Problemas econômicos incapacitantes aceleram a adoção de Bitcoin na Argentina

Toda vez que uma grande baleia em Wall Street diz que o Bitcoin pode ser uma bolha, isso me faz querer escrever sobre por que eu "hodl" meu Bitcoin.

Eu poderia dar uma palestra sobre a teoria monetária e descrever as características de uma moeda e compará-las ao Bitcoin, ou eu poderia falar sobre a curva da falta de oferta de Bitcoin, ou sobre outra das inúmeras razões pelas quais o Bitcoin provavelmente será bem sucedido no longo prazo. Hoje, porém, gostaria de falar sobre a adoção.

Um olhar para a América do Sul irá ajudá-lo a entender por que o Bitcoin se tornou um fenômeno.

Em meu último artigo, dai pequenos exemplos do que já aconteceram no Brasil em termos monetários e como isso afetou minha percepção do valor do Bitcoin. Hoje quero avançar para a Argentina e abordar os motivos da adoção do Bitcoin por esse país.

Os governos populistas não sabem matemática; Depois de algum tempo, o dinheiro se esgota e torna-se necessário usar a "criatividade" em suas contas. Não é por acaso que há pelo menos dois fatos econômicos recentes que impactaram os argentinos e os fez perceber o valor de uma moeda deflacionária.

O primeiro foi o "Corralito", quando em 2001 o governo congelou todo o dinheiro em contas bancárias por um ano completo, permitindo apenas retiradas extremamente limitadas para as necessidades domésticas.

Em 2011, exatamente 10 anos depois, foi criado o controle de câmbio "cepo" implementado pela ex-presidente Cristina Kirchner. Este movimento levou o país a reviver símbolos de hiperinflação da década de 1980, como a figura dos "arbolitos" - trocadores de dinheiro parados (como árvores) nos cantos dos pontos turísticos - e as "cuevas" lojas normais com mercado negro de câmbio para aqueles que queriam vender dólares em um preço muito melhor do que na taxa de câmbio oficial do governo, basicamente o mercado estava pagando o dobro.

Apenas dois anos após o surgimento do Bitcoin, os argentinos sentiram-se traídos por sua própria moeda nacional, sofrendo taxas de câmbio fortemente manipuladas. Aqueles que sofrem com os efeitos dessa política monetária provavelmente parecerão favoráveis a uma moeda nova, deflacionária, como o Bitcoin. A Argentina está à frente de muitos países da América do Sul em termos de adoção; sua crise começou em 2011, enquanto a do Brasil só começou em 2014.

Os banqueiros de Wall Street com seus bônus de milhões de dólares podem não entender o Bitcoin ou ver qualquer ponto nele, pois eles fazem grandes proclamações de suas coberturas em Manhattan. Mas para as pessoas comuns que sofrem em condições econômicas incapacitantes, o Bitcoin poderia literalmente mantê-las vivas à medida que sua moeda nacional cai como uma pedra.