Disparidade no consumo do Bitcoin e de países pobres evidencia desigualdade energética

A diferença entre o consumo de energia para mineração de Bitcoin e uso de energia para toda a população em países pobres são uma evidência da desigualdade energética no mundo, aponta o blog brasileiro Outras Palavras nesta sexta-feira.

Baseado em dados do Digiconomist e da Agência Internacional de Energia, o blog diz que o consumo total da mineração de Bitcoin consome até 73 TWh por ano. Com este valor, é possível afirmar que o consumo de Bitcoin supera toda a energia consumida por países como Colômbia, Bangladesh, Nigéria, Uruguai, Gana, Costa Rica, entre outros. O consumo global em 2018 foi de 900 TWh.

"Enquanto o Ocidente cria uma nova moeda movia a eletricidade, bilhões de pessoas ainda não conseguem ter acesso a energia suficiente para as coisas básicas da vida, tais como ligar uma geladeira, iniciar um negócio ou criar um emprego decente", diz o texto, assinado por Todd Moss e Jake Kincer e traduzido por Inês Castilho.

O texto diz que o Bitcoin já consome mais energia que a população de 100 milhões da Etiópia ou de 200 milhões da Nigéria. O texto também cita dados do Banco Mundial, que mostrariam que custo e segurança de eletricidade hoje já são as principais barreiras para o crescimento econômico e a criação de empregos.

Mas não é só a mineração cripto que consome muita energia e alarma as autoridades mundiais. O consumo com jogos eletrônicos somente na Califórnia, por exemplo, deve superar em 2021 o consumo de países como Gana, Costa Rica, Etiópia, Quênia e Salvador. O consumo califioniano para uso de piscinas, banheiras e TV também chama atenção para números muito elevados, superiores a países como Senegal e Jamaica.

O texto ressalta que até hoje as soluções ofertadas pelo mercado internacional miram somente a pequena escada, de forma paliativa sem propostas que possam democratizar o consumo energético e as oportunidades atreladas a ele.

No mundo, 3 bilhões de pessoas possuim acesso energético deficiente, com impactos sociais importantes, diz o Outras Palavras.

O consumo de energia para mineração do Bitcoin mostra números diferentes quando medidos pela Agência Internacional de Energia, que diz que um Bitcoin consome em torno de 48 TWh por ano em sua mineração. O número, se ampliado a todas as criptomoedas e com aumento da adoção e popularidade do mercado, pode se tornar ainda mais alarmante, conclui o texto.