Os pesquisadores responsáveis pelo eminente Índice de Consumo de Eletricidade do Bitcoin de Cambridge (CBECI) revisaram oficialmente a metodologia de análise do modelo para incrementar a precisão e a confiabilidade das estimativas do índice pela primeira vez desde a sua criação em 2019.
O CBECI foi lançado em julho de 2019 como uma iniciativa para fornecer parâmetros confiáveis baseados em dados sobre a natureza intensiva do consumo de energia da mineração de Bitcoin e o impacto ambiental a ela associado.
Em entrevista exclusiva ao Cointelegraph antes do anúncio da revisão do índice, o pesquisador-chefe Alexander Neumueller desvendou o papel do CBECI em fornecer uma estimativa relativamente precisa do consumo de eletricidade da rede do Bitcoin (BTC) e contextualizar os dados de forma que sejam compreensíveis para qualquer pessoa interessada no assunto.
Os principais destaques da revisão dos parâmetros do índice incluíram um foco nos avanços tecnológicos recentes do hardware de mineração de Bitcoin, o crescimento da taxa de hash e uma avaliação sobre a eficácia do índice a partir dessas mudanças. Os pesquisadores se concentraram em investigar o que havia impulsionado aumentos substanciais na taxa de hash nos últimos anos, à medida que equipamentos de mineração mais novos substituíram os modelos mais antigos em termos de capacidade de computação.
Neumueller e seus colegas observaram que a escassez de dados relacionados ao hardware utilizado pelos mineradores representava um desafio significativo para a relevância do índice, pois limitava a capacidade do CBECI de avaliar com precisão os tipos de hardware utilizados pelos mineradores, bem como o respectivo consumo energético.
Os pesquisadores criaram uma metodologia que simula uma distribuição diária de hardware com base em dados de desempenho e uso de energia de hardware real. Neumeuller observa que a espinha dorsal da antiga metodologia do CBECI presumia que todo modelo de hardware lançado há menos de cinco anos alimentava igualmente a taxa de hash total da rede.
Isso, por sua vez, levou a um "número desproporcionalmente grande" da contabilização de hardware de mineração mais antigo em comparação com modelos mais novos na distribuição de hardware presumida da metodologia durante períodos de mineração excepcionalmente lucrativos.
Posteriormente, os pesquisadores descobriram que os equipamentos lançados mais recentemente pareciam estar sub-representados pela metodologia, enquanto os equipamentos que estavam chegando ao fim de seu ciclo de vida estavam super-representados. Isso foi um dos principais motivos para a revisão da metodologia do CBECI.
Então, Neumeller explicou como sua equipe começou a comparar os aumentos da taxa de hash com os dados de importação dos Estados Unidos, para capturar a compra e a utilização de novos equipamentos de mineração de Bitcoin. Isso foi combinado com um exame dos dados publicamente disponíveis das vendas do fabricante de hardware de mineração Canaan.
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A análise, que considerou vários fatores detalhados, foi usada para testar a hipótese de que os aumentos na taxa de hash da rede podem ser atribuídos aos novos equipamentos de mineração lançados recentemente.
"Essa hipótese foi baseada em dados de importação dos EUA, e buscamos evidências adicionais para validá-la. Se os dados das vendas da Canaan forem representativos do setor, eles corroboram essa afirmação."
Neumueller destacou a divisão presente na opinião pública, com os críticos sugerindo que o Bitcoin "põe em risco os avanços ambientais e pode exacerbar a mudança climática", enquanto os apoiadores do criptoativo argumentam que o setor de mineração poderia ajudar a mitigar o aquecimento global, além de fornecer benefícios sociais adicionais.
"No entanto, a natureza intrincada do setor e a falta de informações muitas vezes não são reconhecidas, abrindo espaço para fontes de dados escolhidos a dedo e perspectivas tendenciosas."
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O CBECI inclui uma ampla gama de visualizações e fontes de dados relevantes, incluindo um índice da demanda de energia da rede do Bitcoin, um mapa de mineração que reflete a distribuição geográfica da taxa de hash da mineração do Bitcoin e um índice de emissões de gases de efeito estufa.
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O CBECI e os índices de emissões de gases de efeito estufa fornecem três estimativas diferentes para ambos os setores, proporcionando um intervalo hipotético para essas métricas específicas.
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