Parte dos analistas avalia que talvez estejamos entrando em um período longo de depressão econômica em todo mundo, e os dados levam mesmo a crer nisso, devido ao custo ainda crescente e não pago da pandemia de COVID-19.

Em um cenário que pode se alongar por uma década, ou mais, elevando o custo da guerra ao vírus, equiparado ao que foi gasto pelos chamados Aliados após a Segunda Guerra Mundial. O Plano Marshall custou aos cofres norte-americanos US$ 154 bilhões em valores atualizados pela inflação, ou 5,2% do PIB daquela época. Até dezembro de 2020, os custos da pandemia já superavam 14,5% do PIB americano.

Segundo dados do CARE, US$ 6 trilhões já foram gastos por meio de ações legislativas e executivas para desenvolver vacinas, comprar equipamentos de proteção, fortalecer as indústrias duramente atingidas pelo COVID e fornecer assistência financeira aos americanos que perderam seus empregos.

O governo federal dos EUA compensou grande parte da perda inicial devido à paralisação das atividades econômicas no início da Pandemia e o subsequente lockdown, que evitou o que provavelmente teria sido uma nova Grande Depressão.

Por outro lado, o vírus ainda segue causando estragos e preocupação e, portanto, adiando a recuperação total dos mercados. O Escritório de Orçamento do Congresso projeta um total de US$ 7,6 trilhões em produção perdida durante a próxima década. E esses números podem ser maiores de acordo com o governo e mercado a se debruçar sobre eles.

De acordo com o Institute for Government do Reino Unido, o déficit mundial entre perdas econômicas, incentivos fiscais e subsídios para manutenção da atividade econômica foi da ordem de US$ 394 bilhões de libras esterlinas, entre os anos de 2020 e 2021.

Fonte: Institute for Government

A conta da Pandemia não para de subir e a conta chegará para todos os governos. Alguns terão recuperação mais rápida, outros mais lenta, conforme estudos empreendidos pelo Banco Mundial.

Fonte: Banco Mundial

O inimigo comum para o mercado de ações e para o Bitcoin: os juros americanos

Conforme os custos da dívida pública americana se soma aos esforços já empreendidos no combate à Covid, a inflação americana vem pressionando os preços e os dados da atividade econômica, embora estejam em níveis favoráveis, pressiona o Federal Reserve (Fed) a buscar meios de combater a inflação e seu instrumento preferido é o aumento dos juros, assim como o Bacen fez essa semana aqui no Brasil elevando a taxa básica dos juros para 10,75%.

Na última reunião do Fed, em 26 de janeiro, manteve-se as taxas no intervalo de 0% a 0,25% por enquanto. Contudo, Jerome Powell, presidente do Fed, já sinalizou que os incentivos já foram longe demais, que a economia já está aquecida e é necessário atacar a inflação americana que está na casa dos 2% ao mês. Na coletiva de imprensa após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), Powell, indicou que a primeira alta de juros deve ocorrer na reunião do mês de março, caso as condições sejam apropriadas.

O efeito imediato aconteceu no dia seguinte à reunião do FOMC, o S&P 500 caiu para sua mínima de fechamento mais recente em 27 de janeiro, em meio a preocupações com o aumento das taxas de juros e por sua vez puxou todas ações das Big Techs consigo, com Microsoft apresentando o pior resultado em anos, e hoje com o anúncio de perda de US$ 200 bilhões nas ações da Meta, a maior da história.

No mesmo período, o Bitcoin também perdeu nada menos que US$ 300 bilhões de valor, desde novembro, totalizando 47% de perda desde seu último pico na ordem de US$ 69 mil.

Qual o impacto dos juros sobre esses mercados de risco?

No momento que os juros americanos subirem, os investidores ávidos por segurança, abdicaram dos ativos de risco, como ações e criptomoedas, e se refugiarão nos títulos americanos, que lhes darão a segurança para passar por esse período de extrema incerteza durante a Pandemia. 

Mesmo que os fundamentos do Bitcoin estejam sólidos e mostrem um ativo que tem potencial de valorização, a retirada de dinheiro institucional do seu mercado, denota que ainda veremos durante algum tempo, essa luta do Bitcoin para voltar a operar acima dos US$ 40 mil e US$ 50 mil.

É muito pouco provável que vejamos o Bitcoin operar acima desse horizonte de valores. O sonho dos US$ 100 mil ainda esse ano, pode não se concretizar facilmente.

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