Analistas da Bernstein mantiveram na segunda-feira o alvo de US$ 150.000 para o Bitcoin (BTC), apesar da recente liquidação que, segundo eles, foi impulsionada pela falta de confiança dos investidores, e não por estresse estrutural.
Chamando o recuo de “o caso de baixa mais fraco” da história do ativo, a nota dos analistas aos investidores afirmou que não surgiram falhas relevantes na infraestrutura do mercado do Bitcoin e apontou saídas líquidas relativamente modestas, de 7%, dos ETFs de Bitcoin spot, mesmo com o preço do BTC caindo cerca de 50%.
“A atual movimentação do preço do Bitcoin é apenas uma crise de confiança. Nada quebrou, nenhum esqueleto vai aparecer”, disseram os analistas liderados por Gautam Chhugani.

A Bernstein afirmou que o desempenho recente inferior do Bitcoin em relação ao ouro reflete seu tratamento contínuo como um ativo de risco sensível à liquidez, e não como um porto seguro de longo prazo. Os analistas disseram que condições financeiras apertadas e taxas elevadas favoreceram ações ligadas à inteligência artificial e metais preciosos, limitando o potencial de alta do Bitcoin no curto prazo, apesar das tendências mais amplas de adoção.
O relatório também contestou várias narrativas de risco emergentes, incluindo preocupações de que a inteligência artificial esteja desviando capital das criptomoedas ou de que a computação quântica represente uma ameaça iminente ao Bitcoin. A Bernstein escreveu:
“Enquadrar a computação quântica como um ‘assassino do Bitcoin’ ignora o cronograma, o caminho de atualização e o fato de que todo o mundo digital compartilha a mesma vulnerabilidade e migrará em conjunto.”
Ao abordar a alavancagem em grandes detentores corporativos de Bitcoin, como a Strategy, de Michael Saylor, a Bernstein afirmou que a empresa depende majoritariamente de ações preferenciais perpétuas de longo prazo e mantém caixa suficiente para cobrir dividendos, sem risco de refinanciamento no curto prazo.
Além disso, os analistas esperam que mineradores de Bitcoin capitulem e vendam à medida que o preço fique abaixo do custo de produção.
Após analisar as principais narrativas de baixa, a Bernstein previu que o Bitcoin provavelmente retornará a novas máximas à medida que as condições de liquidez melhorem. A empresa reiterou seu alvo de preço de US$ 150.000 para o Bitcoin em 2026.
Instituições veem recuo do Bitcoin como ponto de entrada, enquanto traders alertam para novas quedas
Na sexta-feira, o CEO da Bitwise, Hunter Horsley, disse que a queda do Bitcoin abaixo de US$ 70.000 está sendo interpretada de forma diferente pelo mercado, com detentores de longo prazo demonstrando cautela, enquanto investidores institucionais veem o recuo como uma nova oportunidade de entrada.
Em entrevista à CNBC, Horsley afirmou que as instituições estão revisitando níveis de preço que antes acreditavam ter perdido. Ele atribuiu a queda a pressões macroeconômicas mais amplas, e não a estresse específico do mercado cripto, dizendo que o Bitcoin está sendo negociado em linha com outros ativos líquidos, à medida que os investidores “vendem tudo o que é líquido”.
Embora Horsley tenha caracterizado a liquidação como um ajuste de posicionamento impulsionado por fatores macro, traders de curto prazo seguem cautelosos quanto à trajetória do preço do Bitcoin no curto prazo.
No domingo, os analistas independentes Filbfilb e Tony Severino destacaram indicadores técnicos que, segundo eles, ainda sinalizam novas quedas, enquanto outros traders argumentaram que um “fundo real” pode não se formar até que o Bitcoin caia abaixo de US$ 50.000.

O Bitcoin atingiu uma máxima histórica acima de US$ 126.000 em 6 de outubro, mas desde então caiu para cerca de US$ 70.000 no momento da redação, segundo dados da CoinGecko.

