A principal criptomoeda do mercado, o Bitcoin (BTC), está cotada na manhã desta segunda-feira, 29/04/204, em R$ 320.477,98. O preço vem fazendo máximas cada vez menores, o que sugere um movimento corretivo que deve levar a maior criptomoeda do mercado para menos de US$ 60 mil em breve.
"Hoje o ativo cai mais 1,3% e é negociado nos 62 mil dólares. O ether recua 2,8% e é negociado um pouco abaixo dos 3200 dólares. Nos dados on-chain tivemos o aumento de 17 mil BTC na posição dos investidores de longo prazo (LTH), no final de semana. No Ethereum foram 44 mil ETH de saldo líquido positivo colocados em staking", disse André Franco, especialista do MB Research do Mercado Bitcoin.
Já Taiamã Demaman, líder de reasearch da Coinext, destaca que o gráfico de dominância do Bitcoin (que mede o quanto o Bitcoin representa em relação ao valor total do mercado de criptomoedas), está retestando o suporte entre 55% e 54,77%, uma faixa crucial para prever os eventos entre o final de abril e o início de maio. Se esse suporte for rompido, há uma chance de uma correção acentuada nas próximas três a quatro semanas.
Ele também afirma que a capitalização das stablecoins atingiu um novo recorde após 701 dias, desde março de 2022, chegando a 112 bilhões de dólares em março de 2023 e, finalmente, alcançando 149 bilhões de dólares somados entre as stablecoins: Tether (USDT), Circle USD (USDC) e DAI.
"Com esses valores, tanto o Bitcoin quanto as stablecoins estão retestando seus topos. Em termos de capitalização total do mercado cripto, falta um aumento de 11% para atingir seu pico histórico, enquanto para o Ethereum esse valor é de 15% e para as Altcoins é de 42%. Isso sugere que poderemos ver uma forte altseason ao longo deste ano", disse.
Segundo ele, a análise técnica do Bitcoin segue a mesma, com o preço variando entre US$ 60 e US$ 69 mil dólares. Vale destacar que uma rejeição em US$ 67 mil pode sinalizar a possibilidade de um novo teste em níveis mais baixos.
"O momento é de cautela, pois se o preço do Bitcoin entrar na faixa inferior entre US$ 58,2 mil e US$ 60 mil, ou na faixa superior entre US$ 67 mil e US$ 71 mil dólares, pode indicar a direção do mercado para o mês de maio. No mercado futuro, os mapas de liquidação sugerem a continuidade do intervalo de preços e indicam liquidez entre US$ 63 mil e US$ 67,5 mil dólares e os ETFs estão perdendo força tanto nas compras quanto nas vendas", disse.
Portanto, o preço do Bitcoin em 29 de abril de 2024 é de R$ 320.477,98. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0031 BTC e R$ 1 compram 0,0000031 BTC.
As criptomoedas com maior alta no dia 29 de abril de 2024, são: Lido DAO( LDO), Arweave (AR) e Ribbon Finance (RBN) com altas de 6%, 5% e 4% respectivamente.
Já as criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 29 de abril de 2024, são: Gala (GALA), Core (CORE) e Optimism (OP) com quedas de -8%, -7% e -6% respectivamente.
Stablecoins
As stablecoin são um dos principais pontos de liquidez do mercado cripto e seu movimento geralmente antecipa as tendências do mercado. Olhando para este setor, Andrew O'Neill, Diretor Executivo e Co-Presidente do Laboratório de Pesquisa de Ativos Digitais da S&P Global, destacou alguns pontos que os investidores deve prestar atenção.
A Lei Bipartidária de Stablecoins de Pagamento Lummis-Gillibrand foi anunciada nos EUA em 17 de abril de 2024. Ela promete um arcabouço legislativo e regulatório para reforçar a confiança nas stablecoins, acelerar o uso institucional, facilitar a emissão bancária e simplificar a prestação de serviços de custódia digital. Isso é importante pois pode mudar todo o cenário das stablecoins nos EUA, um dos maiores mercados para as criptomoedas. As principais propostas incluem:
- Autorização para empresas estatais de confiança não depositárias (não bancos), registradas no Federal Reserve, emitirem stablecoins de até US $ 10 bilhões, enquanto as instituições depositárias não têm limite.
- Arranjos transitórios permitindo que emissores de stablecoins existentes continuem operações pendentes de nova aprovação.
- Proibição de stablecoins algorítmicas.
- Requisitos de reserva, incluindo segregação de ativos, cobertura total de stablecoins pendentes e limitação de ativos de reserva a dinheiro, depósitos bancários, Títulos do Tesouro com vencimento em até 90 dias, acordos de recompra com vencimento em até sete dias e depósitos no Federal Reserve.
- Divulgação mensal de ativos e violações regulatórias.
- Resgate obrigatório de stablecoins dentro de um dia útil.
- Conservadoria e resolução pelo Federal Deposit Insurance Corp. para emissores insolventes de stablecoins.
- Esclarecimento de que os ativos digitais dos custodiantes devem ser tratados fora do balanço, como outros ativos financeiros custodiados (revogando um requisito da SEC de que os custodiantes relatem ativos digitais como um ativo no balanço com um passivo correspondente).
"As stablecoins podem ser um pilar fundamental da adoção de blockchain nos mercados financeiros, servindo como uma moeda digital para pagamentos totalmente na cadeia, prometendo eficiências e segurança aprimorada de liquidação, especificamente através da tokenização de ativos financeiros e emissão de títulos digitais.
O fundo BUIDL do grupo de investimento Blackrock fornece um caso de uso recente. O fundo tokenizado, que usa a blockchain Ethereum e investe em tesouros dos EUA, tem uma reserva de liquidez denominada na stablecoin USDC, pela qual os investidores podem resgatar tokens de ações através de um contrato inteligente, instantaneamente e 24/7", disse.
Segundo O'Neill, a clareza regulatória deve incentivar os bancos a entrar no mercado de stablecoins. Ele destaca que supondo que o projeto de lei seja aprovado e que a regulamentação bancária relevante siga, as novas regras podem oferecer aos bancos uma vantagem competitiva limitando as instituições sem uma licença bancária a uma emissão máxima de US $ 10 bilhões.
"O projeto de lei provavelmente não afetará significativamente as stablecoins já regulamentadas pelo Departamento de Serviços Financeiros de Nova York (NYDFS), incluindo o PayPal USD, Gemini USD e Paxos USD, pois estão bem abaixo do limite de US$ 10 bilhões e porque é amplamente consistente com a orientação do NYDFS", disse.
Contudo, ele também aponta que a dominância do Tether pode diminuir. O Tether, a maior stablecoin em volume pendente, é emitido por uma entidade não dos EUA e, portanto, não é uma stablecoin de pagamento permitida pelo projeto de lei proposto. Isso significa que as entidades dos EUA não poderiam deter ou negociar com Tether, o que pode reduzir a demanda enquanto impulsiona as stablecoins emitidas nos EUA.
"No entanto, observamos que a atividade de transação do Tether é predominantemente fora dos EUA, em mercados emergentes, e impulsionada por usuários de varejo e remessas. Stablecoins descentralizadas permanecem na lista de tarefas.
O foco do projeto de lei dos EUA em stablecoins emitidas por entidades centralizadas faz parte de uma tendência global de adiar a regulamentação de stablecoins descentralizadas, como Dai ou Frax. Isso reflete uma maior familiaridade com a regulamentação de emissores centralizados cujas operações se assemelham a atividades financeiras já regulamentadas", disse.
Ele também aponta que novos provedores de serviços de custódia de ativos digitais podem surgir com a remoção do requisito da SEC de que os custodiantes relatem ativos digitais em seu balanço.
"Essa política não apenas difere do tratamento geral de ativos financeiros mantidos em custódia, que geralmente estão fora do balanço, mas também cria um requisito de capital que provavelmente desencoraja instituições financeiras a fornecer custódia de ativos digitais nos EUA. As novas regras removeriam essa barreira e poderiam levar a uma maior competição", finalizou.
O que é Bitcoin?
O Bitcoin (BTC) é uma moeda digital, que é usada e distribuída eletronicamente. O Bitcoin é uma rede descentralizada peer-to-peer. Nenhuma pessoa ou instituição o controla.
O Bitcoin não pode ser impresso e sua quantidade é muito limitada – somente 21 milhões de Bitcoins podem ser criados. O Bitcoin foi apresentado pela primeira vez como um software de código aberto por um programador ou um grupo de programadores anônimos sob o codinome Satoshi Nakamoto, em 2009.
Houve muitos rumores sobre a identidade real do criador do BTC, entretanto, todas as pessoas mencionadas nesses rumores negaram publicamente ser Nakamoto.
O próprio Nakamoto afirmou ser um homem de 37 anos que vive no Japão. No entanto, por causa de seu inglês perfeito e seu software não ter sido desenvolvido em japonês, há dúvidas sobre essas informações. Por volta da metade de 2010, Nakamoto foi fazer outras coisas e deixou o Bitcoin nas mãos de alguns membros proeminentes da comunidade BTC.
Para muitas pessoas, a principal vantagem do Bitcoin é sua independência de governos mundiais, bancos e empresas. Nenhuma autoridade pode interferir nas transações do BTC, importar taxas de transação ou tirar dinheiro das pessoas. Além disso, o movimento Bitcoin é extremamente transparente - cada transação única é armazenada em um grande ledger (livro-razão) público e distribuído, chamado Blockchain.
Essencialmente, como o Bitcoin não é controlado como uma organização, ele dá aos usuários controle total sobre suas finanças. A rede Bitcoin compartilha de um ledger público chamado "corrente de blocos" (block - bloco, chain - corrente).
Se alguém tentar mudar apenas uma letra ou número em um bloco de transações, também afetará todos os blocos que virão a seguir. Devido ao fato de ser um livro público, um erro ou uma tentativa de fraude podem ser facilmente detectados e corrigidos por qualquer pessoa.
A carteira do usuário pode verificar a validade de cada transação. A assinatura de cada transação é protegida por assinaturas digitais correspondentes aos endereços de envio.
Devido ao processo de verificação e, dependendo da plataforma de negociação, pode levar alguns minutos para que uma transação BTC seja concluída. O protocolo Bitcoin foi projetado para que cada bloco leve cerca de 10 minutos para ser minerado.
Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletidas nas posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar decisão.