O português Luís Gomes, da corretora DIF Broker, escreveu uma artigo no portal português ECO no qual ele diz que o Bitcoin não vai constituir uma "verdadeira reserva monetária" e que a maior criptomoeda "irá sempre enfrentar a oposição dos governos".
Gomes começa o artigo fazendo uma longa apresentação sobre o uso de moedas pelas sociedades humanas. Sobre o Bitcoin, ele diz que surgiu para combater o monopólio dos bancos centrais. Ele diz que as criptomoedas oferecem privacidade, facilidade e baixo custo nas transferências, dizendo que elas já são usadas em países com hiperinflação, para dribar o controle governamental.
Porém, ele não acredita no Bitcoin como alternativa monetária:
"Apesar de todas estas vantagens, no meu entender, o Bitcoin não irá constituir uma verdadeira alternativa monetária. Em primeiro lugar, ainda está longe de ser um intermediário de trocas comerciais, ou seja, o número de lojas e negócios que a aceitam como meio de pagamento ainda é muito reduzido."
Além disso, ele não acredita que as criptomoedas sejam no futuro usadas para a maioria de pagamentos. Segundo o investidor, este fato "está muito longe de ser uma realidade e afigura-se, no meu entender, difícil."
Segundo ele, o Bitcoin sempre estará na oposição dos governos do mundo:
"O Bitcoin irá sempre enfrentar a oposição dos governos. Estes últimos têm uma voracidade incessante por mais impostos, pelo que necessitam de controlar todas as transacções dos seus cidadãos, visando assegurar que nada se lhes escapa. Além disso, os governos possuem uma arma muito poderosa nos tempos modernos: a liquidação de impostos é necessariamente realizada na moeda oficial do governo. Infelizmente, hoje a carga fiscal atinge 40% ou mais do PIB em vários países, obrigando a uma procura pela moeda do governo para que os pagamentos de impostos se possam processar."
Concluindo o tom crítico do artigo com relação ao Bitcoin, ele termina:
"Em conclusão, as características do Bitcoin, bem como de todas as criptomoedas, não parecem habilitá-la como alternativa. A sua escassez é um mito e a sua emergência como moeda não resultou de um processo natural de mercado, em que os agentes para realizar trocas comerciais procuraram a matéria-prima mais líquida, ou seja, a que tem mais “mercado”, para utilizá-la na transacção final no bem ou serviço que desejavam.
A oposição dos governos não augura um caminho fácil, atendendo ao peso dos impostos e do estado em que se encontra o actual sistema financeiro: praticamente nacionalizado."