Operador de quadrilha brasileira que roubava bancos é solto e monta novo golpe, uma exchange de Bitcoins para trader

Uma pessoa, supostamente o jovem Pablo Henrique Borges, preso na Operação Ostentação, após ser solto pela justiça, mesmo ainda não tendo sido julgado, voltou a praticar crimes de estelionato e supostamente montou um novo golpe, camuflado de uma exchange de Bitcoin, a E-Price Capital.

Borges, seria um golpista conhecido no Brasil por praticar crimes financeiros e por ser um dos principais operadores da E-Price Capital Participações que é acusada roubar bancos, entre outros crimes.

Segundo a revista Época, Pablo Borges é braço de uma organização criminosa que começou a ser investigada em Tocantins. A quadrilha oferecia via WhatsApp e Facebook pagamento de qualquer tipo de boleto com “50% de desconto”.

"Funcionava assim: as pessoas davam metade do valor da dívida para a quadrilha, e o boleto era quitado pelos criminosos a partir da invasão de contas de clientes de bancos. Na lista dos beneficiários, havia centenas de empresas e pessoas físicas interessadas em pagar menos do que deviam, fossem contas de ISS, IPVA, celular ou de TV a cabo. Havia boletos de até R$ 20 mil.Investigadores estimam que o rombo causado pela quadrilha chegue a R$ 400 milhões. Pelo menos 23 mil contas foram lesadas e centenas de pessoas se beneficiaram do esquema de “desconto” nos boletos"

A quadrilha montou um sistema, supostamente criado por Leandro Xavier Magalhães Fernandes, para roubar loguins e senhas de clientes e chegou a montar até um banco de dados com as informações roubadas. 

Antes do suposto golpe com a E-Capital, Pablo Borges, já era um 'conhecido' da polícia por pequenos golpes via internet, como venda enganosa de milhagens de companhias aéreas e compras com senhas roubadas de cartões de crédito e seria inclusive especialista em criptografia. 

Pablo Borges e Marcella Portugal levavam uma vida de luxo, com iates, aviões, corridas em Mônaco e jantares em Paris, os símbolos do dolce far niente Foto: Reprodução
Pablo Borges e Marcella Portugal levavam uma vida de luxo, com iates, aviões, corridas em Mônaco e jantares em Paris, segundo a revista Foto: Reprodução
Na Operação Ostentação, a polícia apreendeu armas pesadas, bolsas de luxo e material de tecnologia Foto: Aloisio Mauricio / Folhapress
Na Operação Ostentação, a polícia apreendeu armas pesadas, bolsas de luxo e material de tecnologia Foto: Aloisio Mauricio / Folhapress

Borges foi preso temporariamente em outubro de 2018 a pedido do Ministério Público e da Polícia Civil do Estado de São Paulo no âmbito da denominada Operação Ostentação  que investigava as atividades da E-Price.

A Justiça, na época determinou sua prisão temporária sob o fundamento de "haver indícios da participação do paciente em organização criminosa voltada à prática de estelionatos e furtos, mediante fraudes eletrônicas, além de lavagem de dinheiro por meio de interpostas pessoas jurídicas e transferências fraudulentas de imóveis".

No entanto, no dia 11 de outubro do mesmo ano, o Ministério Público concedeu liberdade provisória ao acusado que passou a ter uma série de restrições. Entretanto, em liberdade, Borges supostamente se envolveu novamente em crimes financeiros e usando a mesma empresa, a E-Price, voltou a praticar golpes, agora usando operações de Trade de Bitcoin e criptomoedas.

"Muito embora investigado pela prática de transações financeiras fraudulentas por meio da empresa E-Price Capital Participações, volta a valer-se da mesma razão social, apresentando-se em informes publicitários como especialista em investimentos e criptomoedas. Tais informes foram publicados em periódicos de circulação nacional e incitam os leitores a realizarem investimentos em criptomoedas por meio da companhia E-Price Capital, na qual o paciente figura como diretor executivo.

Além disso, notícias de conteúdo semelhante foram divulgadas pelo paciente em suas redes sociais. Contudo, em uma breve consulta ao sítio eletrônico da referida companhia, constato indícios de irregularidade, seja porque não constam informações básicas sobre a empresa, tais como o número de CNPJ ou a autorização das instituições regulatórias do mercado de capitais, seja porque o mencionado empreendimento apenas opera por meio de bitcoins, instrumento sabidamente utilizado para a lavagem de capitais. Aliás, consta do referido sítio eletrônico: Aceitamos deposito apenas em bitcoin, toda nossa empresa é baseada em criptomoedas", diz um documento publicado em 28 de agosto de 2019.

A E-Price afirma ainda que realiza a venda de bitcoins e, segundo a justiça,  a empresa não adquire qualquer BTC mas usa o ativo para "corretagem lícita de títulos e papéis". Borges chegou até mesmo a ser alvo de reportagem do Infomoney que o classificou como "especialista de criptomoedas"

"Fazendo uso de ferramentas modernas como a tecnologia de Algoritmos Financeiros Trading, que consiste no uso de um modelo de cálculo matemático, neste caso, a E-Price Capital, utilizando de sistemas próprios totalmente automatizados, pode proporcionar a seus clientes a oportunidade de realizar operações com criptomoedas lucrando com as melhores valorizações do mercado", disse uma reportagem sobre a empresa.

Borges chegou a ser apontado pelo prestigiado site especializado em mercado financeiro, Infomoney, como "especialista em criptomoedas" e disse que a empresa "presta um serviço grandioso, proporcionando aos seus contratantes segurança, tecnologia e rendimento, consequentemente, tornam seus clientes cada vez mais éis e comprometidos com a empresa e sua constante evolução digital"

Entretanto, não foi esse o entendimento da Justiça de São Paulo que em uma nova decisão publicada hoje, 28 de agosto, por conta destas novas atividades, supostamente fraudolentas, a justiça notificou o "Ministério Público Estadual para que verifique a regularidade das operações realizadas pela E-Price Capital e o eventual descumprimento das medidas cautelares impostas ao paciente, em especial as constantes das alíneas j, k e l da decisão que lhe concedeu a liberdade provisória"

E também recomentou ainda que "o Ministério Público Estadual, a seu prudente arbítrio, expeça notificações ao Ministério Público Federal, ao Banco Central do Brasil e à Comissão de Valores Mobiliários quanto aos fatos supracitados, até mesmo porque ausente a comprovação de origem lícita dos bitcoins transacionados pela E-Price Capital".

Atualmente Borges ainda responde pelos processos da E-Price em liberdade e nega qualquer operação fraudolenta.

Como reportou o Cointelegraph, a Polícia Civil do Distrito Federal submeteu à Justiça cinco inquéritos denunciando crimes cometidos por Marlon Gonzalez Motta, que é acusado de estelionato e teria aplicado uma série de golpes envolvendo investimentos em moedas digitais em todo o Brasil.

Motta possui uma rotina "digna de um grande milionário", viajando o mundo em jatos particulares e hotéis luxuosos. Porém, a rotina de magnata do suposto empresário já deixa um restro de golpes "que ultrapassa os R$ 3 milhões".