Um dos criadores da criptomoeda-meme Dogecoin (DOGE), Jackson Palmer, anunciou que está abandonando de vez o mercado de criptomoedas e não poupou críticas ao ecossistema.

Palmer publicou uma thread no Twitter para explicar sua decisão e ligou o mercado de criptomoedas a um "cartel poderoso de figuras milionárias que evoluíram para incorporar muitas das mesmas instituições vinculadas ao sistema financeiro centralizado existente que supostamente pretendiam substituir".

Segundo o desenvolvedor, as criptomoedas "são uma tecnologia hipercapitalista inerentemente de direita, desenvolvida para ampliar a riqueza de seus players através de evasão fiscal, supervisão regulatória reduzida e escassez artificialmente aplicada":

Ainda na mesma sequência de tweets, ele diz que as criptomoedas amplificaram "as piores partes do sistema capitalista atual", citando corrupção, fraude e desigualdade, limitando tecnicamente o controle das autoridades e expondo a população a golpes e exploração.

E ele continua, dizendo que se o usuário perder seu password ou cair em um golpe, a culpa sempre é da vítima, mas quando bilionários manipulam o mercado, o ecossistema aceita e defende que são ações genuínas. Para ele, um debade de boa fé no criptomercado é "quase impossível". E conclui:

"Por essas razões, simplesmente não vou desviar mais do meu caminho para me envolver em discussões públicas sobre criptomoedas. Elas não se alinham com minha visão política ou sistema de crenças, e não tenho energia para discutir com aqueles que não estão dispostos a ter uma conversa bem fundamentada."

Não é a primeira vez que Jackson se afasta do mercado de criptomoedas. Em 2015 ele disse que estava tirando uma "licença prolongada" do "mundo tóxico" das criptomoedas e em 2018 revelou que nunca lucrou com o desenvolvimento do DOGE.

Reações no mercado

Como era de se esperar, o mercado não reagiu bem às declarações de Jackson Palmer. O site de tecnologia Mashable escreveu que o desabafo foi um "balde de água fria do tamanho de um Shiba Inu (o cachorro-símbolo do DOGE) no mercado de criptomoedas".

O CEO da ShapeShift, Erik Voorhees, também foi ao Twitter comentar os posts:

"Jackson Palmer pensa que "direita" e "hiper-capitalista" pertencem à mesma frase. Os direitistas são estatistas, nacionalistas e muitas vezes socialistas (o milho financia alguém?). Não são capitalistas. Palmer está correto ao dizer que as criptomoedas são hiper-capitalistas (também conhecida como voluntárias)."

Já o entusiasta do criptomercado Peter McCormack, do podcast What Bitcoin Did, preferiu responder com um meme:

Já o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, rebateu as declarações com uma thread:

Tudo depende da sua perspectiva... se você acredita que o governo deve ser a solução para os problemas das pessoas, então o sistema fiduciário com seus "controles" têm muito a oferecer. Se você acredita que as soluções governamentais geralmente são ineficientes, prometem demais, entregam de maneira insuficiente e trazem consequências indesejadas, e que a responsabilidade pessoal misturada com o livre mercado criará melhores resultados para todos, então as criptomoedas são uma lufada de ar fresco muito necessária. As criptomoedas não vão resolver a desigualdade de riqueza - e não está tentando criar o mesmo resultado para todos. Mas cria mobilidade de riqueza e mais igualdade de oportunidades para todos. Nivela o campo de jogo, pelo menos até certo ponto.

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