Durante a conferência Ripple Swell, realizada nesta quarta, 12, Adrienne Harris, Superintendente de Serviços Financeiros de Nova York, trouxe à tona um importante tópico sobre o crescente envolvimento das instituições financeiras tradicionais no setor de criptomoedas.
Em suas declarações, ela destacou que bancos estão cada vez mais adotando essa nova tecnologia financeira e se preparando para explorar as oportunidades que as criptomoedas podem oferecer.
"Estamos vendo cada vez mais interesse de instituições financeiras tradicionais nesse espaço", afirmou Harris. "Acho que isso é positivo porque traz consigo atores que estão acostumados a lidar com compliance e regulamentações de forma mais madura", disse.
Harris destacou ainda que o Departamento de Serviços Financeiros de Nova York (NYDFS) está expandindo suas "cartas de confiança" (trust charters), que são permissões concedidas a empresas de tecnologia financeira para operarem no mercado.
"Estamos aumentando as cartas de confiança agora. Já temos várias licenças e agora estamos emitindo novas para empresas que estão entrando no setor", disse ela.
Ao falar sobre o que as empresas devem fazer para se adequarem ao ambiente regulatório, Harris fez uma ressalva importante. "Uma coisa que frequentemente notamos é que o aparato de compliance raramente acompanha o crescimento da empresa na mesma proporção", afirmou ela.
A Superintendente reconheceu que muitas empresas focam em expandir seus negócios rapidamente, mas sem a devida atenção à conformidade regulatória.
"Se as empresas realmente querem estar preparadas e mostrar que são bons atores neste setor, precisam criar uma infraestrutura robusta de compliance. Isso não só demonstra que estão comprometidas com o cumprimento das regras, mas também protege tanto a empresa quanto seus clientes", enfatizou.
Ela acrescentou que uma estrutura robusta de compliance ajuda a mitigar riscos e a prevenir problemas futuros. "Queremos ver como as operações de compliance estão sendo reforçadas, e quanto mais as empresas se anteciparem a essas necessidades, mais fácil será para elas navegarem nesse ambiente de maneira tranquila e eficiente", completou Harris.
Regulamentação no mercado
Ao ser questionada sobre a relação entre os reguladores estaduais e o governo federal, Harris foi enfática ao destacar a importância de uma colaboração estreita. "Estamos regulando este setor há quase 10 anos, e compartilhamos essas lições no cenário nacional", disse ela.
Harris acredita que Nova York desempenha um papel fundamental na liderança regulatória, mas reconhece que uma harmonização das regulamentações a nível nacional e internacional é essencial para garantir a segurança e o crescimento do setor.
Ela citou, inclusive, o trabalho realizado com reguladores de outros países, como o Reino Unido e os Emirados Árabes Unidos, que adotaram aspectos do modelo regulatório de Nova York em seus próprios sistemas.
"O que percebemos, pelo menos em parte, é uma tendência de imitar o modelo de Nova York", disse Harris, sugerindo que o modelo criado pelo estado de Nova York pode servir como um padrão global para a regulamentação de criptomoedas.
Harris também compartilhou suas perspectivas sobre o futuro da regulamentação e da indústria de criptomoedas como um todo. Segundo ela, a indústria ainda é relativamente jovem, com apenas 15 anos, o que significa que há um longo caminho a ser percorrido em termos de maturidade.
"A indústria ainda está aprendendo a interagir com o regulador e a entender como ser regulamentada", explicou Harris.
Ela destacou que as áreas de maior preocupação continuam sendo a conformidade com as regras de KYC (Conheça seu Cliente) e AML (Anti-lavagem de Dinheiro), além da cibersegurança. "Segurança cibernética e conformidade ainda são as maiores questões", afirmou Harris, que vê a necessidade de maior clareza e dados por parte das empresas para respaldar suas alegações.
No entanto, Harris também se mostrou otimista sobre o rápido crescimento da indústria. "Em um curto espaço de tempo, vimos um amadurecimento muito rápido de muitos pequenos players nesse mercado", observou.
Ela também falou sobre o desafio de equilibrar a inovação com a regulamentação: "Precisamos promover uma inovação responsável para que o mercado cresça de forma sustentável. Não acho que esses objetivos sejam mutuamente exclusivos".

