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Derek AndersenDerek Andersen

Jornal estatal da China diz que criptomoedas são um 'canal para corrupção' e pede mais repressão ao setor

O jornal estatal chinês Legal Daily afirmou que as criptomoedas são um instrumento para suborno que pode ser facilmente ocultável.

Jornal estatal da China diz que criptomoedas são um 'canal para corrupção' e pede mais repressão ao setor
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Um apelo para reprimir subornos usando criptomoedas e outras formas de pagamento eletrônico foi publicado no site do jornal estatal chinês Legal Daily.

A publicação citou vários acadêmicos de direito que participaram da reunião anual da Associação de Integridade e Pesquisa Jurídica da China, onde a punição a novas formas de corrupção foi um dos principais tópicos de discussão. 

A edição de 1º de janeiro do Legal Daily, publicado pela Comissão Central de Assuntos Políticos e Jurídicos do Partido Comunista Chinês (PCC), citou o professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de Hebei, Zhao Xuejun, dizendo que as moedas virtuais e os cartões-presente eletrônicos se tornaram "canais ocultos" para o suborno de autoridades, já que os cartões e as moedas digitais são dispositivos de "armazenamento a frio" que podem ser resgatados no exterior.

Zhao continuou dizendo que o PCC está combatendo a corrupção com uma "intensidade sem precedentes."

#Os governantes chineses há muito tempo usam campanhas contra a corrupção para afastar rivais e consolidar seu poder. #XiJinping está cada vez mais vinculando sua autoridade a uma nova variação: #expurgos que nunca terminam.

— CryptoPet22 (@CryptoPet22)

Mo Hongxian, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Wuhan, mencionou o Bitcoin (BTC) nominalmente e disse que o anonimato e a difícil rastreabilidade das moedas virtuais "são naturalmente convenientes para atividades ilegais e criminosas." Embora as criptomoedas não sejam reconhecidas oficialmente pela China, ele acrescentou que as transações com moedas virtuais exigem atenção das autoridades judiciais do país.

O artigo concluiu, em tradução:

"Precisamos melhorar o sistema legal e regulatório para punir novos tipos de corrupção, expandir o escopo dos crimes de suborno [...] e fortalecer o acesso a informações de supervisão em áreas onde novos tipos de corrupção estsão propensos a ocorrer."

O artigo foi publicado menos de uma semana depois que duas agências estatais – a Procuradoria Popular Suprema e a Administração Estatal de Câmbio – alertaram as autoridades contra o uso da stablecoin Tether (USDT) como moeda intermediária para transações de câmbio envolvendo o yuan. Essas transações são ilegais.

Apesar da proibição de criptomoedas, a China adotou a tecnologia blockchain para outros fins, como a verificação de identidade. Além disso, sua moeda digital de banco central e-CNY, embora ainda em fase piloto, é bastante desenvolvida. Apesar da distribuição geográfica limitada, o yuan digital já foi usado em transações que somam quase US$ 250 bilhões na China até junho de 2023 e em transaçõs internacionais de commodities.

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