O que é um derivativo?

Um derivado é um contrato financeiro entre duas ou mais partes com base no preço futuro de um ativo subjacente.

Os derivativos financeiros são muito discutidos quando se trata do setor de criptomoeda, especialmente no que tange os contratos futuros de Bitcoin ou altcoins. Vale ressaltar que o derivado é uma das formas mais antigas de contrato financeiro existente no mercado. A história desse tipo de negócio pode ser remonta a antiguidade: nos tempos medievais, os derivativos eram usados ​​para facilitar negócios entre comerciantes que comercializavam toda a Europa e participavam de feiras periódicas, uma das primeiras formas de mercado na Idade Média.

Os derivativos evoluíram durante séculos para se tornar uma das ferramentas financeiras mais populares. Atualmente, um derivado é entendido como um título que deriva seu valor de um ativo ou benchmark subjacente. O contrato pode ser assinado entre duas ou mais partes que desejam comprar ou vender um ativo específico por um preço específico no futuro. O valor do contrato será, portanto, determinado por alterações ou flutuações no preço da referência da qual deriva seu valor.

Normalmente, os ativos subjacentes usados ​​nos derivativos são moedas (ou criptomoedas), commodities, títulos, ações, índices de mercado e taxas de juros. Os derivativos podem ser negociados em bolsas de valores ou de cliente-para-cliente (C2C), o que é bastante diferente em termos de regulamentação e forma de negociação. Normalmente, porém, os comerciantes mais ativos se valem dos dois métodos.

Para que um trader usaria derivativos?

Os derivativos são geralmente usados ​​para se proteger de riscos ou especular sobre o preço do ativo subjacente em caso de mudanças.

Os derivativos são usados ​​em muitas áreas, mas principalmente para fins de cobertura (hedge), ou seja, quando os investidores desejam se proteger de flutuações de preços. Nesse caso, a assinatura de um contrato para comprar um ativo por um preço fixo ajudaria a mitigar os riscos relacionados. Outra maneira de tirar proveito da negociação de derivativos é a especulação, quando os comerciantes estão tentando prever como o preço do ativo pode mudar ao longo do tempo. Essa é a razão pela qual o renomado investidor americano Warren Buffet uma vez chamou os derivativos de "armas financeiras de destruição em massa", compartilhando uma visão comum de que eles eram os culpados pela crise financeira global de 2007-2008.

Existem muitas maneiras de como os derivativos podem ser aplicados na vida real. Por exemplo, antes da crise acima mencionada, a grande holding americana Berkshire Hathaway começou a vender opções de venda em quatro índices de ações, incluindo o S&P 500 e FTSE 100. Uma opção de venda é uma forma de derivativo que dá ao proprietário o direito, mas não o a obrigação de vender um ativo subjacente ao vendedor da poção de venda a um preço especificado até uma data predeterminada. Nesse caso, a Berkshire Hathaway ofereceu aos investidores a chance de comprar um ágio de opção e, portanto, comprar a capacidade de vender suas ações a um preço e data acordados. Quando a data finalmente chegasse, eles poderiam ganhar dinheiro vendendo uma ação cujo preço havia visivelmente diminuído. No entanto, se o preço estiver subindo nesse período, a empresa receberá o ágio da opção. Nesse caso em particular, a Berkshire Hathaway assumiu o risco e faturou cerca de US$ 4,8 bilhões.

Outro exemplo interessante do uso de derivativos vem do negócio de companhias aéreas. Como as companhias aéreas dependem fortemente do combustível de aviação, cujo preço está continuamente subindo e descendo, é muito útil para a empresa implementar estratégias apropriadas de hedge de derivativos. A maior transportadora de baixo custo do mundo, a Southwest Airlines, que opera nos EUA, é um exemplo bem conhecido de sucesso nessa área. Devido a seu programa de cobertura bem projetado, a companhia aérea conseguiu travar os preços do petróleo a uma taxa muito baixa e, portanto, paga entre 25% e 40% menos pelo combustível de aviação do que seus concorrentes há anos.

Alguns casos de uso não estão nem perto dos sistemas financeiros tradicionais. Por exemplo, existe todo um segmento de derivativos climáticos destinados a cobrir agricultores, fornecedores de commodities e outros contra perdas relacionadas ao clima, como geadas ou furacões.

Quais são as formas mais comuns de derivativos?

Existem quatro tipos principais de derivativos: futuros, forwards, swaps e opções.

Futuros e forwards (contratos a termo) são tipos semelhantes de contratos, com apenas pequenas diferenças. Assim, os futuros obrigam o comprador (ou compradores) a comprar o ativo a um preço previamente acordado em uma data específica no futuro. Esses futuros são negociados em bolsas de valores e, portanto, os contratos são semelhantes e padronizados. Quanto aos forward, esse tipo de contrato é mais flexível e personalizável para as necessidades de ambos os operadores. Como os forwards são normalmente negociados em exchanges de negociação sobre o balcão (over-the-counter - OTC), os riscos das contrapartes devem sempre ser levados em consideração.

As opções concedem ao comprador o direito de comprar ou vender o ativo subjacente a um determinado preço. Contudo, de acordo com os termos do contrato, o trader não é necessariamente obrigado a comprar o ativo, o que é uma diferença importante entre opções e futuros.

Swaps são contratos de derivativos que são frequentemente usados ​​entre duas partes para trocar um tipo de fluxo de caixa por outro. Os tipos mais populares de swaps estão relacionados a taxas de juros, commodities e moedas. Normalmente, os swaps implicam na troca de um fluxo de caixa fixo por um fluxo de caixa flutuante. Ou seja, um trader pode escolher um swap de taxa de juros para mudar de um empréstimo de taxa variável para um empréstimo de taxa fixa ou vice-versa.

Como os derivativos são usados no trading de cripto?

As criptomoedas estão ganhando cada vez mais popularidade e há mais traders que querem se beneficiar das flutuações de preços.

A cotação do Bitcoin testemunhou um grande estouro nos últimos dois anos - subindo para sua máxima histórica em torno de US$ 19.800 e depois perdendo um terço de seu valor em apenas alguns dias, continuando a cair ao longo de 2018 e chegando a bater em US$ 3.200. No entanto, em abril de 2019, as coisas começaram a mudar novamente e o preço atual do Bitcoin - acima de US$ 7.300 no momento desta publicação - está longe de ser uma tendência pessimista.

A negociação de futuros de Bitcoin foi lançada pela Chicago Board Options Exchange (CBOE) e pela Chicago Mercantile Exchange (CME) durante o pico do mercado de criptomoedas em dezembro de 2017. O movimento foi um marco enorme para toda o setor de cripto, como um contrato de futuros permite que os investidores protejam posições e reduzam o risco do desconhecido, o que é bastante relevante para as criptomoedas. Em outras palavras, negociar futuros de Bitcoin e altcoin permite que os principais traders atenuem seus riscos assinando um contrato que se estabelece diretamente com o preço do leilão subjacente de uma determinada criptomoeda.

Além disso, existem, obviamente, muitos traders que desejam se beneficiar dessas mudanças drásticas ao negociar contratos de derivativos para o Bitcoin e grandes altcoins. Para lucrar com uma mudança repentina no preço do ativo subjacente, o trader pode comprar uma criptomoeda a um preço baixo e vendê-la a um preço mais alto posteriormente. No entanto, essa estratégia é relevante apenas durante um mercado em alta e é bastante arriscada, assim como todas as outras tentativas de especular sobre o preço do ativo subjacente.

Outra estratégia é chamada de shorting, que é uma maneira de lucrar mesmo com um mercado de baixa de cripto ou um mercado que está passando por uma tendência de baixa. Em resumo, os traders geralmente tomam emprestado os ativos de terceiros - seja de uma exchange ou uma corretora - e os vendem no mercado quando esperam que o preço diminua. À medida que o preço da moeda cai, o comerciante compra a mesma quantidade de ativos por um preço mais baixo e lucra com o movimento do preço, enquanto a exchange ou o corretor recebe uma comissão.