A ilha de Cuba está estudando a implementação da tecnologia blockchain na indústria do turismo e da saúde do país. A informação é da rede de notícias do país e jornal diário Victoria nesta segunda-feira, 30 de setembro.

Segundo o texto, o governo cubano está analisando uma possível parceria com a empresa de softwares nacional Softel para gestão e compartilhamento dos dados médicos entre diferentes instutuições do país. O turismo também pode passar por um processo de "tokenização", diz a matéria.

Na matéria, um dos defensores da adoção da tecnologia em Cuba, o professor doutor Alexi Massó Muñoz, diz que as blockchains privadas seriam mais adequadas à realidade cubana, por oferecerem um potencial de aplicação mais adequado às necessidades do país:

"Estimamos que elas seriam mais adequadas ao cenário cubano, para criar as potenciais aplicações que atendam à necessidade específica de dentro do país."

Cuba ainda sofre com o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, o que também acaba por estimular a adoção de criptomoedas pelos cidadãos do país.

Segundo o professor, a adoção de blockchain nos mais variados setores da ilha dependerá também de um marco regulatório e da capacitação jurídica para que a tecnologia seja adotada com segurança. A Sociedade Cubana de Direito e o setor de informática da União de Juristas de Cuba já estariam em negociação para trabalhar na elaboração da regulação.

Ele também diz que o turismo e a saúde são duas indústrias com grande capacidade de tokenização:

"Tenham em conta a quantidade de atores envolvidos [no turismo]: transporte, agências de viagem, hotéis, restaurantes, artistas, subadministradores estatais e privados. É impossível que eles possam desenvolver aplicações centralizadas. Pensem na verdadeira cadeia de produção e de serviços que a o uso de blockchain pode nos trazer na 'indústria do ócio.'"

O controle de medicamentos também pode entrar na iniciativa, com todas as pontas da cadeia registradas na blockchain, como receitas, registro de controle de farmácias e atores envolvidos participando da blockchain.

"A blockchain e seus contratos podem controlar essa funcionalidade, assim como seus atores: provedores, médicos, pacientes, hospitais, policlínicos, consultórios, farmácias. Tudo registrado e perfeitamente auditável."

Conforme noticiou o Cointelegraph, os cidadãos de Cuba recentemente têm aderido ao Bitcoin para conseguir acessar a economia global.