O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) está exigindo que os mineradores de criptomoedas repassem informações sobre o consumo de energia de suas operações nos próximos seis meses. A medida foi tomada em decorrência do recente aumento do preço do Bitcoin, que estaria provocando uma nova onda de mineração de criptomoedas nos EUA.
Em 31 de janeiro, a Administração de Informações sobre Energia dos EUA (EIA) – a agência de estatísticas do DOE – disse que vai iniciar uma pesquisa provisória para avaliar o uso de eletricidade das empresas locais de mineração de criptomoedas a partir da semana que vem. As empresas serão "obrigadas a responder com detalhes questões relacionados ao seu consumo de energia."
O Escritório de Gestão e Orçamento deu sinal verde à iniciativa em 26 de janeiro, em resposta a uma solicitação de emergência da EIA sob a alegação de que o preço do Bitcoin "aumentara cerca de 50% nos últimos três meses" e "estaria incentivando mais atividades de mineração de criptomoedas, o que, por sua vez, implica no aumento do consumo de eletricidade."
O Bitcoin (BTC) subiu pouco mais de 18,5% em três meses até 24 de janeiro, de acordo com dados do Cointelegraph Markets Pro.
Também serão coletados comentários públicos sobre o uso de energia das mineradoras de criptomoedas.
We're initiating collection of data regarding #electricity use by US #cryptocurrency miners.
— EIA (@EIAgov) January 31, 2024
We'll ask about their electricity consumption so we can better understand their energy demands.
https://t.co/gYpZgtiD6J pic.twitter.com/pQ9ULoLAAU
Estamos iniciando a coleta de dados sobre o uso de #eletricidade por mineradores de #criptomoedas dos EUA.
Investigaremos o consumo de eletricidade dessas empresas para que possamos entender melhor suas demandas energéticas.
— EIA (@EIAgov)
O administrador da EIA, Joe DeCarolis, disse que "se concentraria especificamente em como a demanda de energia para mineração de criptomoedas está evoluindo, identificaria áreas geográficas de alto crescimento da atividade e quantificaria as fontes de eletricidade usadas para atender à demanda de mineração de criptomoedas."
A pesquisa é a mais recente iniciativa do governo dos EUA para controlar as atividades de mineração de criptomoedas no país. Os Estados Unidos se tornaram o maior centro mundial da atividade após a probição da mineração de criptomoedas na China em 2021.
Os congressistas investigaram o setor de mineração em uma audiência realizada no Congresso em 2022 em função de preocupações com o uso excessivo de energia e emissões de combustíveis fósseis decorrentes da atividade. No início de 2023, o Congresso solicitou que a Agência de Proteção Ambiental investigasse o impacto da mineração de criptomoedas sobre o meio ambiente.
Em 2023, o presidente dos EUA, Joe Biden, também apresentou uma proposta para implementar um imposto incremental de 30% sobre os gastos com eletricidade das mineradoras de criptomoedas para "reduzir a atividade de mineração" no país.
Os mineradores de Bitcoin consumiram cerca de 121,13 terawatts-hora de eletricidade em todo o mundo em 2023 – um recorde histórico, de acordo com dados do Índice de Consumo de Eletricidade de Bitcoin da Universidade de Cambridge.
Em comparação, dados de 2022 da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que a Bélgica consumiu 93,8 terawatts-hora.
Espera-se que esse consumo aumente. A AIE previu em um relatório divulgado em 25 de janeiro que a mineração de criptomoedas usará 160 terawatts-hora até 2026.
LEIA MAIS