O Federal Reserve (Fed) anunciou um acréscimo de 0,75% na taxa de juros do país na semana passada. Com o núcleo da inflação (que exclui energia e alimentos, itens mais voláteis) ainda numa crescente, a decisão era mais do que esperada.
A novidade ficou por conta do tom duro do discurso do Fed e de suas projeções negativas para os principais indicadores econômicos. Além de enfatizar que seria penoso para a população não trazer a inflação para 2%, a entidade comunicou que:
- espera que a inflação atinja a meta (2%) apenas em 2025;
- reconhece que o PIB deverá crescer mais fraco em 2022 e 2023 e que o desemprego é superior a 4%, acima do que é considerado neutro (ponto de equilíbrio do mercado de trabalho);
- prevê que as taxas de juros cheguem ao final deste ano em 4,4% e, ao final de 2023, em 4,6%, acima das expectativas anunciadas pelos membros do Fed em junho.
Diante desse cenário, o que se viu foi uma escalada do dólar frente a todas as grandes moedas e os títulos públicos americanos surfando na onda e com isso os índices dos mercados caindo, levando consigo também o Bitcoin.
Libra, o Euro, Yen, Bitcoin e Ether sentem o golpe
O Bitcoin e o Ether superaram os principais índices acionários esta semana, apesar do rali contínuo do dólar à medida que os rendimentos do tesouro sobem.
O par BTC/USD perdeu cerca de 1,4% na quinta-feira, deixando-o com um ganho de 2% até agora nesta semana, de acordo com dados do Coingecko. O par ETHUSD caiu cerca de 0,5% na quinta-feira, mas subiu cerca de 2,2% até agora nesta semana.
Comparando o dólar às grandes moedas: Libra Esterlina, Euro, Yen e inclusive o Bitcoin, constata-se como o dólar está valorizado e a amplitude do seu rali.
Fonte: Tradingview
Em comparação, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) caiu 1,2% quinta-feira com uma perda de 0,9% na semana até agora, de acordo com dados da FactSet. O S&P 500 (SPX) aliviou 1,8%, olhando para uma perda de 1,1% até agora nesta semana. O Nasdaq caiu 2,6% na quinta-feira, queda de 1% no acumulado da semana até o momento.
Esta é uma das poucas circunstâncias em que os preços de criptomoedas e ações "se desacoplaram". Nos últimos meses, os dois ativos têm sido negociados em conjunto na maior parte do tempo, já que as preocupações com o aperto do Federal Reserve e o crescimento global pressionaram quase todos os ativos de risco.
Como a narrativa do aperto monetário impacta os mercados
O aumento das taxas de juros nas principais economias do mundo afeta o Brasil e todos os mercados em geral, como se tem visto desde que o Fed assumiu essa postura mais agressiva para conter a inflação nos EUA. Uma das consequências esperadas do aperto monetário é a desaceleração da atividade econômica. O baixo crescimento dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo, já afeta todo o mercado, cenário que se conjuga com a desaceleração da economia chinesa que ainda sofre com sucessivos lockdowns e problemas com uma suposta bolha imobiliária. No caso dos europeus, parece claro que, devido à menor oferta de energia na região, haverá uma recessão, quanto aos EUA já se admite que o país está em recessão.
Um mundo que cresce menos também exige menos insumos. E por que isso nos atinge com força? O Brasil é um grande produtor e exportador de commodities como minério de ferro e soja. Cerca de 20% de tudo o que o país produz é destinado ao mercado exterior. Além do impacto nas exportações (e, portanto, no PIB), a alta dos juros globais pode interferir na taxa de câmbio.
Os títulos do governo dos EUA, em particular, são considerados livres de risco pelos investidores. Quando os Estados Unidos aumentam as taxas de juros, o país começa a atrair mais capital. A questão é que, na medida em que os papéis do governo norte-americano apresentam maior rendimento, tornam-se mais interessantes em detrimento de outros ativos, assim ações e por conseguinte o Bitcoin estão sofrendo essa perda de liquidez, visto que todo o fluxo de capital está sendo estocado nos Treasuries de 2 anos e 10 anos.
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