Com inflação recorde, volume de transações P2P com Bitcoin dispara na Venezuela

A taxa de inflação da Venezuela esperada para 2019 chega a 10.000.000% e as transações de Bitcoin peer-to-peer (P2P) atingem novos recordes mês após mês - e isso aconteceu de novo nesta semana.

Abalada pela instabilidade política e econômica que levou à escassez de alimentos e medicamentos, apagões em todo o país, tumultos e uma hiperinflação incontrolável que se compara com a do dólar do Zimbábue nos anos 90, a Venezuela teve a maior taxa de inflação do mundo em 2018.

Surpreendentemente, em maio de 2019, o Banco Central da Venezuela publicou dados econômicos pela primeira vez desde 2015. Os dados mostram que a taxa de inflação da Venezuela em 2016 foi de 274%, 863% em 2017 e 130.060% em 2018.

A hiperinflação na Venezuela é tão ruim que a maioria dos cidadãos tem que gastar todo o seu dinheiro imediatamente, porque se eles se atrasarem por alguns dias, a moeda continuará a perder valor contra o aumento do preço dos alimentos básicos diários.

A maioria dos venezuelanos não confia mas na moeda local - o bolívar venezuelano - e, no passado, aqueles que não podiam gastar sua renda rapidamente procuravam comprar ouro ou dólar americano como proteção contra a inflação.

As criptomoedas, entretanto, são mais fáceis de possuir e se tornaram uma opção mais segura, adotada por um número cada vez maior de venezuelanos. O Bitcoin se tornou um meio popular de troca e armazenamento de valor.

Um estudo recente do Ledger Journal investigou o papel que o Bitcoin desempenhou em países em situação de incerteza econômica e o analista colaborador Jackie Johnson descobriu:

"Em países onde os residentes estão sob pressão de má administração econômica, o comércio de Bitcoins se torna crítico. Dois fatores impulsionam o comércio de Bitcoin: um, há pressão para comprar Bitcoin usando moeda local antes que ele perca ainda mais valor; e dois, é necessário resgatar para a moeda local compras passadas ou compras feitas fora do país por amigos / familiares, permitindo que os residentes lidem com o aumento dos preços. Isso resulta em um aumento no comércio de Bitcoin na moeda local."

As descobertas de Johnson são apoiadas por dados da exchange P2P LocalBitcoins  - que mostram um crescimento explosivo no número de transações Bitcoin peer-to-peer.  

Ao longo de 2018 e 2019, a Venezuela e a Argentina têm apresentado continuamente novos patamares recorde de transações Bitcoin peer-to-peer.

Apesar do crescimento nas transações do Bitcoin, o economista venezuelano Danial Arraez diz que a adoção em massa ainda está distante:

"No país ainda não há adoção suficiente de bitcoin, porque com poucas exceções, criptomoeda, incluindo Bitcoin e altcoins, são, na maioria dos casos, uma moeda proxy (substituta) para facilitar a troca fiduciária, sendo o par USD-VES o mais negociado, mas sem poder esquecer os pares VES-CLP (bolívares em pesos chilenos), VES-COP (em pesos colombianos), VES-ARS (em pesos argentinos), VES-BRL (em reais) e VES-PEN (em sol peruano)."

Para botar em números o que acontece na Venezuela, RhythmTrader - um popular analista de criptomoedas - recentemente publicou em sua página no Twitter que, "se uma pessoa tivesse US$ 1 milhão em bolívares venezuelanos desde 2013, esse valor agora seria de menos de US$ 0,37". Se tivesse investido o mesmo milhão em Bitcoin em 2013, hoje teria cerca de US$ 105 milhões

O Bitcoin aos poucos está se tornando uma boa alternativa para pessoas que moram em países que enfrentam uma crise econômica. Na semana passada a Argentina teve uma enorme queda no valor do peso e no mercado de ações do país. Como reportado pelo Cointelegraph, analistas esperam que o volume de negociação de Bitcoins no país aumente nas próximas semanas.