Cointelegraph
William SubergWilliam Suberg

BTC consegue evitar uma bull trap em US$ 93 mil? 5 coisas para saber sobre o Bitcoin nesta semana

O Bitcoin chegou a US$ 93.000 pela primeira vez em quase um mês em meio à volatilidade ligada à Venezuela, mas as projeções de preço do BTC ainda incluem um possível movimento de varredura das mínimas em torno de US$ 80.000.

BTC consegue evitar uma bull trap em US$ 93 mil? 5 coisas para saber sobre o Bitcoin nesta semana
NOTÍCIAS DO MERCADO

O Bitcoin (BTC) inicia seu primeiro repique relevante em semanas, enquanto a geopolítica agita os mercados globais.

  • A alta do preço do Bitcoin devolve a cotação à região de US$ 93.000 após quase um mês de ausência, mas traders seguem céticos.

  • Uma golden cross importante está próxima no gráfico de quatro horas, abrindo espaço para mais força no mercado.

  • As reações aos acontecimentos na Venezuela formam o principal foco para traders de ativos de risco nesta semana.

  • Dados do mercado de trabalho dos EUA estão no radar, enquanto as expectativas de corte de juros pelo Fed neste mês diminuem.

  • Baleias de Bitcoin seguem ativas na venda, aumentando a distribuição com a virada do ano.

Rompimento do preço do Bitcoin ou queda abaixo de US$ 80.000?

O Bitcoin finalmente dá algum alívio aos touros nesta semana, à medida que a ação do preço reage positivamente a eventos geopolíticos — mas será que dura?

Essa pergunta ganhou destaque entre traders e comentaristas com o BTC/USD atingindo US$ 93.000 pela primeira vez desde 11 de dezembro.

Dados do TradingView mostram que o Bitcoin acumulou ganhos de até 6,6% nos últimos cinco dias.

Gráfico de uma hora do BTC/USD. Fonte: Cointelegraph/TradingView

“É improvável que o preço se recupere direto a partir daqui”, argumentou o trader CrypNuevo em um thread no X.

CrypNuevo comparou a ação atual do preço com outubro de 2019, prevendo que a cotação continuará buscando liquidez próxima nos livros de ordens das exchanges.

“A estrutura é idêntica e o preço fez uma corrida de liquidez antes de varrer as mínimas e depois disparar”, acrescentou.

“Acho que vamos varrer as mínimas com ou sem a corrida de liquidez.”
Gráfico comparativo BTC/USD. Fonte: CrypNuevo/X

Isso implicaria uma queda abaixo de US$ 80.000 pela primeira vez desde abril. No caminho para baixo, dois “gaps” no mercado de futuros de Bitcoin da CME Group podem servir como alvos iniciais.

“Dois gaps da CME estão abaixo do preço, em US$ 90.500–US$ 91.600 e US$ 88.200–US$ 88.800”, confirmou o Coin Bureau em publicação no X.

Gráfico de quatro horas dos futuros de Bitcoin da CME. Fonte: Coin Bureau/X

Os dados mais recentes do CoinGlass mostram liquidações de posições vendidas em cripto de US$ 250 milhões em 24 horas. A liquidez se concentrou no fechamento semanal, com US$ 93.700 como próximo alvo de alta para os touros.

Mapa de calor da liquidação de BTC (captura de tela). Fonte: CoinGlass.

Comentando dados de uma de suas ferramentas proprietárias, Keith Alan, cofundador da plataforma de trading Material Indicators, afirmou que movimentos de preço mais interessantes podem estar por vir.

Um “muro” de ordens de venda que antes estava em US$ 100.000 já não existe.

“Agora começa a diversão”, disse Alan em post no X, compartilhando um gráfico que mostra aumento nas compras por baleias menores de Bitcoin.

Dados de liquidez do livro de ofertas BTC/USDT com ordens de grandes investidores. Fonte: Keith Alan/X

Golden cross do Bitcoin perto de confirmação

Um repique de 5% no preço do BTC pode parecer modesto para os padrões típicos do mercado cripto, mas as implicações de tendência podem ser relevantes.

A análise das médias móveis simples (SMA) e exponenciais (EMA) dá motivos para otimismo aos touros acima de US$ 90.000.

Um fenômeno altista que se desenha é o cruzamento da SMA de 50 períodos acima da SMA de 200 períodos no gráfico de quatro horas. Essa “golden cross” sinaliza força compradora em prazos curtos e desfaria a “death cross” de meados de outubro.

Gráfico de quatro horas do BTC/USD com médias móveis simples de 50 e 200 períodos. Fonte: Cointelegraph/TradingView

No gráfico diário, uma golden cross ainda está distante após sua própria death cross ter ocorrido um mês depois.

Gráfico diário de BTC/USD com médias móveis simples de 50 e 200 períodos. Fonte: Cointelegraph/TradingView

Em uma visão de prazo mais longo, o trader SuperBro observa que outro par de linhas de tendência já está ficando positivo: a SMA e a EMA semanais de 100 períodos.

Em ciclos anteriores de bear market do Bitcoin, a EMA semanal de 100 períodos cruzando abaixo da SMA de 100 períodos marcou o início de quedas expressivas no preço do BTC, mas 2026 parece estar sendo diferente.

“Historicamente, a EMA e a SMA semanais de 100 cruzam fundo no bear market. Cada ciclo anterior viu uma queda de mais de 50% até o fundo em poucas semanas”, escreveu SuperBro no X.

“Isso é uma divergência altista sem precedentes em relação aos ciclos anteriores.”
Gráfico comparativo BTC/USD. Fonte: SuperBro/X

Como reportou o Cointelegraph, o desempenho do Bitcoin em 2025 alimentou alegações de que a teoria do ciclo de quatro anos do BTC não é mais válida.

Venezuela dita os movimentos do mercado

Todos os olhos estão voltados para ativos de risco e commodities nesta semana, enquanto os mercados reagem à ação militar dos EUA na Venezuela e às suas consequências.

As manchetes surpresa surgiram fora do horário de negociação dos mercados tradicionais no fim de semana, deixando o cripto como o único mercado a reagir em tempo real.

A capitalização total do mercado cripto subiu 5% desde sexta-feira, retomando a marca de US$ 3 trilhões.

Gráfico diário da capitalização total de mercado de criptomoedas. Fonte: Cointelegraph/TradingView

Mais chamativo é o retorno do movimento conjunto com ativos de proteção, como ouro e prata.

O ouro (XAU/USD) subia 2% no momento da publicação, caminhando para um novo teste das máximas históricas de dezembro, em US$ 4.450 por onça.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma tomada de controle dos ativos de petróleo e gás da Venezuela pelos EUA pressionou os preços globais para baixo, enquanto a força do dólar se aproximava dos níveis mais altos em quase um mês.

Gráfico diário do índice do dólar americano (DXY). Fonte: Cointelegraph/TradingView

No domingo, o The Kobeissi Letter previu que os ativos “se moveriam” com o retorno dos traders do mercado tradicional.

“Os preços de energia estão CAINDO em meio a uma grande escalada nas tensões geopolíticas. Isso diz tudo o que você precisa saber”, continuou em post no X.

O Kobeissi também disse aos leitores para “continuarem observando” ouro e prata em outra publicação no X.

Gráfico de uma hora do XAU/USD. Fonte: Cointelegraph/TradingView

Um possível fator altista específico para o Bitcoin veio do debate sobre as reservas de BTC da Venezuela.

Embora ainda seja especulativo, acredita-se que o país tenha acumulado um estoque considerável de Bitcoin como forma de contornar sanções dos EUA. Os números que circulam apontam para algo entre 600.000 e 660.000 BTC (US$ 55 bilhões a US$ 60 bilhões).

“Antes de 2026, as reservas oficiais/on-chain da Venezuela eram mínimas (por exemplo, cerca de 240 BTC de apreensões/mineração relatadas em alguns rastreadores)”, observou o analista MartyParty em um post no X.

“O valor de US$ 60 bilhões se refere especificamente a essa suposta reserva fora do balanço construída para driblar sanções.”

Fed deve manter juros em janeiro

A primeira semana completa de negociações de 2026 traz divulgações importantes de dados macroeconômicos dos EUA para o sentimento em ativos de risco.

O foco estará nas tendências do mercado de trabalho, em um momento em que o emprego segue mostrando sinais de estresse.

Isso tem implicações para o Federal Reserve, que decidirá sobre juros na reunião de 28 de janeiro. Para ativos de risco, outro corte seria bem-vindo, mas o sentimento atual não sustenta esse cenário.

Os dados mais recentes da ferramenta FedWatch da CME Group apontam apenas 17,2% de chance de um corte mínimo de 0,25%.

Comparação das probabilidades da taxa básica de juros do Fed para a reunião do FOMC de 28 de janeiro (captura de tela). Fonte: CME Group

Apesar disso, análises indicam que condições financeiras já frouxas continuam sustentando as ações, ao menos no primeiro semestre.

“Antevejo condições favoráveis ao bull market persistindo no início de 2026, incluindo uma economia em crescimento e ampla liquidez sustentando condições financeiras frouxas”, escreveu a Mosaic Asset Company em sua newsletter The Market Mosaic.

A Mosaic alertou que uma retomada da inflação pode tornar o segundo semestre de 2026 bem diferente do primeiro.

Como noticiou o Cointelegraph, a composição do Fed segue mudando em favor de dirigentes que apoiam novos cortes de juros, conforme desejado pelo presidente Donald Trump.

Baleias apertam o botão de “venda”

A recuperação do Bitcoin a partir de níveis abaixo de US$ 90.000 pode não ser simples, apenas por forças internas do mercado cripto.

Novos dados da plataforma de análise on-chain CryptoQuant mostram que traders de grande volume já buscam realizar lucros modestos e reduzir exposição ao BTC.

A semana iniciada em 29 de dezembro registrou máximas mensais de entradas líquidas na maior exchange global, a Binance, com o BTC somando cerca de US$ 1,5 bilhão.

“Transferências tão grandes de BTC e ETH de carteiras privadas para uma exchange geralmente indicam uma de duas intenções: preparação para venda ou uso desses ativos como colateral em mercados de derivativos”, escreveu o analista CryptoOnchain em um post Quicktake.

Fluxos líquidos semanais da Binance Multichain (captura de tela). Fonte: CryptoQuant

A CryptoQuant alertou que o poder de compra não acompanha essas entradas, com os fluxos líquidos de stablecoins “essencialmente estáveis”.

“Grande parte dessa atividade refletiu movimentos internos — principalmente USDT migrando entre as redes ERC-20 e TRC-20 — em vez de capital novo entrando na exchange”, acrescentou CryptoOnchain.

Um novo post Quicktake revelou vendas ativas de baleias em várias exchanges.

A média móvel de duas semanas do indicador exchange whale ratio, que mede a proporção das entradas originadas das 10 maiores baleias, está agora no nível mais alto desde março de 2025.

“Historicamente, esses movimentos são um precursor de vendas e aumento da pressão de oferta”, concluiu a CryptoQuant.

Proporção de baleias em exchanges de Bitcoin (captura de tela). Fonte: CryptoQuant

Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Todo investimento e operação de mercado envolve riscos, e os leitores devem realizar suas próprias pesquisas antes de tomar qualquer decisão. Embora nos esforcemos para fornecer informações precisas e atualizadas, o Cointelegraph não garante a exatidão, integridade ou confiabilidade de qualquer informação contida neste artigo. Este artigo pode conter declarações prospectivas sujeitas a riscos e incertezas. O Cointelegraph não se responsabiliza por quaisquer perdas ou danos decorrentes da sua confiança nessas informações.


Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Todo investimento e movimentação de negociação envolve risco, e os leitores devem realizar sua própria pesquisa ao tomar uma decisão. Embora nos esforcemos para fornecer informações precisas e oportunas, a Cointelegraph não garante a exatidão, integralidade ou confiabilidade de qualquer informação neste artigo. Este artigo pode conter declarações prospectivas que estão sujeitas a riscos e incertezas. A Cointelegraph não será responsável por qualquer perda ou dano decorrente da sua confiança nessas informações.