No início desta semana, um grupo de casas de câmbio de criptomoedas do Chile recorreu aos tribunais para combater a decisão dos bancos de encerrar suas contas bancárias. As casas, incluindo Buda, Orionx e CryptoMarket (CryptoMKT), afirmam que o sistema bancário no Chile está decidindo as coisas por si mesmo e que estão "matando toda a indústria".
Os bancos Itaú Corpbanca e Scotiabank anunciaram o fechamento das contas bancárias da BUDA e da CryptoMKT em 19 de março. Uma semana depois, o estatal Banco del Estado de Chile seguiu o fluxo, confirmando o fechamento das contas das três casas de câmbio de criptomoedas.
Agora, enquanto elas esperam que seu caso seja atendido, algumas novidades surgiram em 20 de abril, de acordo com o cofundador e CEO da BUDA, Guillermo Torrealba. As casas de câmbio ficaram atordoadas com o porquê os bancos sentirem que têm o poder de negar acesso a uma nova onda de tecnologia.
Situação no Chile
Falando à Cointelegraph, Torrealba descreve a situação da criptomoeda no Chile como precária, e que todo o sentimento aberto e liberal sobre esta tecnologia não é tudo como parece:
“O Chile está mostrando seu lado ‘B‘ o de ser um país extremamente conservador, apesar de fazermos grandes esforços para o mundo nos ver como liberais”.
Torrealba explicou que apesar do clamor na mídia, e até mesmo no Twitter, os bancos estão se recusando a responder ou reabrir suas contas fechadas. Além disso, de acordo com Torrealba, os bancos, que aparentemente têm uma grande parcela de poder no país, estão tornando o ambiente para as criptomoedas pior do que no Equador, Bolívia ou China:
“Os bancos mostraram seu lado mais sombrio. Restringir um país inteiro a acessar uma tecnologia só porque não gostaram dela. Isso é ainda pior do que casos de Equador, Bolívia ou China, onde o governo foi quem tomou a iniciativa. Porque você poderia julgar a decisão de um governo, já que, no final das contas, são os representantes das pessoas, e as pessoas são livres para tomar qualquer caminho que achem correto”.
Bancos bancando os reguladores
A questão para Torrealba é que os bancos, fechando essas contas e parando efetivamente o funcionamento das casas de câmbio de criptomoedas, estão desacelerando e proibindo o progresso da criptomoeda no país. Não há regra, lei ou legislação contra a moeda digital no Chile, mas os bancos estão atuando como reguladores severos.
"No Chile, a história é diferente", disse Torrealba. "Não houve um regulador, legislador ou funcionário do governo dizendo que as criptomoedas não são legais, foi apenas a decisão de um setor muito poderoso da economia: o setor bancário".
A razão pela qual Torrealba está bravo com essa decisão, e vai tão longe a ponto de envolver os tribunais, é que ele se sente como se houvesse uma restrição às liberdades econômicas.
“Então, por que essa luta é importante? Por causa da liberdade econômica. Mas nem mesmo a liberdade de um governo abusivo, mas a liberdade de uma indústria financeira corrupta e dominada que se protege da maneira mais arcaica e pré-histórica: negar uma tecnologia da forma mais aberta e excessivamente ousada que pudessem encontrar. Os bancos são tão abertamente abusivos que todos concordam que o que estão fazendo é ilegal, mas isso não é suficiente para eles pararem. Eles são grandes demais para serem cuidadosos ou agir dentro do marco regulatório.”
Obviamente, Torrealba é diretamente afetado por esse bloqueio bancário e, por essa razão, tem todos os motivos para se sentir assim. Suas justificativas podem muito bem ser emotivas, e talvez inflamatórias, no entanto, ele não está sozinho em seu pensamento.
Reações externas
Houve uma enorme quantidade de reações de usuários do Twitter, tanto dentro como fora do Chile, com a ideia geral de bancos que estabelecem as fronteiras do uso de criptomoedas claramente pisando no calo de um bom número de usuários.
Chile's state owned bank, Banco Estado, closes down all Chilean #crypto #exchanges accounts. What the fuck!? How much more damage will financial institutions make to #innovation and their own clients?#blockchain #cryptocurrency #crypto@CryptoMKT @Cointelegraph @BudaPuntoCom
— Eduardo Hernández (@TheCryptoCEO) March 30, 2018
O banco estatal do Chile, o Banco Estado, encerra todas as contas de #casas de câmbio #cripto chilenas. Que p*** é essa? Quanto danos mais as instituições financeiras causarão à inovação e a seus próprios clientes?
Apparently all Chilean banks will cut ties with crypto companies https://t.co/mA2fo2ux3r This would be a huge negative blow to Chile's reputation as a rational, innovation-friendly, free market economy @budapuntocom @AbifChile @BancoEstado @sbif
— Ted Rogers (@tedmrogers) April 10, 2018
Aparentemente, todos os bancos chilenos cortarão laços com empresas de cripto bit.ly/2GRy1AP Isso seria um duro golpe negativo para a reputação do Chile como uma economia de mercado livre, racional e favorável à inovação.
So disappointing to see leading Chilean bank @BancoEstado close #crypto client accounts. Chile is 1 of the leading regional economies but these actions stifle innovation. Support @budapuntocom!
— Sam Trautwein (@Xad_2002) April 10, 2018
Tão decepcionante ver o principal banco chileno @BancoEstado fechar contas de clientes #cripto. O Chile é uma das principais economias regionais, mas essas ações sufocam a inovação. Apoio à @budapuntocom!
Mas não foram apenas os tuítes reacionários que acharam esse movimento estranho. Barry Silbert, CEO e fundador do Digital Currency Group, tuitou diretamente aos bancos implorando que mudassem sua decisão.
This is very disappointing, @itauchile @scotiabank @BancoEstado
— Barry Silbert (@barrysilbert) April 13, 2018
Please reverse your decision and support innovation, financial inclusion and help build a more efficient financial system for the people of Chile https://t.co/HmECjo7BTd
Isso é muito decepcionante, @itauchile @scotiabank @BancoEstado
Por favor, revertam sua decisão e apoiem a inovação, a inclusão financeira e ajude a construir um sistema financeiro mais eficiente para o povo do Chile.
Arthur Gervais, professor de Blockchain no Imperial College London e cofundador da Liquidity.Network, também concorda com Torrealba sobre isso ser uma degradação dos direitos fundamentais. O professor Gervais disse ao Cointelegraph:
“Os intermediários financeiros tradicionais provavelmente experimentarão uma mudança fundamental em seus modelos de negócios, o que compreensivelmente cria tensões. A tentativa, no entanto, de censurar a tecnologia descentralizada, não só provavelmente falhará e uma privação fundamental dos direitos humanos, mas também fortalecerá e motivará ainda mais aqueles que desenvolvem a nova tecnologia Blockchain”.
Configuração de momento e precedente
Será interessante ver o que sai deste caso, e se as casas de câmbio serão bem-sucedidas. A Cointelegraph continuará dando atualizações sobre o caso quando outras anotícias estiverem disponíveis.
Se a defesa das criptomoedas como um direito de acesso das pessoas em termos de seus aspectos tecnológicos for bem-sucedida, isso poderá levar a uma grande reviravolta de outras pessoas que estão vendo seus negócios de criptomoedas serem injustamente limitados.