Uma revolução na África nascendo do Bitcoin e da Blockchain

O pensamento estereotipado de uma revolução africana, que quebre as cadeias de opressão e dominação, insinuam imagens de batalhas sangrentas de libertação. Mas agora, como uma nova ferramenta que não discrimina nem exclui, o Bitcoin está ajudando africanos a se libertar da repressão financeira.

Armados com apenas um smartphone todos os dias cidadãos africanos podem aproveitar-se de um ecossistema crescente e lucrar com isso. Mas é ainda maior do que isso; as empresas estão buscando usar a tecnologia Blockchain como uma alternativa mais barata para construir negócios melhores.

Liberdade todos os dias

Para que um indivíduo entre no mercado de ações ou para investir em uma empresa ou idéia, requer-se muito mais do que apenas saber como fazê-lo. O mercado monetário tradicional tem sido durante muito tempo um ambiente elitista que exclui aqueles que não são de sua classe.

Uma mulher de trinta e poucos anos dos arredores de Kampala, Uganda, não corresponde exatamente à imagem de uma investidora experiente. No entanto, o Bitcoin está abrindo esse mundo para cada um e para todos.

Peace Akware, de Kampala, disse à BBC:

"Eu checo meu Bitcoin todos os dias e a qualquer hora que eu puder. A qualquer minuto, a qualquer hora, a qualquer momento, sempre que posso."

Uma alternativa ativa

Simplesmente ganhar a vida em um lugar como o Uganda é uma tarefa muito mais difícil do que nas ruas de Nova York. O emprego é uma loteria, mesmo para os graduados, como Peace, o que leva as pessoas a procurar por alternativas para sobreviver.

Os chamados 'side hustles' (bicos) são o pão diário para muitos em países empobrecidos, mas muitas vezes são mal sucedidos, demorados e difíceis. No entanto, o Bitcoin oferece uma alternativa que não consome muito tempo e, embora com riscos, é acessível e gerenciável.

O poder da Blockchain

Há também empresas que estão desafiando o local de trabalho físico e custoso usando o poder da Blockchain para reduzir os custos e o tempo.

Uma empresa chamada BitPesa opera como uma empresa de remessas, transferindo dinheiro através das fronteiras, mas em vez de usar um meio como o dólar dos EUA, eles optaram por Bitcoins e suas transferências transfronteiriças simplificadas.

Elizabeth Rossiello, CEO da BitPesa, explica por que essa ruptura com o banco tradicional é tão eficaz na África.

"Eu estive em Nairobi durante todo o mês passado pois tinha três grandes coisas bancárias para fazer. Todas as três dessas operações com três bancos quenianos diferentes foram canceladas por motivos diferentes ou tiveram atrasos ou precisavam de informações adicionais, então demorei quase duas semanas e meia por transação e eu sou uma especialista."

Claramente, com o sistema bancário, mesmo os melhores deles, muito desatualizados e causando muitas frustrações, na África, onde já é falho e as alternativas precisam ser buscadas.

Volta às aulas

Uma questão que foi levantada antes sobre a revolução africana em Blockchain e Bitcoin será a necessidade de educar as massas sobre essa nova tecnologia.

Isso levou alguns a entrar no negócio da educação do Bitcoin.

Martin Serugga, comerciante em Kampala, iniciou aulas semanais sobre Bitcoin, que atende atualmente a cerca de 50 pessoas.

A sua aceitação é parte graças ao desemprego, afirmando que o interesse vem daqueles que estão desesperadamente buscando obter um emprego.

"Se você não tem empregos de fábrica e não tem empregos corporativos para atender os milhares de jovens que saem das universidades, esta é uma alternativa."