Resumo da notícia
Mercado cripto cai forte em fevereiro, com perdas em Bitcoin, Ethereum, XRP, BNB e Chiliz
Coinext aponta oportunidades táticas para março com ONDO, ENA, WLD, AVAX e ARB
Estratégia prioriza ativos com fundamentos sólidos e potencial de recuperação no curto prazo
Até o momento, 2026 não tem sido um ano favorável para as criptmoedas. Como aponta um relatório assinado pela equipe de Research da Coinext, liderada por Taiamã Demaman, fevereiro foi marcado por forte correção no mercado cripto, com predominância de perdas relevantes entre os principais ativos. Bitcoin (-23,6%), Ethereum (-30,6%), XRP (-25,3%), BNB (-29%) e Chiliz (-33,3%) encerraram o mês em queda, refletindo um ambiente de desalavancagem e redução de exposição ao risco.
Além disso, a queda do Bitcoin foi intensificada após o vencimento de aproximadamente US$8,5 bilhões em opções no fim de janeiro. A perda do suporte em US$81,9 mil acionou liquidações em cascata no mercado futuro, ampliando a pressão vendedora. O cenário técnico encontrou um ambiente macro mais defensivo, com investidores reduzindo exposição a ativos voláteis.
A quebra da região dos US$73 mil consolidou a deterioração de curto prazo, transformando esse nível em resistência. Sem fluxo consistente de entrada e com sentimento enfraquecido, fevereiro terminou sob cautela, priorizando a preservação de capital enquanto o mercado busca estabilização.

No entanto, os investidores devem se manter atentos para as oportunidades do mercado e, para março, a equipe de Research da Coinext adota um recorte tático, voltado a ativos com maior probabilidade de se beneficiar de repiques de curto prazo e de uma eventual reversão de tendência ao longo do semestre.
O Bitcoin ainda permanece em consolidação dentro de uma estrutura típica de mercado de baixa e, enquanto não houver a retomada consistente de níveis técnicos mais altos, o ambiente tende a favorecer movimentos rápidos e assimétricos, como short squeezes e recuperações pontuais de preço, em vez de uma alta linear e sustentada.
Nesse contexto, a análise destaca que a seleção prioriza ativos com fundamentos sólidos, boa liquidez e posicionamento relevante dentro de suas narrativas, especialmente aqueles que sofreram correções mais intensas, mas seguem entre os principais do mercado. A lógica é capturar oportunidades em projetos já estabelecidos, que tendem a reagir com maior força quando há melhora marginal do apetite por risco, funcionando como vetores iniciais de recuperação em fases ainda incertas do ciclo.
Confira as indicações
Ondo Finance (ONDO)
A Ondo Finance (ONDO) é uma plataforma dedicada à tokenização de ativos do mundo real, com foco principal em títulos do Tesouro americano e instrumentos de renda fixa. A proposta do projeto é transportar produtos financeiros tradicionais para a infraestrutura blockchain, permitindo que investidores acessem rendimentos lastreados em ativos reais de maneira digital, programável e com liquidação mais eficiente.
Ao integrar ativos regulados ao ambiente cripto, a Ondo se posiciona como uma ponte direta entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema DeFi, capturando uma das narrativas mais relevantes do atual ciclo: os chamados Real World Assets (Ativos do Mundo Real).

Essa tese ganhou força adicional com a retomada da Binance no mercado de ativos tokenizados por meio de uma parceria com a Ondo. A iniciativa passou a oferecer versões digitais de ações e ETFs americanos para negociação fora dos Estados Unidos, ampliando o acesso global a instrumentos tradicionais via blockchain. Nesse modelo, a Ondo responde pela estruturação, emissão e lastro financeiro dos ativos, enquanto a Binance atua como canal de distribuição e liquidez, conectando esses produtos a uma base massiva de usuários e validando a demanda internacional por esse tipo de solução.
Para março de 2026, estimativas do Portal Trader Unions indicam que o token ONDO deve oscilar, em média, entre US$0,23 e US$0,29, refletindo um período de consolidação após eventos recentes de desbloqueio de tokens e ajustando oferta e demanda. Esse contexto combina catalisadores estruturais, expansão de distribuição e uma narrativa macro favorável à convergência entre TradFi e blockchain. Por esses fatores, a Ondo integra a lista de ativos monitorados pela Coinext para março de 2026, como uma tese estratégica de médio prazo.
Ethena (ENA)
Ethena (ENA) é um protocolo de finanças descentralizadas que propõe uma abordagem alternativa às stablecoins tradicionais por meio da USDe, uma stablecoin sintética que não depende de reservas bancárias. Em vez disso, sua estabilidade é buscada por meio de estratégias de hedge com derivativos, especialmente posições vendidas em futuros, que compensam a volatilidade dos criptoativos usados como colateral. A proposta é criar um ativo estável nativo do ambiente cripto, menos dependente do sistema financeiro tradicional.
Além disso, o protocolo também desenvolveu o USDtb, um ativo digital atrelado ao dólar com estrutura voltada para integração regulatória e uso institucional, que busca combinar estabilidade, transparência on-chain e geração de rendimento, ampliando as possibilidades de utilização dentro do ecossistema DeFi sem depender exclusivamente de depósitos bancários tradicionais.
Desde 2025, o interesse por stablecoins voltou a crescer nos Estados Unidos, impulsionado por um ambiente regulatório mais receptivo e por discussões legislativas como o GENIUS Act, que estimularam a participação institucional nesse segmento. Nesse contexto, a Ethena aprofundou sua parceria com a Anchorage, único banco de criptoativos com licença federal no país, passando a oferecer recompensas diretas para detentores de USDtb e USDe. A possibilidade de obter rendimento sem staking ou períodos de bloqueio reduz fricções operacionais e torna o produto mais atraente para tesourarias institucionais.

No dia 26 de fevereiro, o ENA acompanhou uma pequena recuperação em algumas altcoins, com melhora nas métricas on-chain e aumento da receita do protocolo, sinalizando retomada de atividade. Dados de derivativos também mostram expansão do open interest, volume total de contratos futuros e opções em aberto que ainda não foram encerrados ou liquidados, indicando entrada de novas posições. Ainda assim, fluxos no mercado à vista revelam cautela, com realização de lucros antes de novos desbloqueios de tokens.
Para março, as estimativas do portal Traders Union indicam um cenário de elevada volatilidade para o ENA, com projeções concentradas na faixa entre US$0,0303 e US$ 0,0315, e média próxima de US$0,0309. O intervalo sugere um período de consolidação com oscilações curtas, refletindo o equilíbrio entre pressão de oferta e tentativa de recuperação técnica.
A inclusão do ativo na lista de março se fundamenta na solidez da narrativa das stablecoins sintéticas e na crescente demanda por estruturas mais eficientes e programáveis do que o modelo tradicional lastreado exclusivamente em reservas bancárias. O avanço institucional e a integração com infraestrutura regulada reforçam o potencial de adoção. Em um ambiente macro ainda em transição, protocolos que unem rendimento, liquidez e DeFi tendem a ganhar relevância estratégica.
Worldcoin (WLD)
A Worldcoin (WLD) é um projeto de identidade digital que busca criar uma forma global de comprovar que um usuário é humano na internet, por meio do sistema World ID. A verificação é feita com leitura biométrica da íris, usando o dispositivo chamado Orb, gerando uma identidade única e descentralizada. O objetivo é viabilizar aplicações como distribuição de renda digital, combate a bots e autenticação segura em serviços online e no ecossistema Web3.
A Worldcoin voltou ao radar do mercado após a OpenAI avançar no desenvolvimento de uma nova rede social baseada em proof of personhood ao final de janeiro, conceito que busca garantir que cada conta represente um ser humano real. A proposta utiliza verificação biométrica, como o World ID e o Orb, para criar um ambiente digital mais confiável, diferenciando-se das plataformas tradicionais que dependem apenas de e-mail ou telefone.

A reação do mercado foi imediata: o token chegou a subir cerca de 40% no período, acompanhado por forte aumento no volume negociado e no open interest dos derivativos, indicando entrada relevante de capital e reposicionamento de traders diante da nova narrativa.
Mais do que um movimento especulativo, o avanço reforça o posicionamento da Worldcoin como infraestrutura de identidade digital para a era da inteligência artificial, conectando autenticação humana, segurança online e novos modelos de governança digital. Trata-se de uma tese que ganha relevância à medida que o uso de IA se expande globalmente. Para março, segundo o portal Blockchain News, a Worldcoin (WLD) se encontra em uma zona decisiva, negociando próximo de US$0,41 e pressionando resistências entre US$0,43 e US$0,45, cuja superação pode abrir espaço para avanço até a faixa de US$0,50, enquanto US$0,37 atua como suporte relevante caso o mercado enfraqueça.
Avalanche (AVAX)
A Avalanche (AVAX) é uma plataforma blockchain de alta performance voltada para contratos inteligentes, DeFi e tokenização de ativos. Seu principal diferencial está na arquitetura modular baseada em múltiplas cadeias integradas, conhecidas como Subnets, que permitem a criação de redes personalizadas com alta escalabilidade, baixas taxas e maior controle operacional. O token AVAX é utilizado para pagamento de taxas, staking de segurança e participação na governança do ecossistema.
Nos últimos anos, ganhou força um novo modelo de exposição ao mercado cripto por meio de empresas de tesouraria focadas em ativos digitais, que oferecem acesso a ecossistemas blockchain via estruturas corporativas reguladas, sem exigir a compra direta de tokens. Esse movimento começou a ser aplicado à Avalanche com a criação da Avalanche Treasury Company, liderada por Bart Smith. A proposta é construir um veículo dedicado ao AVAX, explorando justamente a combinação entre eficiência típica do DeFi e compatibilidade com demandas institucionais.

O plano prevê a formação de uma tesouraria de até US$1 bilhão em AVAX. A empresa já levantou cerca de US$450 milhões em capital privado e busca expandir sua base financeira por meio de fusão com uma SPAC e acesso a instrumentos tradicionais, como emissão de ações e dívida estruturada. A ideia não é apenas acumular tokens, mas criar uma ponte regulada para investidores que desejam participar do crescimento da infraestrutura blockchain sem lidar diretamente com custódia cripto.
Esse avanço institucional foi reforçado em janeiro, quando a Avalanche ganhou seu primeiro ETF spot nos Estados Unidos, o VAVX, lançado pela VanEck na Nasdaq. O fundo oferece exposição direta ao desempenho do AVAX e às recompensas de staking, ampliando o acesso institucional por meio de um veículo familiar ao mercado tradicional.
Nesse contexto, projeções do portal Changelly indicam que o AVAX deve apresentar comportamento mais estável ao longo de março de 2026, com estimativas de preço entre US$9,16 e US$9,45 e média estimada de US$9,31. O intervalo sugere uma fase de consolidação após a forte correção observada em 2025. Com o fortalecimento de sua tese institucional, impulsionado pela criação de novos veículos de investimento, pelo aumento da demanda potencial e pelo posicionamento da rede como infraestrutura estratégica para tokenização de ativos e aplicações corporativas em blockchain, a AVAX se destaca como um ativo a ser monitorado ao longo de março de 2026.
Arbitrum (ARB)
A Arbitrum (ARB) é uma solução de segunda camada (Layer 2) do Ethereum desenvolvida para ampliar a escalabilidade da rede e reduzir custos operacionais, utilizando a tecnologia de Optimistic Rollups para processar transações fora da cadeia principal e consolidá-las posteriormente com a segurança do próprio Ethereum. Esse modelo permite execuções mais rápidas e baratas, tornando a rede uma das principais infraestruturas para aplicações DeFi, games e projetos Web3 que exigem eficiência sem abrir mão da descentralização.

Esse papel estrutural voltou a ganhar destaque com novos desenvolvimentos no ecossistema. O protocolo Ploutos, focado em mercados monetários e estratégias de rendimento alavancado, passou a operar na Arbitrum, trazendo maior atividade on-chain ao permitir empréstimos, provisão de liquidez e estratégias de yield com custos reduzidos. Ao mesmo tempo, a Robinhood anunciou o lançamento do testnet de sua própria blockchain construída sobre a Arbitrum, reforçando a escolha da rede como base para iniciativas voltadas à tokenização de ativos do mundo real (RWA) e integração com a liquidez DeFi do Ethereum. A entrada de um player tradicional nesse nível sinaliza confiança institucional na arquitetura de Layer 2 como caminho para adoção em escala.
Do ponto de vista de mercado, análises compiladas pelo portal MEXC indicam que o ARB pode passar por uma recuperação técnica em março de 2026. Após forte pressão vendedora, o token negocia próximo de US$0,10 em condição de sobrevenda, com potencial de repique para a faixa de US$0,125 a US$0,14, enquanto US$0,09 atua como suporte crítico.
Nesse contexto, a Arbitrum surge como uma escolha tática para março: um ativo de infraestrutura já consolidado, excessivamente corrigido e diretamente exposto à narrativa de escalabilidade e tokenização, que tende a reagir primeiro em movimentos de alívio e possível reversão de curto prazo.

