O adepto da Bitcoin Drivechain, Paul Sztorc, acredita que a crescente aceitação do BTC pelo público em geral levará à necessidade de ampliação da escalabilidade e e da funcionalidade da infraestrutura da rede.

Em uma ampla entrevista concedida ao Cointelegraph, Sztorc abordou as vantagens e desvantagens da aprovação dos fundos negociados em bolsa (ETF) de Bitcoin (BTC) nos Estados Unidos e as implicações de longo prazo dos aportes de dinheiro institucional no ecossistema.

"É um sinal de saúde, um sinal de validação. O Bitcoin é certamente mais reconhecido, e seu nome está sendo divulgado. É também o resultado de certos tipos de dinheiro que devem fluir para o Bitcoin por meio de ETFs", disse Sztorc.

O cofundador da LayerTwo Labs descreveu os ETFs de Bitcoin como uma "consequência inevitável da idade" do ativo, destacando que os clientes dos produtos de investimento atrelados ao BTC diferem dos investidores de varejo comuns e dos bitcoiners hardcore:

"Os ETFs são inerentemente de custódia, conectados ao aparato de prestação de contas ao governo e ao Estado. No entanto, é improvável que o tipo de pessoa que opta por investir em um ETF faça a autocustódia do Bitcoin."

Sztorc admite que o entusiasmo em torno dos ETFs de Bitcoin pode servir como um ponto de entrada para investidores e indivíduos que ainda não têm familiaridade com o BTC. Ao mesmo tempo, o foco em seu impacto pode estar causando uma atenção indevida no valor do Bitcoin em vez de suas métricas e performance subjacentes.

"As coisas ruins? Os ETFs sustentam a obsessão das pessoas com o preço do Bitcoin. Um CEO nunca deve falar sobre o preço das ações da sua empresa, ele deve se concentrar no que as impulsiona. A qualidade do produto e a satisfação de seus funcionários", acrescenta Sztorc.

Escalabilidade do Bitcoin ainda é um trabalho em andamento

A LayerTwo Labs vem desenvolvendo Drivechains há mais de quatro anos. As propostas de aprimoramento do Bitcoin (BIPs) 300 e 301 sugerem como a rede do Bitcoin poderia criar, excluir, enviar e receber BTC de blockchains de camada 2, comumente chamadas de sidechains.

Sztorc, que é autor da BIP-300, é um defensor da funcionalidade oferecida pelas Drivechains e falou longamente sobre as complexidades das duas BIPs em várias conferências sobre o Bitcoin realizadas nos últimos anos.

À medida que mais liquidez flui para o ecossistema do Bitcoin por meio de eventos importantes que impulsionam a adoção do criptoativo, como a aprovação dos ETFs, a rede possivelmente terá que lidar com volumes de transação mais altos. Esse é um ponto que Sztorc destaca, referindo-se a uma declaração do criador pseudônimo do Bitcoin.

"Satoshi Nakamoto disse que, em 20 anos, haverá um alto volume de transações ou nenhum volume. Os grandes bloqueadores usaram isso para dizer que Satoshi era um grande bloqueador; independentemente disso, estou bastante confiante de que ele está certo", disse Sztorc.

"Não há cenário em que um bilhão de pessoas usem outro protocolo de blockchain e o Bitcoin sobreviva."

Embora a Lightning Network tenha funcionado como um meio para a rede Bitcoin processar transações com taxas baixas e alto rendimento, Sztorc afirma que o ecossistema precisa de funcionalidade adicional para combater as ameaças existentes da concorrência de altcoins, campanhas de hard fork e de expansão de blocos.

"A BIP-300 é uma questão de concorrência, é o que precisamos. Diferentes desenvolvedores de software competirão entre si, e isso resolve o último gargalo que as pessoas ignoram. As sidechains permitem que as pessoas joguem o jogo que quiserem, enquanto os Bitcoiners que não optarem por participar de atividades paralelas nunca precisarão se preocupar com o que as sidechains estão fazendo", disse Sztorc. 

Conforme relatado anteriormente pelo Cointelegraph, as BIPs desempenharam um papel essencial no estabelecimento das bases para soft forks que ajudaram a melhorar a funcionalidade do protocolo do Bitcoin e o desenvolvimento de inovações como a Lightning Network.

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