Na segunda-feira (15), o agregador de dados CoinGecko publicou um relatório apontando que 21 das 50 maiores marcas da indústria da moda utilizam ou já utilizaram tokens não-fungíveis (NFTs). A Adidas exibe o maior índice de adoção de blockchain, com 12 coleções utilizando NFTs disponibilizadas entre 2021 e 2024.
Além disso, a Adidas também tem uma divisão dedicada a ações na Web3, chamada de Three Stripes Studio. As ações da marca também incluem parcerias com outras empresas, incluindo Bape e Bugatti, totalizando seis campanhas colaborativas com NFTs até agora.
Outro destaque no relatório do CoinGecko é dado à Nike, que conta com nove coleções de NFTs até janeiro de 2024. As ações da marca envolvendo tecnologia blockchain tiveram início em 2022, logo após a aquisição do estúdio RTFKT, focado no desenvolvimento em produtos para a Web3.
Após lançar seis coleções que possuíam interações com NFTs sob o selo RTFKT, a Nike resolveu criar sua própria plataforma voltada à Web3, intitulada .SWOOSH. Desde então, a marca já publicou duas coleções de tênis e uma coleção de NFTs para identificação.
Outras grandes marcas listadas no relatório são Givenchy, Yves Saint Laurent, Gucci e Prada.
Lista das 21 marcas que já adotaram NFTs. Imagem: CoinGecko
Nova onda de adoção
Entre as 21 marcas listadas pelo CoinGecko, apenas três passaram a explorar o uso de NFTs em 2023. Este dado sugere que, para a maioria das grandes marcas, só é interessante adotar elementos da Web3 durante o ‘hype’.
Se esse é o caso, um novo ciclo de alta “definitivamente” pode trazer outras grandes marcas para a Web3, avalia Lugui Tillier, diretor de desenvolvimento de negócios da startup brasileira Lumx.
“No ciclo passado, quando essas marcas entraram, dois fatores cruciais para a permanência e o sucesso delas ainda não estavam prontos. O primeiro era a robustez das blockchains de segunda camada, essenciais para viabilizar ações escaláveis e duráveis. O segundo fator eram as soluções de abstração que permitem ao usuário realizar ações na blockchain apenas com seu email e sem a necessidade de ter criptomoedas”, explica.
Tillier destaca que Lacoste, Adidas, Porsche e outras grandes marcas realizaram suas ações através da rede Ethereum, que é conhecida por suas taxas altas. Além disso, a carteira utilizada foi a MetaMask, que não é a interface ideal para embarcar novos usuários na Web3.
“Hoje, com uma mentalidade mais madura, aprendizados e um ecossistema mais preparado para receber essas marcas, além de elas voltarem pela hype, permanecerão pelos resultados”, destaca o executivo da Lumx.
Modelos não explorados
O relatório do CoinGecko destaca que os principais casos de uso para os NFTs encontrados pelas grandes marcas são: aumentar a lealdade dos consumidores em relação à marca, firmar parcerias e criar novas experiências que ultrapassem os produtos físicos.
A coleção Virtual Gear, publicada em 2022 pela Adidas, é citada como exemplo pelos analistas do agregador de dados. A ação utilizando NFTs permitiu que usuários personalizar seus avatares com colecionáveis digitais, expressando identidades digitais únicas. O sistema de identificação .SWOOSH ID, da Nike, e o VIA Treasure Trunks, da Loius Vuitton, também foram mencionados como casos bem-sucedidos no uso de NFTs.
Um novo ciclo de alta, porém, pode trazer mais casos de uso que ainda não foram explorados. Tillier aposta que a tokenização de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês) será o novo modelo da Web3 a ser popularizado entre as grandes marcas.
“Quem já vem fazendo isso muito bem é a Nike com a RTFKT e a Courtyard com cartas de Pokémon. A tokenização de itens colecionáveis com foco em revenda é algo muito poderoso, visto que cria um mercado seguro, disponível 24/7 e com liquidez global. Isso é muito melhor do que se limitar à liquidez do próprio país, ao risco de falsificações e à espera pelo correio”, diz o executivo da Lumx.
A identidade digital, que já é explorada e foi abordada no relatório do CoinGecko, também é um caso de uso cuja utilidade poderá ser mais exploradas, avalia Tillier. Através desse caso de uso, as marcas poderão compartilhar de forma segura e prática dados do usuário com outras marcas, sempre com a permissão deste. É uma expansão do conceito do open banking para o “open tudo”, acrescenta.
Outro caso de uso, que pode ter impactos na internet como um todo, é o fim dos cookies de terceiros no Google, aponta o executivo da Lumx. “Ou seja, as marcas terão muito menos informação sobre o rastro dos usuários na internet.”
Nesse caso, os NFTs surgirão para suprir essa lacuna, demandando que mais marcas emitam seus próprios tokens, com foco em qualidade e em descrever o usuário. “Credenciais verificáveis também poderiam ser uma alternativa aos NFTs nesse ponto. ‘Diga-me quais são seus NFTs e te direi quem és’”, conclui Tillier.