A principal criptomoeda do mercado, o Bitcoin (BTC), está cotada na manhã desta segunda-feira, 21/10/204, em R$ 388.203,75. Fábio Plein, Diretor Regional da Coinbase para as Américas, destaca que as próximas eleições nos EUA continuam sendo a principal preocupação dos mercados.
Segundo ele, o resultado provavelmente será o impulsionador mais significativo para o desempenho geral da classe de ativos criptográficos em nossa visão, devido às implicações que isso pode ter no futuro ambiente regulatório.
"Ambos os candidatos presidenciais adotaram agendas pró-cripto — Kamala Harris registrou outra declaração pró-cripto, enquanto o ex-presidente Donald Trump lançou uma nova venda de tokens — o que nos leva a acreditar que o resultado final deve ser positivo para a classe de ativos em qualquer cenário", disse.
Já Daniel González, analista de cripto da Bitso, aponta que o Bitcoin parece estar bem posicionado para um "Uptober" devido a vários fatores-chave. Os ciclos de liquidez nos Estados Unidos estão mostrando sinais de alívio, o que pode aumentar o apetite por ativos de maior risco, como as criptomoedas.
Além disso, segundo ele, os cortes nas taxas de juros tanto nos EUA quanto na China, estão tentando estimular suas economias, criando um ambiente mais propício para o crescimento do BTC. Com investidores buscando melhores retornos, o Bitcoin pode destacar-se como uma opção atraente e segura.
Outro fator positivo, segundo González, é que, historicamente, o Bitcoin entra em um período de acumulação com tendência de alta antes das eleições presidenciais dos EUA, que esse ano, acontecem em 5 de novembro. Embora o curto prazo possa trazer volatilidade assim que o resultado eleitoral for revelado, a tendência histórica é de que o mercado se recupere após a definição política, o que costuma beneficiar o BTC. Os mercados valorizam a estabilidade, e o Bitcoin geralmente reage positivamente à clareza política.
"Setembro também trouxe boas notícias: o BTC registrou um retorno de 7,9%, o melhor desempenho para o mês desde 2012. Este resultado é significativo, pois setembro é historicamente o pior mês para o ativo, apelidado de "Recktember" ou "SeptemBear". Quando o Bitcoin fecha o mês no positivo, os meses seguintes tendem a trazer crescimento. Com o BTC atualmente em torno de US$ 67 mil, as expectativas para um "Uptober" e um quarto trimestre otimista estão ainda mais fortes", disse.
Pauline Shangett, CMO da ChangeNOW, disse que o mercado de criptomoedas manteve sua trajetória ascendente, com a capitalização total subindo mais de 7% em sete dias para US$ 2,39 trilhões, a mais alta desde o final de julho. O Índice de Medo e Ganância de Criptomoedas está na faixa de 71-73 (ganância) pelo sexto dia, também replicando o desempenho do final de julho.
"O Bitcoin atingiu novas máximas em quase três meses, chegando a US$ 69,5 mil na manhã de segunda-feira, devido a um aumento nos fluxos para o ETF BTC. O preço agora está avaliando as máximas do final de julho, e o topo duplo de maio-junho logo abaixo de US$ 72 mil parece ser o próximo alvo dos touros", aponta.
Para Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, o Bitcoin tem demonstrado força nos últimos meses, impulsionado por um cenário macroeconômico favorável e pelo crescente interesse institucional. Após concluir uma pernada de alta entre os meses de agosto e outubro, o BTC formou um padrão de bandeira de alta no gráfico mensal, sugerindo a continuidade do movimento de alta.
"Recentemente, o Bitcoin visitou uma linha de resistência importante na região dos U$ 68.390. Se ultrapassar essa resistência e o fluxo comprador continuar predominando, a próxima meta será os U$ 70.000. Um rompimento convincente acima dos U$ 70.000 abriria caminho para novas altas, com o próximo alvo em US$ 71.200.
No entanto, é importante ressaltar que o BTC ainda pode enfrentar algumas correções no curto prazo. A região dos US$ 63.280 agora atua como um suporte importante, e um fechamento abaixo desse nível pode indicar um enfraquecimento da tendência de alta. Nesse caso, o BTC poderia buscar suporte na região dos US$ 61.058", analisa.
De acordo com uma análise feita pelo ETC Group, os sinais técnicos indicam uma possível alta para a principal criptomoeda nas próximas semanas. Segundo a empresa, o Índice de Sentimento de Criptoativos voltou a apontar para um cenário otimista, marcando o nível mais alto desde março de 2024.
"Atualmente, 13 dos 15 indicadores estão acima de suas tendências de curto prazo, o que reforça a expectativa de valorização", explicou a análise.
Entre os indicadores que sustentam essa previsão estão o viés de opções de 25 delta do BTC e o Índice de Medo e Ganância Cripto, que subiu significativamente na última semana. "O aumento no Índice de Medo e Ganância para um nível de 'Ganância' é um claro sinal de que o mercado está mais confiante, o que pode gerar uma nova onda de compras", aponta.
Além dos sinais técnicos, o fluxo de investimentos também tem chamado a atenção dos especialistas. O ETC Group registrou uma forte aceleração nos fluxos de entrada em ETPs (produtos negociados em bolsa) de criptomoedas. Somente na última semana, o mercado global de ETPs de Bitcoin viu uma entrada líquida de US$ 2,086 bilhões.
Desse total, US$ 2,131 bilhões foram destinados aos ETFs de Bitcoin à vista dos EUA. "Esse volume é expressivo e reflete um renovado interesse por parte dos investidores institucionais, principalmente nos EUA, o que pode ser um fator decisivo para impulsionar o preço do Bitcoin", destaca.
Outros fatores, como o desempenho superior de altcoins em relação ao Bitcoin, também foram analisados. Embora a maioria das altcoins não tenha conseguido superar o desempenho da criptomoeda líder na última semana, o Ethereum registrou uma performance superior.
No entanto, o analista alerta que o aumento no desempenho de altcoins geralmente sinaliza uma maior disposição dos investidores a assumir riscos, algo que ainda não se concretizou plenamente.
"O desempenho das altcoins não foi forte o suficiente para sugerir um aumento significativo no apetite por risco, o que pode indicar que o mercado está aguardando mais sinais claros de valorização do Bitcoin antes de se posicionar de forma mais agressiva", concluiu.
Portanto, o preço do Bitcoin em 21 de outubro de 2024 é de R$ 388.203,75. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0026 BTC e R$ 1 compram 0,0000026 BTC.
As criptomoedas com maior alta no dia 21 de outubro de 2024, são: Apecoin (APE), Cat in a dog world (MEW) e Cosmos Hub (ATOM), com altas de 13%, 11% e 10% respectivamente.
Já as criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 21 de outubro de 2024, são: Immutable X (IMX), Aerodrome Finance (AERO) e AAVE (AAVE), com quedas de -4%, -3% e -2% respectivamente.
Análise Bitcoin
O Bitcoin encerrou a semana com uma forte valorização, fechando acima de US$ 69 mil, mas ainda enfrenta uma resistência significativa na faixa entre US$ 69 mil e US$ 70 mil. De acordo com Rodrigo Miranda, criador da Universidade do Bitcoin, para que o criptoativo rompa essa barreira e avance para novos patamares, o fechamento diário e semanal deve superar os US$ 71.500.
"Quando o mercado fechar acima de US$ 71.500, acredito que possamos começar a ativar stops e sair da zona dos ursos", afirma Miranda.
Segundo o analista, a defesa dos ursos, ou seja, a resistência que impede o avanço do preço, está localizada entre US$ 72 mil e US$ 74.500. Ele acrescenta que, se o Bitcoin superar os US$ 75 mil, o mercado pode buscar novos alvos ambiciosos.
"Acima dos US$ 75 mil, acredito que o mercado vá mirar entre US$ 94 mil e US$ 96 mil", prevê Miranda.
Miranda também destaca que o Bitcoin tem apresentado um desempenho defasado em comparação com o índice SP500. Ele relembra que, em março de 2024, quando o SP500 atingiu seu topo histórico e passou por uma correção, o Bitcoin também sofreu uma queda. No entanto, desde então, o SP500 já subiu mais de 10% acima de seu recorde, enquanto o BTC ainda não acompanhou esse movimento.
"Para o Bitcoin compensar essa diferença, ele deveria subir entre 20% e 25%", explica o analista. Segundo ele, essa defasagem sugere que o BTC ainda tem potencial de alta considerável, especialmente se comparado ao índice de ações.
Outro fator importante citado por Miranda é a escassez de Bitcoin nas corretoras. Com a diminuição da oferta de Bitcoins disponíveis para compra, a pressão sobre o preço pode aumentar ainda mais.
"As corretoras estão cada vez com menos Bitcoins, e em breve podemos ver uma curva de escassez. Os grandes bancos e investidores institucionais não terão de onde comprar", alerta o analista.
Ele explica que os mineradores produzem aproximadamente 450 Bitcoins por dia, mas o consumo diário do mercado está muito acima desse volume. Essa discrepância pode levar a uma escassez extrema nos próximos tempos.
Miranda permanece otimista em relação ao futuro do Bitcoin. "Na minha opinião, estamos muito próximos de ver o mercado atingir novas máximas", afirma. Ele baseia essa expectativa em uma análise abrangente que inclui gráficos, dados on-chain e fundamentos econômicos.
Além disso, o analista ressalta que o último trimestre do ano historicamente apresenta um bom desempenho para ativos de renda variável, o que tende a favorecer o mercado de criptomoedas, especialmente o Bitcoin.
O que é Bitcoin?
O Bitcoin (BTC) é uma moeda digital, que é usada e distribuída eletronicamente. O Bitcoin é uma rede descentralizada peer-to-peer. Nenhuma pessoa ou instituição o controla.
O Bitcoin não pode ser impresso e sua quantidade é muito limitada – somente 21 milhões de Bitcoin podem ser criados. O Bitcoin foi apresentado pela primeira vez como um software de código aberto por um programador ou um grupo de programadores anônimos sob o codinome Satoshi Nakamoto, em 2009.
Houve muitos rumores sobre a identidade real do criador do BTC, entretanto, todas as pessoas mencionadas nesses rumores negaram publicamente ser Nakamoto.
O próprio Nakamoto afirmou ser um homem de 37 anos que vive no Japão. No entanto, por causa de seu inglês perfeito e seu software não ter sido desenvolvido em japonês, há dúvidas sobre essas informações. Por volta da metade de 2010, Nakamoto foi fazer outras coisas e deixou o Bitcoin nas mãos de alguns membros proeminentes da comunidade BTC.
Para muitas pessoas, a principal vantagem do Bitcoin é sua independência de governos mundiais, bancos e empresas. Nenhuma autoridade pode interferir nas transações do BTC, importar taxas de transação ou tirar dinheiro das pessoas. Além disso, o movimento Bitcoin é extremamente transparente - cada transação única é armazenada em um grande ledger (livro-razão) público e distribuído, chamado Blockchain.
Essencialmente, como o Bitcoin não é controlado como uma organização, ele dá aos usuários controle total sobre suas finanças. A rede Bitcoin compartilha de um ledger público chamado "corrente de blocos" (block - bloco, chain - corrente).
Se alguém tentar mudar apenas uma letra ou número em um bloco de transações, também afetará todos os blocos que virão a seguir. Devido ao fato de ser um livro público, um erro ou uma tentativa de fraude podem ser facilmente detectados e corrigidos por qualquer pessoa.
A carteira do usuário pode verificar a validade de cada transação. A assinatura de cada transação é protegida por assinaturas digitais correspondentes aos endereços de envio.
Devido ao processo de verificação e, dependendo da plataforma de negociação, pode levar alguns minutos para que uma transação BTC seja concluída. O protocolo Bitcoin foi projetado para que cada bloco leve cerca de 10 minutos para ser minerado.
Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletidas nas posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar decisão