O que é queima de tokens e como ela ajuda as criptomoedas e a blockchain a se tornarem mais fortes e valiosas

Nikolai Kuznetsov
01 DEZ 2019
O que é queima de tokens e como ela ajuda as criptomoedas e a blockchain a se tornarem mais fortes e valiosas

Cointelegraph

1.

O que é queima de token?

A queima de token se refere à retirada permanente de circulação das unidades existentes de criptomoeda.

A prática da queima é comum na indústria e é bastante direta. A queima de tokens é uma ação intencional tomada pelos criadores da moeda para "queimar" - ou tirar de circulação - um número específico do total de tokens disponíveis existentes. Existem várias razões para fazer isso com os tokens, mas geralmente o ato tem fins deflacionários. Embora blockchains maiores como Bitcoin e Ethereum geralmente não se valham desse mecanismo, a queima é frequentemente usada por altcoins e tokens menores para controlar o número em circulação, dando maiores incentivos aos investidores.

O mecanismo de queima é exclusivo da criptomoeda, já que as moedas fiduciárias regulares não costumam ser “queimadas”, embora o fluxo da moeda disponível seja regulado de outra forma. A queima de tokens é semelhante à noção de recompra de ações por empresas públicas, o que reduz a quantidade de ações disponíveis. Mesmo assim, a queima de token tem vários usos exclusivos e serve a propósitos diferentes.

2.

Como funciona essa queima?

Embora o conceito seja direto, a queima de token pode ser realizada de diferentes maneiras. O objetivo é reduzir o número existente de tokens disponíveis.

Embora pareça extremo, queimar tokens não os desintegra literalmente, mas os torna inutilizáveis ​​no futuro. O processo envolve a recompra ou a retirada de circulação de moeda disponível por parte dos desenvolvedores do projeto, ao deixá-los indisponíveis. Para fazer isso, as assinaturas dos tokens são colocadas em uma carteira pública irrecuperável conhecida como "endereço de contato" que é visível por todos os nodes, mas congelados permanentemente. O status dessas moedas é publicado na blockchain.

Existem diferentes maneiras pelas quais os projetos queimam tokens e variam de acordo com a finalidade do processo. Alguns empregam uma queima única uma vez que sua ICO (oferta inicial de moedas) seja concluída para tirar de circulação todos os tokens não vendidos como forma de incentivo aos participantes. Outros preferem queimar moedas periodicamente em intervalos e volumes fixos ou variáveis. A Binance, por exemplo, queima tokens trimestralmente como parte de um compromisso de atingir 100 milhões de tokens BNB queimados. O volume de moedas muda com base no número de negociações realizadas na plataforma a cada trimestre.

Outras, como o Ripple, queimam tokens gradualmente a cada transação. Sempre que as partes realizarem transações através do XRP, uma parte poderá definir uma taxa conforme sua conveniência para priorizar a execução, mas essas taxas não serão devolvidas a nenhuma autoridade central. Em vez disso, eles são queimados ao serem enviados para um endereço de comedor assim que a transação é concluída. As stablecoins, como o Tether (USDT), criarão tokens quando depositarem fundos em suas reservas e queimam o valor equivalente à medida que os fundos são extraídos ou retirados. Independentemente do mecanismo, o resultado é o mesmo: os tokens queimados são inutilizados e efetivamente retirados de circulação.

3.

Por que as empresas queimam tokens?

Independentemente de como isso é realizado, a queima de token geralmente é um mecanismo deflacionário. A maioria dos projetos se vale desse recurso para manter um valor estável e incentivos para que os traders segurem suas moedas.

Existem várias razões pelas quais uma empresa opta por queimar tokens e todas elas têm valor para os detentores de tokens. O motivo mais comum é aumentar o valor de cada token reduzindo a oferta existente. Em teoria, menos moedas disponíveis para venda e em exchanges significa que cada token individual será mais valioso. De fato, é por isso que a maioria das criptomoedas tem uma quantidade finita em circulação ou em suprimento futuro (como o eventual limite do Bitcoin).

Ao, de forma figurativa, controlar a torneira, os projetos podem aumentar o valor do suprimento existente de cada detentor de tokens e criar incentivos para o suporte contínuo. Esse é um fator importante por trás da queima periódica da Binance por exemplo, e é por isso que muitas empresas queimam tokens não vendidos após o término de suas ICOs. Em alguns casos, as queimas de token podem ser dar para corrigir um erro, como foi o caso da Tether. A empresa acidentalmente criou US$ 5 bilhões em USDT e teve que queimá-los para evitar desestabilizar sua paridade de 1 para 1 com o dólar dos EUA.

No caso de security tokens, que dão aos detentores os dividendos de um projeto, a queima de tokens funciona como a recompra de ações por parte das corporações. As moedas podem ser compradas de volta a preços justos e queimadas instantaneamente para aumentar o valor do valor do token existente de cada titular. Se for necessário recomprar os tokens a preço de mercado, os investidores podem até lucrar com base no preço a que compraram originalmente. Por fim, alguns projetos usam queimas de token para evitar transações de spam e adicionar uma camada de segurança. No caso da Ripple, a empresa queima taxas de todas as transações para remover o incentivo para sobrecarregar o sistema para obter lucro rápido, além de proteger contra ataques DDoS.

 

 

4.

A queima de token pode ser usada para algo mais?

Resumindo: Sim, pode. Um uso que alguns projetos encontraram para a queima de tokens é criar um mecanismo de consenso mais confiável para verificar e anexar transações à blockchain.

Um mecanismo popular que evoluiu da queima de token é o consenso de prova de queima (Proof-of-Burn - PoB), que é basicamente os usuários destruírem seus tokens para obterem direitos de mineração. A prova de trabalho (Proof-of-work) continua sendo uma escolha popular, especialmente por ser usada pelo Bitcoin, mas que consome recursos significativos e pode ser inviável e cara. A PoB tenta solucionar esse problema restringindo o número de blocos que os mineradores podem verificar (e anexar novos blocos à blockchain) para corresponder ao número de tokens que eles queimaram. Essencialmente, eles criam campos de mineração virtual que podem crescer à medida que queimam mais tokens.

Em teoria, a queima de tokens reduzirá o número de mineradores a qualquer momento e diminuirá a necessidade de recursos à medida que a concorrência for diminuindo. Na prática, esse mecanismo daria aos grandes mineradores, que podem queimar um grande volume de tokens de uma só vez, uma capacidade desproporcional. Para combater isso, muitas implementações de PoB usam uma taxa de decaimento que reduz a capacidade total de mineração de um minerador sempre que verifica uma transação, para que cada um deva investir constantemente mais tokens para os queimar e assim permanecer competitivo. A PoB também é semelhante à prova de participação (proof-of-stake), pois ambos exigem que os usuários empenhem seus ativos existentes para obter o privilégio de mineração. Ao contrário da PoB, no entanto, os da prova de participaçao podem levar suas moedas com eles caso optem por interromper a mineração e deixar o processo.

5.

Os titulares de token realmente se beneficiam da queima de tokens?

Embora os próprios projetos obtenham vantagens significativas ao queimar seus tokens, o processo não é um jogo de soma zero. Os detentores de tokens também se beneficiam de várias maneiras com o processo.

Pode parecer que as queimas de token foram projetadas para dar vantagem aos projetos, mas a realidade é que o mecanismo é benéfico tanto para desenvolvedores quanto para investidores. Em muitos casos, a queima de tokens pode ajudar a estabilizar o valor de uma moeda e reduzir a inflação potencial de preços. A estabilidade oferece aos investidores um incentivo maior para manter as moedas e mantém os preços a taxas mais favoráveis, o que mantém o tempo de atividade da rede e a largura de banda saudáveis. As queimas de token também projetam um senso de confiança e confiabilidade, especialmente nos estágios iniciais do desenvolvimento de uma moeda.

Outro motivo importante pelo qual os projetos queimam tokens não vendidos após as ICOs é oferecer maior transparência aos investidores. Uma empresa que vende tokens não distribuídos em uma exchange pode obter um lucro adicional, mas abre brecha para alegações de que ela existe apenas para auferir lucros. Por outro lado, a promessa de que os projetos usarão apenas os recursos arrecadados para operações comerciais mostra um compromisso com os investidores e valoriza seus tokens a um preço mais justo.

Para projetos como o Ripple, a queima de token adiciona segurança aos usuários e permite que eles acelerem suas transações com segurança sem incentivos perversos. Como não há incentivo para cobrar taxas mais altas que não sejam de execução mais rápida, os usuários podem confiar que a rede será usada com mais responsabilidade.