bitcoin (BTC), um centro acadêmico e um think tank de políticas públicas, com o objetivo de conectar como as ferramentas de privacidade são desenvolvidas, pesquisadas e, por fim, governadas.
Segundo a Fedi e o BPI, a pesquisa combinará levantamentos quantitativos com entrevistas qualitativas para analisar as atitudes em relação à privacidade financeira e sua evolução.
O Brooks School Tech Policy Institute, de Cornell, participa como parceiro acadêmico, enquanto a Fedi contribui com insights sobre produto e comportamento de usuários e o BPI foca em políticas públicas e comunicação.
O projeto de dois anos dará atenção especial a como os americanos pensam sobre privacidade em transações do dia a dia e sua confiança nas instituições, com quatro relatórios semestrais, sendo o primeiro divulgado em abril de 2026, com o objetivo de levar evidências empíricas ao debate político e ao ambiente regulatório enfrentado por desenvolvedores.

Crescente preocupação com o uso de dados
A preocupação do público com a coleta de dados está aumentando. Uma pesquisa do Pew Research Center de 2023 constatou que 71% dos adultos dos EUA estavam muito ou relativamente preocupados com a forma como o governo utilizava os dados que coletava sobre eles, acima de 64% em 2019. Cerca de dois terços disseram que entendiam pouco ou nada sobre o que as empresas faziam com seus dados pessoais.
Ao mesmo tempo, governos ao redor do mundo estão explorando iniciativas como moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e estruturas de identidade digital que podem ampliar a visibilidade oficial sobre pagamentos e atividades online, alimentando um debate mais amplo sobre se a privacidade financeira deve ser preservada, redesenhada ou limitada na era digital.
Ambiente para desenvolvedores e ferramentas de privacidade
No setor cripto, o ambiente político para ferramentas de código aberto e de reforço à privacidade se tornou mais rígido.
Autoridades dos EUA abriram casos criminais contra desenvolvedores de serviços não custodiais, como a Samourai Wallet e o Tornado Cash, alegando que eles operavam empresas de transmissão de dinheiro sem licença e ajudavam a movimentar fundos ilícitos por meio de seus softwares.
Em ambos os casos, os desenvolvedores enfrentaram acusações criminais, condenações em processos relacionados ou responsabilidade legal em andamento.
Os casos levantaram temores de que apenas publicar ou manter código focado em privacidade possa ser tratado como crime, mesmo quando os desenvolvedores não controlam diretamente os fundos dos usuários.
Projeto de lei de estrutura de mercado e desenvolvedores de DeFi
Em Washington, o projeto de lei sobre estrutura de mercado cripto em discussão se tornou um campo de disputa importante sobre o futuro de desenvolvedores e das finanças descentralizadas (DeFi).
Organizações do setor, incluindo o DeFi Education Fund, pediram aos legisladores “proteções robustas e nacionais” para desenvolvedores de software e infraestrutura não custodial, alertando que obrigações vagas poderiam empurrar construtores para fora do país ou forçá-los a assumir papéis de intermediários financeiros tradicionais.
Jake Chervinsky, diretor jurídico da Variant, descreveu a DeFi como sua “linha vermelha” no debate sobre estrutura de mercado, argumentando que o projeto deve proteger desenvolvedores de DeFi e alertando que, sem salvaguardas claras, um regulador futuro ainda poderia tentar “matar a DeFi” nos Estados Unidos.
O Cointelegraph entrou em contato com o Bitcoin Policy Institute para comentários adicionais, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.

