O Bitcoin (BTC) ultrapassou os US$ 40.000 na quinta-feira, um dia depois que o Federal Reserve deu a entender que está perto de encerrar sua política de compra de ativos. O estímulo foi responsável por impulsionar a recuperação econômica dos Estados Unidos.

O principal criptoativo do mercado se aproximou de US$ 41.000,00 antes da manifestação do Fed. No entanto, começou a perder força depois que o Cômité Federal do Mercado Aberto (FOMC) divulgou suas diretrizes políticas, seguidas pela entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell.

Como os economistas esperavam, o Fed manteve sua política monetária inalterada. Funcionários do banco observaram que a economia dos EUA avançou bem em direção às metas de pleno emprego e de inflação. O Fed continuará avaliando sua política de estímulo econômico nos próximos meses.

Os investidores do mercado de criptomoedas têm monitorado de perto os atos do banco central, que pode interromper sua política de compra de títulos de US$ 120 bilhões por mês. A política monetária frouxa do Fed é uma das razões pelas quais o Bitcoin subiu de US$ 4.000 no começo do ano passado para US$ 65.000 em abril deste ano.

Inflacionar ou não inflacionar?

Powell havia dito anteriormente que a compra de ativos continuaria até que se verificasse "um progresso substancial" na recuperação econômica dos EUA.

No entanto, quarta-feira foi a primeira vez que o Fed teve que explicar o que caracteriza este "progresso substancial". Steve Liesman, da CNBC, colocou a questão para Powell, que respondeu que significava um número representativo de trabalhadores empregrados indicando progressos em direção ao pleno emprego.

Perguntas subsequentes forçaram Powell a explicar o que ele quer dizer com "transitório", um termo que ele e seu escritório vem usando repetidamente em declarações para negar preocupações com o aumento da inflação nos EUA. Powell levou pelo menos dois minutos para responder a questão, observando que a inflação aumentará no curto prazo, mas não aumentará no acumulado de ano a ano.

“O aumento [dos preços ao consumidor] vai acontecer. Não estamos dizendo que eles vão ser revertidos. Então vai haver inflação, mas [o] processo vai parar [...] Se não afetar as expectativas de inflação de longo prazo, então é muito provável que não afetará a inflação daqui para frente. O que quero dizer com transitório é que não haverá uma marca permanente sobre o processo inflcionário."

Scott Skyrm, vice-presidente executivo de renda fixa e Repo da Curvature Securities, observou que a declaração do FOMC mencionou o termo "inflação" ou "estabilidade de preços" dez vezes. Isso mostrou que o aumento dos preços ao consumidor está presente na mente dos seus funcionários, embora eles refutem tal evidência recorrendo à palavra "transitório".

Lyn Alden, fundador da Lyn Alden Investment Strategy, disse que Powell estava tentando admitir que a inflação não era transitória em termos absolutos, ou seja, o presidente do Fed aceitou que as políticas atuais levariam a "aumentos de preços significativos e permanentes". Ela completou:

"Na opinião dele, [a inflação está sendo] transitória em termos da taxa de variação (os aumentos ano a ano não permanecerão nessa taxa)."

As declarações de Alden foram inspiradas em um de seus boletins informativos recentes. Nele, ela observou que, embora a inflação ano a ano oscilasse entre máximas e mínimas, ela parecia transitória (o primeiro gráfico abaixo). Ainda assim, como os preços ao consumidor permaneceram em um patamar permanentemente mais alto após cada pico inflacionário, a inflação continuou subindo (conforme mostra o segundo gráfico abaixo).

Picos inflacionários dos EUA ao longo dos anos. Fonte: Bureau of Labor Statistics

Skyrm observou que a proposta de Powell de encarar um "progresso substancial" apenas com vistas ao pleno emprego, ao mesmo tempo que desvia completamente dos temores de inflação, significa que sua redução seria uma resposta para melhorar os dados relativos ao mercado de trabalho, e não à elevação dos preços ao consumidor.

Portanto, se a variante Delta do Covid-19 levar a outra rodada de lockdowns, seguida por mais estímulos e benefícios aos desempregados, pode não haver a normalização do mercado de trabalho. E isso significaria mais inflação nos próximos tempos.

A lição aqui não é sobre inflação. É sobre com a regulamentação governamental pode distorcer a condução da política monetária.

"Suspeito que muitos concordem que esta foi uma das cooletivas de imprensa mais confusas do Fed", disse Mohamed El-Arian, assessor econômico-chefe da Allianz.

"Onde pode haver desacordo é por que - particularmente, o equilíbrio entre incertezas econômicas genuínas e o que os cientistas comportamentais chamam de 'inércia ativa' / convicções muito profundamente arraigadas."

Bitcoin luta contra resistência de US$ 40K

O Bitcoin escorregou para menos de US$ 40.000 mais uma vez no momento desta publicação.

Bitcoin permanece entre US$ 30.000 e US$ 40.000. Fonte: TradingView.com

Tecnicamente, a criptomoeda corre o risco de uma correção mais severa devido ao seu índice de força relativa (RSI) indicar sobrecompra no gráfico diário. Normalmente, um RSI acima de 70 limita as chances de alta de um ativo.

No entanto, Gustavo De La Torre, diretor de desenvolvimento de negócios da corretora de criptomoedas N.exchange, vê mais demanda por Bitcoin no futuro, à medida que o Fed ignora as preocupações inflacionárias.

Chamando as declarações de Powell de um "discurso paliativo necessário", o analista observou que, agora, os investidores provavelmente vão querer investir em ativos alternativos como medida preventiva contra a alta consistente dos preços.

"O Bitcoin é um dos poucos candidatos proeminentes em que os investidores podem apostar", disse ele ao Cointelegraph via Telegram, acrescentando que a capacidade do ativo digital de atrair investidores institucionais e do varejo, mesmo em meio à fase provisória de baixa, fala alto sobre seu potencial de atingir uma nova alta recorde. De La Torre adicionou:

"Uma alta acima da máxima histórica de US$ 64.000 antes do final do ano é iminente se os temores de inflação incitarem os investidores a acumular o ativo."