Os Estados Unidos precisam investigar formalmente o uso de redes de prova de trabalho, como a do Bitcoin (BTC), para proteger o país em eventuais guerras cibernéticas, de acordo com Jason Lowery, membro da Força Espacial dos Estados Unidos.
Em uma carta de quatro páginas enviada ao Conselho de Inovação da Defesa dos EUA datada de 2 de dezembro, Lowery explicou que, embora o Bitcoin seja visto principalmente como um "sistema monetário" para proteger fundos dos usuários da rede, poucos sabem que o Bitcoin pode ser usado para proteger "todas as formas de dados, mensagens ou sinais de comando."
"Como resultado, essa concepção errônea subestima a ampla importância estratégica da tecnologia para a segurança cibernética e, consequentemente, para a segurança nacional do país."
O Conselho de Inovação da Defesa dos EUA é um órgão consultivo independente criado para trazer a inovação tecnológica e as melhores práticas do Vale do Silício para as Forças Armadas dos EUA. Lowery usou a carta para pedir que o conselho aconselhasse o Secretário de Defesa a investigar a "importância estratégica nacional" de sistemas de Prova-de-Trabalho como o do Bitcoin.
Em sua carta, Lowery explicou que um sistema de prova de trabalho como o do Bitcoin poderia funcionar para dissuadir os adversários de ataques cibernéticos devido aos "custos elevados" de computação que demandam o uso intensivo de recursos físicos, da mesma forma que as forças militares ajudam a dissuadir ataques contra o país.
"A Prova-de-trabalho espelha a segurança física e as estratégias de dissuasão utilizadas em outros domínios, como terra, mar, ar e espaço", mas, em vez disso, ela faz isso no domínio digital, explicou Lowery.
BREAKING: US Space Force Major, Jason Lowery sends open letter about #Bitcoin to DOD’s Defense Innovation Board.
— Dennis Porter (@Dennis_Porter_) December 3, 2023
“I contend that reusable proof-of-work networks like #Bitcoin represent an offset strategy for the 21st century.” pic.twitter.com/qiLZ71S5MN
URGENTE: Major da Força Espacial dos EUA, Jason Lowery envia carta aberta sobre o #Bitcoin para o Conselho de Inovação de Defesa do DOD.
"Eu afirmo que as redes de prova de trabalho reutilizáveis como a do #Bitcoin representam uma estratégia de combate para o século 21."
— Dennis Porter (@Dennis_Porter_)
As potenciais aplicações em benefício de segurança cibernética do Bitcoin são enormes, de acordo com Lowery, e podem desempenhar um papel importante para que os EUA mantenham sua posição de líder mundial.
"Abordar essa questão pode ser vital para que os EUA mantenham sua posição como superpotência global e líder entre as nações, especialmente em um mundo cada vez mais digital e interconectado, assolado por vulnerabilidades de segurança."
Lowery diz que isso também tem o potencial de dar o pontapé inicial na "revolução da segurança cibernética".
"[É] o início de uma revolução na segurança cibernética. Ele converte a rede global de energia elétrica em um computador grande e fisicamente caro, ou 'macrochip', e o utiliza para restringir fisicamente os agentes mal-intencionados e proteger uma ampla gama de dados e mensagens que atravessam a Internet."
Lowery concluiu que os dispositivos de segurança cibernética do Bitcoin se alinham "perfeitamente com um deslocamento estratégico" e que o Departamento de Defesa dos EUA pode já ter "perdido um tempo valioso" por não implementá-los em seu arsenal.
Lowery também é bolsista de defesa nacional no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e propôs anteriormente a implementação de uma ferramenta de segurança cibernética na camada de base do Bitcoin em março, que ele afirma ser capaz de transformar a segurança nacional do país.
Bitcoin é o "maior defensor" dos interesses dos EUA, segundo CEO da Coinbase
Enquanto isso, em uma thread no X, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, argumentou que o Bitcoin e as criptomoedas poderiam desempenhar um papel fundamental para ajudar os Estados Unidos a manter a dominância do dólar.
"Uma ideia que venho contemplando é que o Bitcoin pode ser a chave para estender a dominância da civilização ocidental", disse Armstrong em um postagem divulgada em 3 de dezembro, explicando que as criptomoedas podem trabalhar em conjunto com o dólar em vez de destroná-lo.
"Acho que [o Bitcoin] será um instrumento de controle e equilíbrio natural que complementará o dólar e será o melhor defensor dos interesses americanos de longo prazo", acrescentou Armstrong.
One idea I’ve been contemplating is that Bitcoin may be the key to extending western civilization.
— Brian Armstrong ️ (@brian_armstrong) December 3, 2023
The natural trend of whichever country has the reserve currency is to inflate the money supply and increase deficit spending until it loses that advantage. The U.S. is somewhere on…
Uma ideia que venho contemplando é que o Bitcoin pode ser a chave para estender a civilização ocidental.
A tendência natural de qualquer país que tenha a moeda de reserva é inflar a oferta de dinheiro e aumentar o déficit de gastos até que essa vantagem seja perdida. Os EUA estão em algum ponto...
— Brian Armstrong ️ (@brian_armstrong)
Ele explicou que os líderes mundiais muitas vezes não conseguem manter a supremacia da moeda de reserva inflacionando sua oferta monetária e aumentando seus gastos deficitários.
"Os EUA estão em algum ponto dessa jornada", explicou Armstrong, mas ressaltou que o yuan chinês e o euro não são alternativas viáveis no momento, pois têm seus próprios problemas.
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Por sua vez, as criptomoedas têm o potencial de ser uma moeda alternativa no caso do fim da supremacia do dólar:
"O que eu acho que muitos não consideraram é que as pessoas têm uma alternativa agora com as criptomoedas. Elas podem começar a transferir moeda fiduciária para criptomoedas, como um antídoto para se proteger da inflação."
Armstrong enfatizou que é melhor trocar dólares por criptomoedas do que para moedas fiduciárias de outros países se o dólar perder sua relevância.
Ele acrescentou que as stablecoins apoiadas pelo dólar americano, como o USD Coin (USDC), e o surgimento de flat coins desempenharão um "papel importante na unificação desses mundos."
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