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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Preço do Bitcoin hoje, 23/01/2026: BTC 'trava' abaixo de US$ 90 mil e pode cair ainda mais

Mercado global melhora, mas fatores geopolíticos, dúvidas no Fed e forte pressão técnica impedem recuperação consistente do Bitcoin.

Preço do Bitcoin hoje, 23/01/2026: BTC 'trava' abaixo de US$ 90 mil e pode cair ainda mais
Análise

Resumo da notícia

  • Bitcoin segue preso abaixo de US$ 90 mil, mesmo após declarações pró-cripto de Donald Trump em Davos.

  • Geopolítica, Fed e vendas de baleias ampliam a correção, segundo CoinShares e analistas independentes.

  • Técnicos veem espaço para novas quedas, com alvos em US$ 87 mil, US$ 84 mil e até US$ 81,6 mil.

7h10

O preço do Bitcoin (BTC), na manhã desta sexta-feira, 23/01/2026, está cotado em R$ 471.525,45. Os touros não conseguiram recuperar o valor do BTC apesar das declarações positivas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre cripto no Fórum de Davos.

Com isso a criptomoeda continua presa abaixo de US$ 90 mil com um leve viés de queda que pode ser prolongado durante um final de semana de baixa movimentação.

Bitcoin análise macroeconômica

André Franco, CEO da Boost Research, aponta que os mercados globais apresentaram modesta alta nesta sexta, com bolsas asiáticas avançando à medida que investidores digerem a perspectiva de que o Bank of Japan (BOJ) manterá as taxas de juros no atual patamar e ajustará suas projeções econômicas e de inflação, uma decisão amplamente esperada pelo mercado.

Além disso, ele chama a atenção para o fato de que Wall Street estendeu o rali após o alívio nas preocupações sobre tarifas e tensões comerciais, enquanto o dólar permaneceu próximo de mínimos anuais. Commodities como ouro e prata continuaram em alta, e o preço do petróleo também subiu com a diminuição das tensões geopolíticas. No segmento cripto, o Bitcoin, cotado atualmente em US$ 89.800, registrou uma pequena alta, refletindo o clima de alívio global.

A expectativa de curto prazo para o ativo neutra é levemente positiva. O otimismo moderado nos mercados acionários e o movimento de risco global ampliado pela expectativa de estabilidade monetária (como a manutenção de juros pelo BOJ) podem sustentar suporte técnico ao BTC. Além disso, a pressão baixista no dólar cria um ambiente macro que tende a favorecer ativos de risco, incluindo cripto. Contudo, a ausência de um catalisador macro claro adicional, como uma surpresa nas decisões de política monetária ou dados macro mais fracos, limita um avanço forte e imediato. Assim, o BTC provavelmente seguirá consolidando ou com tendência de leve alta enquanto os investidores aguardam novos dados e anúncios de bancos centrais.

Por que o Bitcoin não sobe?

James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares, aponta que o Bitcoin atravessa uma fase de correção influenciada por múltiplos fatores simultaneamente. A tensão geopolítica recente envolvendo a Groenlândia e novas ameaças de tarifas, que lembram os episódios com a China em outubro passado, enfraquecem o sentimento do mercado.

Além disso, segundo ele, a pressão contínua de venda por grandes participantes (“baleias”) puxa os preços para baixo no curto prazo. Embora a teoria do ciclo de quatro anos não seja totalmente convincente do ponto de vista fundamental, ela vem se tornando cada vez mais autorrealizável e contribui para o movimento atual de queda.

Historicamente, choques geopolíticos seguem um padrão semelhante: eventos como o colapso do yen carry trade ou disputas comerciais costumam provocar quedas acentuadas no Bitcoin, seguidas por uma fase de estabilização. A trajetória, porém, depende da natureza específica de cada evento. Nesse contexto, mais pressão de curto prazo seguida por recuperação parece um cenário provável.

Um segundo fator apontado por Butterfill é a incerteza sobre quem assumirá o comando do Federal Reserve. Os mercados haviam precificado Kevin Hasset, atualmente assessor da Casa Branca, mas o presidente Trump sinalizou que prefere mantê-lo no cargo atual. Com isso, as apostas do Polymarket migraram fortemente para Kevin Warsh, conhecido por sua postura mais rígida (hawkish) e ceticismo sobre cortes de juros — percepção que já afeta o sentimento em torno do Bitcoin.

Essa leitura, porém, é considerada equivocada. No cenário atual, Warsh estaria desalinhado com o objetivo repetidamente declarado por Trump de promover afrouxamento monetário ainda este ano. Um presidente do Fed que rejeitaria cortes de juros não combina com a direção desejada pela Casa Branca. Assim, mercados futuros e plataformas de previsão podem estar precificando esse cenário de forma incorreta.

No curto prazo, riscos geopolíticos e incertezas sobre a sucessão no Fed seguem determinando o movimento do Bitcoin. Porém, no médio e longo prazos, o padrão conhecido permanece: estresse geopolítico tende a gerar volatilidade, mas não necessariamente fragilidade estrutural.

No campo regulatório dos EUA, os atrasos no “Clarity Act” tornam-se cada vez mais evidentes. O projeto, criado para estabelecer regras claras para stablecoins — com impacto especialmente positivo para o Ethereum — enfrenta bloqueios no Comitê Bancário do Senado devido a disputas sobre as recompensas pagas aos detentores desses ativos. O risco agora é que o objetivo inicial da proposta seja enfraquecido por interesses políticos”, finaliza.

Bitcoin análise técnica

O analista da FXCentrum, Petar Jaćimović, afirma que o Bitcoin enfrenta um cenário técnico que ainda favorece o movimento de baixa. Segundo Jaćimović, o gráfico do BTC revela a intensidade das vendas recentes.

“Tivemos uma queda bastante forte nos últimos dias, e isso fica muito claro no movimento descendente até a marca de RSI 20”, explicou. Ele destaca que, após esse impulso, o mercado tentou se estabilizar. “O preço entrou em uma espécie de consolidação em torno de US$ 89.500, mas ainda vejo muita pressão de baixa no fundo do movimento e potencial para o mercado recuar mais”, afirmou.

Com essa leitura, o analista estruturou uma operação focada na continuidade da tendência negativa. “Decidi posicionar uma venda, colocando o stop de proteção próximo de US$ 91.380 e mirando o nível principal de US$ 84.400, que oferece quase quatro vezes mais recompensa do que o risco inicial”, disse. Para ele, esse gerenciamento pode levar a uma relação risco-retorno ainda mais favorável caso o mercado continue cedendo.

Jaćimović também observa pontos técnicos importantes que reforçam a tese. “Temos pivôs relevantes mais abaixo, incluindo a região de US$ 81.650. Com um stop relativamente apertado, podemos ter um retorno três a cinco vezes maior que o risco assumido”, avaliou. Ele acrescenta que, caso o Bitcoin teste novamente níveis como US$ 87 mil , ajustes no stop podem ser considerados. “Posso até mover o stop para o nível de entrada e avaliar novas oportunidades de venda, dependendo do comportamento do preço”, completou.

Os indicadores seguem alinhados à perspectiva de baixa, segundo o analista. “O fluxo vendedor foi muito forte nos últimos dias e o RSI não mostrou nenhum salto relevante. Nem chegamos a tocar a banda superior de Bollinger, o que indica que esse movimento atual pode ser apenas uma consolidação saudável dentro de uma tendência maior de queda”, pontuou.

“Ainda vejo espaço para o mercado continuar corrigindo, porque a estrutura técnica segue apontando para baixo. A tendência permanece pressionada até que o preço mostre força real de recuperação”, concluiu Jaćimović.

Portanto, o preço do Bitcoin em 23 de janeiro de 2026 é de R$ 471.525,45. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0019 BTC e R$ 1 compram 0,0000019 BTC.

As criptomoedas que estão registrando as maiores altas no dia 23 de janeiro de 2026, são: Layer Zero (ZRO), Axie Infinity (AXS) e Dash (DASH), com altas de 9%, 8% e 6%, respectivamente.

As criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 23 de janeiro de 2026, são: Story (IP), Pump.fun (PUMP) e The Sandbox (SAND), com quedas de -8%, -7% e -5% respectivamente.

O que é Bitcoin?

O Bitcoin (BTC) é uma moeda digital, que é usada e distribuída eletronicamente. O Bitcoin é uma rede descentralizada peer-to-peer. Nenhuma pessoa ou instituição o controla.

O Bitcoin não pode ser impresso e sua quantidade é muito limitada – somente 21 milhões de Bitcoin podem ser criados. O Bitcoin foi apresentado pela primeira vez como um software de código aberto por um programador ou um grupo de programadores anônimos sob o codinome Satoshi Nakamoto, em 2009.

Houve muitos rumores sobre a identidade real do criador do BTC, entretanto, todas as pessoas mencionadas nesses rumores negaram publicamente ser Nakamoto.

O próprio Nakamoto afirmou ser um homem de 37 anos que vive no Japão. No entanto, por causa de seu inglês perfeito e seu software não ter sido desenvolvido em japonês, há dúvidas sobre essas informações. Por volta da metade de 2010, Nakamoto foi fazer outras coisas e deixou o Bitcoin nas mãos de alguns membros proeminentes da comunidade BTC.

Para muitas pessoas, a principal vantagem do Bitcoin é sua independência de governos mundiais, bancos e empresas. Nenhuma autoridade pode interferir nas transações do BTC, importar taxas de transação ou tirar dinheiro das pessoas. Além disso, o movimento Bitcoin é extremamente transparente - cada transação única é armazenada em um grande ledger (livro-razão) público e distribuído, chamado Blockchain.

Essencialmente, como o Bitcoin não é controlado como uma organização, ele dá aos usuários controle total sobre suas finanças. A rede Bitcoin compartilha de um ledger público chamado "corrente de blocos" (block - bloco, chain - corrente).

Se alguém tentar mudar apenas uma letra ou número em um bloco de transações, também afetará todos os blocos que virão a seguir. Devido ao fato de ser um livro público, um erro ou uma tentativa de fraude podem ser facilmente detectados e corrigidos por qualquer pessoa.

A carteira do usuário pode verificar a validade de cada transação. A assinatura de cada transação é protegida por assinaturas digitais correspondentes aos endereços de envio.

Devido ao processo de verificação e, dependendo da plataforma de negociação, pode levar alguns minutos para que uma transação BTC seja concluída. O protocolo Bitcoin foi projetado para que cada bloco leve cerca de 10 minutos para ser minerado.

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Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Toda decisão de investimento e negociação envolve riscos, e os leitores devem realizar sua própria pesquisa antes de tomar uma decisão.