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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Crise na AAVE ameaça o futuro do DeFi, aponta analista brasileiro

Disputa entre Aave Labs e sua comunidade descentralizada expõe fragilidades estruturais no modelo de governança DeFi e pode estabelecer precedente para todo o setor

Crise na AAVE ameaça o futuro do DeFi, aponta analista brasileiro
Análise

Resumo da notícia

  • Aave enfrenta disputa por controle e receitas no protocolo.

  • Comunidade reage e questiona poder da Aave Labs.

  • Governança frágil aumenta incertezas sobre o token AAVE.

O protocolo Aave, uma das principais plataformas de empréstimos descentralizados do mercado cripto, atravessa uma crise de governança que coloca em evidência tensões fundamentais sobre controle, propriedade e descentralização no ecossistema DeFi.

O conflito entre a Aave Labs, entidade responsável pelo desenvolvimento do protocolo, e sua Organização Autônoma Descentralizada (DAO) escalou em 2026 e levanta questões que podem redefinir os limites de poder entre desenvolvedores e comunidades no setor.

A controvérsia teve início em dezembro de 2025, quando a Aave Labs anunciou uma parceria estratégica com a CoW Swap. Dias após o anúncio, membros da comunidade descobriram que as taxas geradas pela integração estavam sendo direcionadas para uma carteira privada controlada pela Aave Labs, e não para a tesouraria da DAO, como seria esperado em um protocolo descentralizado.

A descoberta provocou forte reação da comunidade, que classificou a movimentação como uma "privatização furtiva" de receitas estimadas em aproximadamente US$ 10 milhões anuais.

"A discussão sobre a receita foi o gatilho central de todo o debate, mas o ponto principal é que a discussão sobre a governança já foi aberta e o alerta da DAO foi acionado", afirma Diego Marques, Head de Análise do On Crypto Research.

Votação controversa durante o feriado

A tensão atingiu seu ápice quando a Aave Labs iniciou uma votação de governança durante o período de Natal, propondo mudanças no controle dos ativos da marca Aave.

O timing da proposta gerou críticas da comunidade, que questionou a legitimidade de decisões estruturais tomadas durante um período de baixa participação (algo que estamos acostumados a ver em votações na Câmara e Senado do Brasil).

Apesar da forte mobilização contrária, a proposta foi derrotada, demonstrando a capacidade de reação da DAO e sinalizando sua disposição para contestar decisões unilaterais da equipe de desenvolvimento.

A comunidade agora articula uma nova rodada de votação para resolver definitivamente a questão da propriedade dos ativos e estabelecer parâmetros claros de governança.

Em resposta à pressão da comunidade, Stani Kulechov, fundador da Aave Labs, propôs recentemente um acordo para compartilhar as receitas controversas com a DAO. Entretanto, analistas questionam se a medida resolve os problemas estruturais subjacentes.

"Uma resolução nesse sentido poderia trazer uma paz momentânea, mas as incertezas sobre a propriedade dos ativos e a personalidade jurídica da DAO continuariam no ar", explica Marques. " Trata-se de uma solução paliativa que não endereça as questões fundamentais do modelo de governança. No curto prazo, o problema deixa de ser visível, mas tende a voltar à tona."

Como isso afeta o setor de DeFi

A instabilidade na governança já começa a impactar o token AAVE e deve continuar gerando volatilidade até que uma solução estrutural seja implementada. Segundo Marques, enquanto a situação entre a DAO e a Aave Labs não for adequadamente resolvida, o token e seus investidores podem enfrentar correções ou períodos de lateralização no mercado.

"É fundamental acompanhar atentamente os próximos capítulos dessa história para entender se as incertezas serão eliminadas de vez, ou não", pontua o analista.

De acordo com ele, o desfecho desta disputa transcende os limites do protocolo Aave e pode estabelecer um precedente importante para a governança em todo o ecossistema de finanças descentralizadas.

O caso levanta questões fundamentais sobre a verdadeira natureza da descentralização, os direitos das comunidades de token holders e os limites do poder exercido por equipes de desenvolvimento em projetos que se propõem autônomos. Além disso, o caso pode servir como modelo para outros protocolos DeFi que enfrentam ou venham a enfrentar dilemas semelhantes sobre o equilíbrio de poder entre desenvolvimento centralizado e governança descentralizada.


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