Entre os dias 30 e 31 de agosto, a plataforma Capital Aberto realizará um curso sobre inteligência artificial (IA) para gestores de recursos no Brasil. A ideia é compartilhar experiências reais e análises práticas sobre a IA na gestão de portfólio. Stephano Gabriel, sócio da Leblon Equities e responsável por ministrar o curso, conta ao Cointelegraph Brasil quais facilidades a IA oferece aos gestores.
Facilitando a gestão
O rápido desenvolvimento das soluções que utilizam inteligência artificial tem impulsionado o surgimento de diferentes casos de uso. Aplicações no desenvolvimento de sistemas, na saúde e até mesmo na geração de arte têm se tornado populares. É natural, desta forma, que a IA passe a ter um papel maior no mercado financeiro, em especial para os gestores.
Uma das aplicações que podem facilitar a vida dos gestores é a aplicação de chatbots para facilitar trabalhos operacionais de pesquisa e tratamento de dados, aponta Stephano Gabriel.
“Vislumbramos ganhos de produtividade, viabilização de trabalhos antes impossíveis ou muito custosos e o florescimento de um ecossistema de empresas (e potenciais investimentos) ao redor dessa tecnologia, mas ela não deve ser usada para tomada de decisões de investimento autônomas”, avalia.
Não se trata, no entanto, da substituição desses profissionais por ferramentas de IA, salienta Gabriel. Um comando para a construção de um portfólio de investimento, por exemplo, não possui considerações financeiras em sua resposta, acrescenta. “Em outras palavras, a resposta do chatbot é um texto que se encaixa num padrão de resposta determinado estatisticamente e coerente com o comando dado.”
Isso é ainda mais comum nos robôs de texto que usam os modelos de linguagem conhecidos como Large Language Models (LLM), aponta o sócio da Leblon Equities. Esses chatbots têm uma dificuldade intrínseca de discernir quando a resposta gerada contém informações falsas, inexistentes ou não embasadas. “O jargão da indústria para definir essa limitação é chamado de fenômeno de alucinação.”
Gabriel considera também como seria a realidade do mercado, caso os chatbots fossem capazes de gerir portfólios.
“Como seria a dinâmica do mercado num cenário em que todos têm acesso a uma ferramenta capaz de recomendar portfólios otimizados? Teríamos a materialização de um mercado perfeitamente arbitrado? Como investidores fundamentalistas, encaramos esse cenário como improvável e com pouca novidade. É um postulado da Teoria do Mercado Eficiente há mais de 50 anos.”
Mudanças no mercado
A possibilidade de fazer “mais com menos” pode causar uma mudança nas empresas de gestão de investimentos, na visão de Stephano Gabriel. O uso de IA, em teoria, causaria uma redução nas equipes. As gestoras, no entanto, já operam de forma “enxuta”, salienta Gabriel.
“Novas ferramentas trazem sofisticação à indústria e exigem desenvolvimento de novas habilidades, então devemos ter facilitação de algumas tarefas, mas também expansão daquilo que somos capazes de fazer, exigindo desenvolvimento de equipes com novas habilidades de tecnologia e análise de dados.”
Quanto à efetividade da inteligência artificial na hora de montar um portfólio, Gabriel diz que ainda não é possível tirar conclusões confiáveis, já que os chatbots ainda são muito recentes.
“Mas fica a provocação da utilidade de tal simulação, independente do resultado, pois há evidência empírica de que carteiras aleatórias ou estratégias passivas superam a maioria dos gestores. Se a ferramenta de IA sugerir um portfólio aleatório, qual seria a conclusão sobre essa simulação? Acreditamos que o desafio de obter bons retornos de longo prazo, ajustado ao risco, não deve ser subestimado”, conclui.
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