Nos últimos anos, o Bitcoin consolidou sua posição como uma reserva de valor no mercado de criptomoedas, sendo amplamente utilizado como proteção contra a inflação em economias instáveis.

No entanto, uma nova vertente chamada BTCFi (Bitcoin DeFi) está ganhando força, oferecendo a promessa de transformar o Bitcoin em um ativo mais dinâmico dentro das finanças descentralizadas. Para explorar o potencial dessa mudança, conversamos com Mario Pazos, Líder de Marketing da GOAT Network e ex-executivo da Mastercard e do Citi, que compartilhou suas percepções sobre o futuro do BTCFi e seu impacto no ecossistema financeiro global.

Segundo Pazos, é importante não confundir o crescimento do BTCFi com a superação do Ethereum DeFi em volume total.

"Ninguém está afirmando que o BTCFi vai superar o Ethereum DeFi em volume. O que é evidente é que o BTCFi está começando praticamente do zero, enquanto o Ethereum DeFi já está estabelecido há anos", afirma. A comparação feita por Pazos é como a de uma ação de pequena capitalização com grande potencial de crescimento versus uma empresa madura como a Microsoft.

O ponto crucial, segundo o executivo, está na taxa de crescimento que, para o BTCFi, será exponencial nos próximos anos devido à sua base inicial muito menor. O Bitcoin já é amplamente adotado como reserva de valor, mas com o BTCFi, o ativo pode começar a desbloquear seu valor como um ativo ativo, um conceito que até então era pouco explorado.

Bitcoin como ativo em 'operação'

Uma das maiores mudanças que o BTCFi traz para o mercado é a possibilidade de transformar o Bitcoin de uma reserva de valor passiva para um ativo em 'operação' dentro do ecossistema de finanças descentralizadas. Pazos ressalta que muitos detentores de Bitcoin estão ansiosos para "desbloquear o valor do BTC que possuem e aumentar a quantidade de Bitcoin".

Isso abre espaço para o surgimento de uma nova geração de aplicativos descentralizados (dApps) dedicados ao BTCFi, que, segundo o especialista, deve crescer em paralelo com a demanda dos usuários.

Essa mudança é vista como um dos pontos-chave para o sucesso do BTCFi, à medida que mais usuários buscam formas de rentabilizar seus ativos, sem precisar recorrer a práticas mais tradicionais, como o "hold" ou a venda direta.

Para Mario Pazos, uma das maiores oportunidades que o BTCFi oferece em comparação com o DeFi baseado em Ethereum está no próprio valor inerente do Bitcoin.

"O valor do Bitcoin já está consolidado como reserva de valor, e a demanda por ele só cresce, especialmente em países onde a hiperinflação torna o fiat local inútil", comenta. O BTC, sendo a criptomoeda mais amplamente adotada, tem uma base sólida sobre a qual o BTCFi pode se desenvolver.

Ainda assim, o especialista adverte que o caminho para o sucesso não será fácil. Um dos maiores desafios para o BTCFi está na relutância de alguns detentores de Bitcoin em colocarem seus ativos para trabalhar, preferindo mantê-los em carteiras frias por questões de segurança.

"Aqueles mais cautelosos podem demorar para adotar o BTCFi, mas esperamos que, com o tempo, a maioria dos detentores de Bitcoin perceba as vantagens de colocar seus ativos para trabalhar", explica.

Ao ser questionado sobre como o BTCFi pode moldar o ecossistema financeiro mais amplo, Pazos acredita que o Bitcoin não perderá sua narrativa principal como reserva de valor.

"O uso do Bitcoin como reserva de valor é muito forte, especialmente em economias com inflação galopante", diz. No entanto, ele acredita que a identidade do Bitcoin se expandirá, tornando-se um ativo mais versátil e capaz de impulsionar o crescimento como parte do BTCFi.

Esse potencial para transformar o Bitcoin de um ativo passivo em uma ferramenta de geração de valor pode redefinir sua posição no espaço das criptomoedas, tornando-o não apenas um "ouro digital", mas também uma peça fundamental dentro das finanças descentralizadas.